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domingo, 5 de julho de 2026
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Associação promove atividades para celebrar Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Por Luan Cesar

Para celebrar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado nesta terça-feira, 2, e levantar o debate na sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Associação Família Azul (Afac) promove durante este mês uma série de atividades em alusão a data. Palestras, passeata, seminários, blitz educativas e outros são algumas das ações que serão desenvolvidas até o final de abril em Rio Branco. Mais que comemorar, o Mês do Autismo tem o objetivo de conscientizar a sociedade.

Presidente da Associação Família Azul, Abraão Carlos Púpio (Foto) explica que o Mês do Autismo será aberto com o lançamento da Carteira do Autista, feito pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) de Rio Branco. O documento efetiva a Lei Nº 2.230 de 4 de maio de 2017, que no seu artigo 2 obriga órgãos públicos e estabelecimentos privados em geral a dar atendimento prioritário às pessoas portadoras do TEA, evitando que elas sejam retidas nas filas de atendimento.

Além disso, um Pit Stop com distribuição de folders informativos e orientações à população também será realizado pela Semsa. Tanto o lançamento como o Pit Stop acontecerão na Praça da Revolução, no Centro da capital, a partir das 10h. Púpio comenta que a institucionalização da Carteira do Autismo traz um avanço para os portadores da síndrome e suas famílias, já que evitará transtornos para comprovar a prioridade no atendimento e constrangimentos, que ainda são recorrentes.

“Como é tradição de todos os anos, a Afac promove vários eventos e participa de outros realizados por diversas instituições. Estaremos no lançamento da Carteira do Autista para prestigiar a concretização de um dos nossos diversos esforços. Como a maioria dos autistas não têm alterações físicas, comprovar a utilização das filas preferenciais se torna um transtorno. As pessoas questionam e os familiares precisam mostrar laudos médicos para justificar. Com esse documento, esse tipo de problema será evitado e muitos não vão passar mais por constrangimentos”, diz Púpio.

Uma das principais atividades do Mês do Autismo em Rio Branco será uma passeata na quinta-feira, 4, no Centro da cidade. Membros da Afac, autistas e familiares de portadores participarão da caminhada, que terá concentração a partir das 8h em frente ao Comando Geral da Polícia Militar do Acre na Praça da Revolução. De lá, os participantes seguirão à Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para participarem da Sessão Solene do Dia Mundial de Conscientização do Autismo, a partir das 10h.

Mesmo com os avanços conquistados, o presidente da Afac fala que ainda há muitas falhas em relação ao atendimento de autistas em diversos aspectos. Uma das reclamações mais contundentes é a falta de inclusão dos portadores no ensino regular, principalmente na Rede Pública de Ensino, que segundo ele não oferta mediadores efetivos suficientes no sistema para o devido acompanhamento dos alunos autistas. Ele explica que o autismo possui vários graus e causa problemas na comunicação e interação social.

“A gente vê a todo momento os gestores públicos, tanto da esfera Municipal como Estadual, descumprindo os direitos da pessoa com TEA e de seus familiares. É preciso acabar com a seleção de mediadores provisórios e mudar para efetivos, isso evita o eterno recomeço de capacitações. Todas as atividades deste mês são importantes para esclarecer que autistas são pessoas com deficiência e merecem respeito. Precisamos quebrar os estigmas perpetuados na sociedade e levantar um debate para inclusão efetiva e o fim do preconceito”, ressalta Púpio.

O presidente da Afac acrescenta que os portadores do TEA enfrentam dificuldades de acesso as terapias multidisciplinares para fechar um diagnóstico, atendimento com psiquiatras, psicólogos, psicopedagogos, psiquiatra infantil, neuropediatras e fornecimento de medicamentos no Sistema Único de Saúde. Ele afirma que a associação buscará junto ao Ministério Público do Acre (MP-AC) o ajuizamento de ações civis públicas para a garantia dos medicamentos necessários para o tratamento e garantia de monitores nas unidades de ensino geridas pelo Estado e Município.