A paixão por empreender e ajudar o próximo fez com que as amigas e empresárias Raryka Souza Lima, de 26 anos, e Ingrid Barbosa de Mendonça, de 25 anos, montassem a primeira loja virtual e física colaborativa do Acre, a “Universo 68”. Nesse tipo de loja, várias pessoas se juntam e expõem seus produtos no mesmo lugar.
As empreendedoras, que já são donas de duas lojas, Raryka, que vende roupas diferenciadas e modernas e Ingrid, que vende plantas ornamentais, com marcas exclusivas e de produção própria, dizem que o propósito do projeto foi o de unir forças e ajudar mulheres e homens a tocarem seus negócios e conseguirem se inserir no mercado de trabalho para consolidar suas marcas.
Raryka, que é formada em gestão pública, cursa jornalismo e design de moda, conta que tudo começou quando ela participou do projeto de uma empresa júnior e se apaixonou pelo segmento colaborativo.
A partir daí, em 2016, ela e outra amiga resolveram se aventurar e montaram uma loja virtual de roupas com fabricação própria e exclusiva.
O negócio deu certo e, então, ela diz que foi percebendo que poderia ajudar outras pessoas a consolidarem suas marcas e resolveu fazer um evento e reunir todas as lojas virtuais de empreendedoras de Rio Branco que não tinham lojas físicas para um bate-papo.
A ideia era mostrar para outras mulheres que todas tinham o poder de vender e ter sucesso criando e mostrando seus produtos de fabricação própria.
“A gente criou um evento em 2018 chamado “Universo 68”, que reunia lojas colaborativas. O evento deu super certo, a gente reuniu várias empreendedoras, no total 16, e, de 2018 para cá, já fizemos nove edições, com um o número maior de participantes. No último, 35 pessoas participaram. No total, no grupo, temos 65 colaboradores, porque é rotativo e, às vezes, nem todo mundo pode ir nos encontros.”
A sócia, Ingrid, que é acadêmica de engenharia civil, diz que a paixão por plantas ornamentais vem desde criança e que, mesmo fazendo faculdade, o sonho de ter uma loja de plantas ornamentais sempre foi uma realidade.
“Eu só fazia por hobby, por encomenda, com o tempo fui vendo a necessidade de receber meus clientes e ter um espaço para poder ter várias peças disponíveis, não só eu como os outros participantes do grupo, porém, nem todo mundo tem uma condição financeira de abrir uma loja. Com o tempo, a partir da primeira feira, fui vendo que era aquilo que eu queria e fui economizando, já sabia o que eu queria fazer um espaço”, conta.
Foi quando ela e Raryka se juntaram e viram que tinham um sonho em comum, que era montar uma loja e ajudar os demais pequenos empreendedores locais.
“Vimos que tínhamos ideais iguais, ela falou que também queria um espaço e a gente se juntou e começou a pesquisar na internet e vimos modelos de lojas colaborativas que tinham lá para fora e decidimos criar uma meta de abrir essa loja, não só para a gente, mas para abrir oportunidade às mesmas pessoas que tinham o sonho de ter um espaço para atender seu público e não tinham condição”, acrescenta.

Ajudar, empreender e conectar
Foi então que veio a ideia de montar a loja com várias marcas de profissionais locais, a maioria com produção própria para valorizar o mercado local.
“Isso é muito bacana, esse é o nosso foco, ajudar as pessoas a terem um público maior e um espaço para receber os clientes. Hoje é só o início, a primeira loja, queremos ir muito além do que hoje, apesar de ter pouco mais de um mês, os sonhos são muito grandes”, acrescenta Ingrid.
A jovem empreendedora diz ainda que desde o início o evento já começou com a pegada de conectar pessoas e incentivar o empreendedorismo local.
“Nosso foco não e só vender, é ajudar o próximo a se consolidar não só vendendo um produto, mas fidelizar uma marca, realizando sonhos. Não são só produtos que estão expostos na prateleira, tem toda uma história, e o cliente acompanha isso, essa é a nossa vibe, ajudar, empreender e conectar.”
‘Universo 68’
A Universo 68 foi toda pensada nos mínimos detalhes. Inaugurada no dia 7 de fevereiro de 2020, a loja funciona em um espaço alugado, no valor de R$ 1 mil e, atualmente, seis empreendedoras expõem seus produtos. O local fica aberto de segunda à sexta das 9h às 18h.
“As empreendedoras alugam uma arara, uma mesa, não é um espaço para as pessoas chegarem e colocarem os móveis, a gente aluga a estrutura que já temos. O aluguel da loja quem paga sou eu e minha sócia. O valor para quem quer expor é de R$ 200 a R$ 300. No momento, alugamos araras, mesas e biombos, as araras são mais caras porque você consegue colocar de 35 a 40 cabides e aí se vender camisas a R$ 50 reais o lucro é garantido, porque o aluguel é baixo”, explica Raryka.
Os outros gastos que as sócias têm, como taxas extras que vão desde vendedoras, luz, máquinas de cartão, impostos, por enquanto, não estão sendo cobrados das colaboradoras.
“Atualmente, temos três vendedoras que são colaboradoras donas das lojas, elas expõem os produtos na loja, então, elas vendem os delas e os das demais empresárias também. A loja colaborativa funciona assim, é tudo meio que dividido, compartilhado, até os funcionários. Eu e minha sócia também trabalhamos lá”, acrescenta.
Sobre os horários de funcionamento, a empreendedora diz que apenas no sábado a loja fica fechada, pois elas têm outros planos para esses dias.
“Aos sábados, estamos planejando fazer ações dentro da loja, por exemplo, neste mês da mulher a gente quer fazer palestras, workshops e eventos em geral que ajudem as mulheres ainda mais a empreenderem.”
A empreendedora diz que a prioridade na loja são marcas locais, criativas e diferenciadas, mas ela ressalta que os empresários que trabalham com a revenda de marcas pequenas e autorais, locais ou não, também são bem vindos.
“Os donos das marcas assinam um contrato trimestral, onde têm descrito as regras e regulamento para a exposição dentro da loja”, explica.

