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sábado, 4 de julho de 2026
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Artistas pedem paz em homenagem a músico assassinado em Rio Branco

Para homenagear o músico acreano Raimundo Nonato da Conceição, conhecido popularmente como Raimundo do Cavaco, artistas, amigos e familiares se reuniram na quarta-feira, 29, para homenageá-lo. O encontro foi realizado no Senadinho, Centro de Rio Branco, com muito samba e emoção. Após as interpretações de vários clássicos do gênero musical brasileiro, os artistas presentes no ato pediram pelo fim da violência no Acre, principalmente na capital, e por mais paz.

Um dos fundadores do Senadinho, espaço cultural que semanalmente reúne idosos para diversas atividadesno Centro de Rio Branco, Conceição foi morto após ser executado por engano na Travessa São Bento, no Bairro Santa Inês, no último domingo, 26, depois que saiu de casa para comprar churrasco. Com isso, a Coordenadoria do Senadinho suspendeu todas as atividades do local por tempo indeterminado. Não se cogita uma previsão para o retorno das ações culturais.

Membro da organização do protesto, o sambista Anderson Liguth explicou que a ideia nasceu de um modo conjunto entre músicos do samba, pagode e forró que já atuaram com Raimundo do Cavaco ou assistiram ele realizando apresentações. Para ele, o ato foi uma demonstração de quanto o músico era querido pelos membros da classe artística. “É um homem que fez movimento e história no cenário musical acreano. Ficamos muito apavorados e com o coração triste”, disse.

A maioria dos participantes se vestiu de branco para reforçar a mensagem de paz na sociedade. De acordo com Liguth, a vida dos músicos que atuam no período da noite é arriscada devido ao horário de saída dos profissionais, que se apresentam geralmente até o fim da madrugada. “A gente pede uma cultura de paz para a sociedade em geral de Rio Branco. Precisamos disso”, falou.

Um dos filhos do artista morto, a professora Elis Andrade se emocionou durante toda a homenagem. Ela disse que vem recebendo apoio de várias pessoas que conheciam o pai, o que apesar de confortar bastante não diminui a tristeza. “Ele sempre fez muitas amizades, teve muitos filhos e foi um homem bom para todo mundo, ele nunca dizia não para ninguém. Meu pai não merecia morrer. Ver esse tipo de manifestação conforta porque mostra que ele era muito querido”.

Irmão do sambista, Tião Andrade relembrou que eles dois trabalharam juntos durante 30 anos. Ao enaltecer as qualidades técnicas do irmão, o tecladista, que também toca sete cordas, afirmou que nunca brigaram ou se desentenderam em toda a carreira. “Estamos com o coração dilacerado, mas o Raimundinho merece isso. Ele não era só um irmão de sangue, era um amigo. Amo muito”.

Conhecido no Senadinho como Carlito, o aposentado José Carlos Camelo foi ao ato no local para relembrar do amigo. Ele contou que era amigo de Conceição há 15 anos, eles se conheceram nas várias apresentações do artista que Camelo conferia. Ele disse que é preciso que se cumpra Justiça sobre a pessoa que matou o músico. “Ele não tinha problema com ninguém e era amigo de todo mundo, era um homem alegre e respeitador. Quem fez isso precisa ser achado e preso”, protestou.

Morte

Conceição foi morto após ser executado por engano na Travessa São Bento, no Bairro Santa Inês, quando foi comprar um churrasquinho. O alvo dos criminosos, que ainda não foram identificados e localizados pela Polícia Civil (PC), era Ronilton da Silva Queiroz, de 35 anos, que também foi morto na ação após ser baleado com cinco tiros. Segundo informações preliminares repassadas à PC, uma pessoa chegou a pé e efetuou os disparos e fugiu com o comparsa numa motocicleta.

Para escapar da execução, Queiroz teria utilizado Raimundo do Cavaco como escudo, ele tinha chegado ao local no mesmo momento em que os criminosos. Também atingido pelos disparos, o músico morreu no local. Em entrevista ao portal de notícias G1 Acre, Neuza Oliveira, esposa de Conceição, falou que o esposo estava no local e hora errados. Ela disse que a morte do marido foi uma coincidência infeliz e que ele nunca teve envolvimento com o crime.

“Estava na igreja, e chegaram me avisando o que aconteceu. Ele saiu para comprar um churrasquinho e passaram atirando. Mas, o alvo não era ele, era o rapaz do churrasquinho, mas acertou nele”, contou a viúva a entrevistada concedida ao G1 Acre. Neuza comentou ainda que ela e o marido viviam com a filha do casal, somente eles três formavam a família, e que a partir de agora será difícil continuar a vida sem o esposo. Bastante emocionada, ela disse estar sem chão.

Responsável por conduzir as investigações das duas mortes, o delegado Cristiano Bastos afirmou que informações preliminares de testemunhas que presenciaram o crime afirmam que Queiroz utilizou o músico para escapar da execução. Ele destacou que um familiar do homem relatou que ele estaria cuidando do churrasquinho no lugar da esposa, que não estava no local no momento. “Há relatos que uma das vítimas [Queiroz] costumava praticar delitos contra o patrimônio no bairro”.

De acordo com o delegado, Ronilton da Silva Queiroz tem uma passagem por crime de furto. “Há relatos de que ele seria o alvo por conta dos crimes praticados ali. Os autores teriam sido duas pessoas que chegaram em uma motocicleta com o objetivo de atingir a vítima Ronilton, porém ao ver a presença dos autores, ele tentou se abrigar atrás da outra vítima que foi alvejada. Ele ainda teria tentado fugir, mas foi alvejado pelas costas e não escapou”, finalizou o Bastos.