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terça-feira, 7 de julho de 2026
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Após presos, adolescentes de centro socioeducativo tentam fugir por buraco feito em cela


Luan Cesar


Após a fuga de 26 presos do Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde (FOC) na madrugada desta segunda-feira, 20, quatro socioeducandos foram flagrados durante a escavação de um buraco no alojamento C1, do prédio Delta 2, do Centro Socioeducativo Aquiry, em Rio Branco. A tentativa de fuga dos adolescentes pelo buraco feito na cela em que estão foi realizada também na madrugada de hoje, cerca de 1h30, conforme as informações repassadas à imprensa.


De acordo com o Instituto Socioeducativo do Acre (ISE), os quatro adolescentes usaram dois estoques, feitos de forma artesanal por eles próprios, para escavar o buraco que seria utilizado na fuga frustrada pelos agentes que atuam no local. O flagrante foi realizado no momento em que os agentes socioeducativos faziam a ronda no prédio em que os menores estão. Com a ocorrência registrada, o grupo precisou ser remanejado para outro prédio por questões relativas a segurança.


“Os adolescentes foram imobilizados. Não foi preciso fazer nenhum tipo de contenção, tendo em vista que eles não reagiram e entregaram os ferros quando foram flagrados”, garantiu o Instituto Socioeducativo em nota pública divulgada nesta segunda-feira. Um processo administrativo para investigar o caso será instaurado pelo órgão estadual para responsabilizar os adolescentes que tentaram fugir. A ação também investigará se o caso tem relação com a fuga no presídio da capital.


Fuga presos e violência


Após a chacina que vitimou seis pessoas na Estrada Transacreana, a execução de um jovem no Ramal Bom Jesus, bairro Vila Acre, ambos no último sábado, 18, e a fuga de 26 presos do Complexo Penitenciário Francisco d’Oliveira Conde (FOC) nesta segunda-feira, 20, o Estado do Acre pedirá auxílio de órgãos na Segurança Pública. A medida foi anunciada pelo secretário de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em exercício, Ricardo Brandão, em coletiva de imprensa.


“Vamos fazer um terceiro pedido. Não precisamos de intervenção, precisamos apenas da presença das instituições federais no Acre”, esclareceu Brandão durante o encontro com a imprensa local realizado na manhã de hoje na Casa Civil. Coronel da Polícia Militar (PM-AC), o secretário em exercício contou na coletiva que ao longo de 2019 o Estado acreano oficializou dois pedidos de auxílio na execução de ações contra a criminalidade diretamente à Presidência da República.


De acordo com ele, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Acre acionará a Polícia Federal (PF), o Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública – Regional Norte (CIISPR-Norte), Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Ministério Público do Acre (MP-AC) para apoiar as atividades ostensivas e de inteligência na tentativa de dar uma resposta eficaz à população. Entretanto, o gestor não especificou se a Força Nacional e outros órgãos serão acionados no apoio.


A criminalidade não tem dado trégua aos acreanos. Com as mortes de sábado, subiu para 29 o número de assassinatos nos primeiros 18 dias deste ano, a maioria dos casos ocorreu em Rio Branco. Os números tornam-se ainda mais preocupantes quando são comparados com as mortes violentas contabilizadas em janeiro do ano passado. Segundo o Índice Nacional de Homicídios, que faz parte do Monitor da Violência, em janeiro de 2019 32 mortes violentas foram registradas.