Segmentos diversificados
Raryka explica que a ideia da Universo 68 é mostrar um olhar diferente em relação à criação e a arte. Ela conta que as empreendedoras criaram produtos de segmentos diversificados. A ideia da loja é comercializar produtos como roupas, presentes, artesanatos, acessórios de decoração e utilidades domésticas.
“A gente têm desde cachorro-quente, mas é um cachorro-quente diferenciado, porque é feito por famílias, e é produção artesanal, até quem faz terrários e revende plantas, loja que revende camisas de marcas, que são feitas a partir de cooperativas nacionais, bordados, macrame, tudo feito à mão”, fala.
A empresária diz que as empreendedoras, além de empresárias, têm outras profissões, mas o sonho de mostrar seus talentos e de expor suas marcas permanece.
“Começamos por uma questão de propósito, tanto a minha loja quanto a Universo, a gente já tinha esse propósito de fazer com que as pessoas tivessem condições de empreender e de fazer o que elas gostam. Por isso, ajudamos para que sejam inseridas no mercado de trabalho tendo oportunidade de ter um espaço e poder contribuir para que outras pessoas possam participar.”
A empresária fala que, embora 99% das colaboradoras e participantes do projeto sejam mulheres, o espaço também é aberto para os homens. “Nosso foco é ajudar pessoas que querem empreender e dar o primeiro passo no mercado de trabalho, sejam mulheres ou homens”, finaliza.
Produtos exclusivos com preços acessíveis
A pastora Edineia Suzki, de 33 anos, foi a primeira vez na loja e aprovou o estilo dos produtos e do conceito colaborativo.
“É muito interessante, justamente por esse aspecto, todas juntas expondo o que elas têm de melhor, tudo artesanal, manual e, o melhor, com os preços bem acessíveis. São coisas especiais e exclusivas, não é qualquer presente, vale muito a pena, alguém pensou e planejou para que você tivesse uma opção exclusiva e diferenciada”, afirma.
Sem conhecer a loja, ela diz que resolveu ir ao local por ter visto pela internet e gostado dos produtos que estavam sendo anunciados.
“Estamos fazendo um chá para amigas e fomos comprar umas plantas, porque a gente vai fazer um trabalho que tem um tema ‘florescer’, sobre plantas. Achamos muito legal, não conhecíamos o espaço da loja, mas aprovamos e achamos a temática maravilhosa.”
Loja colaborativa
Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a loja colaborativa é um modelo de negócio focado em princípios baseados na economia colaborativa. O conceito principal é compartilhar a troca de serviços e objetos entre as empresas.
As lojas colaborativas servem de opção para empresários de pequenos negócios compartilharem custos, divulgarem e comercializarem seus produtos e serviços. Além disso, a essa forma de serviço, de acordo com o Sebrae, contribui para a fidelização de um público e, assim, acaba consolidando a marca ou imagem dos produtos ou serviços no mercado.
Além disso, é um espaço físico coletivo, onde os empresários de pequenos negócios comercializam seus produtos e serviços com vantagens de uma loja física, sem investir em pontos comerciais próprios. Pelo seu formato, com esse tipo de serviço, o empreendedor acaba tendo menos gastos.


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