Após a segunda morte causada pela explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, o Governo do Acre realizou na quarta-feira, 12, a transferência de mais duas vítimas para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Com isso, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) completou a transferência das seis vítimas que estão em estado gravíssimo para o estado mineiro. A articulação do Executivo acreano para o envio iniciou no último domingo, 9.
Os dois últimos pacientes enviados para o tratamento em Minas Gerais foram José Ortenízio Souza da Conceição, de 39 anos, e Antônio José de Oliveira, 33. O primeiro foi levado do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb) pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Aeroporto Internacional Plácido de Castro e foi embarcado em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). A aeronave seguiu para Cruzeiro do Sul para embarcar o segundo.
Além de Conceição e Oliveira, já foram transferidos para Belo Horizonte Umberto da Conceição de Oliveira, 38 anos, e P. V. F. S, de quatro anos, na última segunda-feira, 10. Já na terça-feira, 11, Valdir Torquato da Silva, 51, e Francisco Luna Dos Santos, 46 anos, também foram levados para tratamento na capital mineira. Quatro pacientes que estavam na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Regional do Juruá tiveram melhora e foram liberados para os leitos.
Francisco Rodrigues de Oliveira, 60 anos, João Oliveira da Silva, 32 anos, Francisco Rodrigues da Rocha, 55, e José Francisco do Nascimento, 49 anos, estão com quadro clínico estável. A coordenadora da Central de Leitos e Cirurgias da Regulação do Acre, Paula de Faria Mariano, disse que não há confirmação de outras novas transferências. “Estamos aguardando a melhora em quadros clínicos. Garantir segurança para estes pacientes durante a viagem é a principal medida”.
A segunda morte causada pela explosão do barco aconteceu na noite de terça-feira, 11, no Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul. Marluce Silva dos Santos, de 38 anos, morreu após complicações renais e piora do quadro clínico, o que impediu a transferência dela para Minas Gerais. Ela foi velada e sepultada sob forte comoção de amigos e familiares. “Desde quando me chamaram no hospital, a médica me falou que praticamente não tinha mais jeito. Ontem ainda falei com ela na UTI e ela foi fazer hemodiálise e não resistiu”, relatou o filho Felipe Ibernon, 22.
Já a primeira morte causada pela tragédia foi a de Simone Souza Rocha, de 24 anos. Ela foi uma das 18 vítimas atingidas pela explosão da embarcação e morreu no domingo, 9, após uma parada cardiorrespiratória no Hospital Regional do Juruá. Do total de feridos no acidente, apenas oito tiveram alta da unidade de saúde em Cruzeiro do Sul e os demais seguem internados e passando por tratamento em Belo Horizonte. Dos 10 restantes, quatro estão no Acre e seis em Minas Gerais.
Acidente
A explosão de um barco no Rio Juruá, em Cruzeiro do Sul, que deixou 18 pessoas gravemente feridas e matou uma delas aconteceu na última sexta-feira, 7. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC) na cidade, a explosão aconteceu enquanto a embarcação estava sendo abastecida. O barco transportava mercadorias, pessoas e combustível para os municípios de Porto Walter e Marechal Thaumaturgo, cidades que também ficam no interior do estado.
“Um barco que ia para Marechal Thaumaturgo, de um senhor conhecido por Moreno, estava abastecendo às margens do rio, ao lado do [bairro] Miritizal, direto de um caminhão pipa, que também não sei de onde é. Aparentemente, era um abastecimento clandestino e o barco explodiu com o pessoal que estava dentro”, comentou em entrevista ao portal de notícias G1 Acre o comandante do Corpo de Bombeiros Militar em Cruzeiro do Sul, capitão José Dutra de Oliveira.
A corporação cruzeirense informou que equipes fizeram mergulhos no local do acidente para localizar possíveis vítimas fatais afogadas no Rio Juruá. De acordo com o comandante Oliveira, nenhum corpo foi localizado e ainda não se sabe quantas pessoas estavam na embarcação no momento do acidente, já que não havia um controle de passageiros por parte dos responsáveis. João Oliveira da Silva, de 33 anos, foi uma das vítimas e ficou com queimaduras nas pernas, braços e mãos.
Em entrevista ao G1 Acre, ele disse que estava com o filho no momento do acidente e não sabe como conseguiu se salvar. “Não sei dizer como foi, quando vi o fogo caí na água. Tinha muita gente no barco. Deve ter morrido alguém, não tinha como sair fácil de dentro dele. Não tirei nada, minhas roupas queimaram tudo. Graças a Deus consegui sair”, declarou aliviado. O catraieiro Nonato Coelho foi um dos que presenciou o acidente, ele estava na margem do rio no momento.
Segundo ele, o motorista do carro-pipa retirou a mangueira rapidamente e saiu do local logo no início da explosão “Quando vimos, foi a explosão e fumaça. O caminhão estava no barranco, mas quando viu o fogo, não sei nem se conseguiu puxar a mangueira, só vi que estava derramando gasolina, ele [o motorista] pulou dentro do carro e se mandou”, declarou o catraieiro ao G1 Acre. Os nomes das vítimas, que tiveram de 70% a 90% do corpo queimado, ainda não foram divulgados.
Investigação
A Marinha do Brasil e a Polícia Civil do Acre vão investigar as causas da explosão. Delegado de Cruzeiro do Sul, Lindomar Ventura afirmou que o inquérito foi instaurado ainda no último sábado, 8, e que as oitivas das pessoas envolvidas e testemunhas no caso iniciaram na segunda-feira. Peritos da Polícia Civil já estiveram no local do acidente para iniciar a investigação e colher o maior número de provas possíveis para anexar durante o processo feito pela instituição.
“A gente só aguardou passar esse primeiro momento de impacto do acidente para começar a ouvir algumas pessoas. Muitas vítimas ainda estão em atendimento e é importante conversar com elas para saber o que aconteceu, além das pessoas que estavam fazendo a descarga do combustível no local da fatalidade. Vamos aguardar o laudo da perícia, que deve ficar pronto entre 10 e 15 dias, para saber definitivamente o motivo da explosão e incêndio da embarcação”, afirmou o delegado.
Em nota divulgada à imprensa, a Marinha do Brasil informou que enviou uma equipe de busca e salvamento e de inspeção naval da Agência Fluvial de Cruzeiro do Sul, junto com uma equipe do Corpo de Bombeiros do Amazonas, assim que foi notificada da explosão. “Todas as pessoas foram resgatadas com vida e os feridos foram encaminhados ao hospital da cidade. Um inquérito será instaurado para apurar as causas, circunstâncias e responsabilidades pelo acidente”, afirmou.
De acordo com o órgão federal, responsável pela fiscalização e controle das vias fluviais, o barco tinha inscrição junto a ele, mas isso não significa que havia autorização para navegar. O procedimento investigatório da Marinha verificará qual a tripulação da embarcação, se ela era autorizada a transportar combustível, pessoas, mercadorias, que tamanho era a embarcação, identificação do proprietário, entre outras diligências mais aprofundadas em diversos requisitos.




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