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Alunos e professores de escolas públicas de Cruzeiro do Sul são coautores de livro sobre os patrimônios da cidade

Balsas (MA), Campo Verde (MT), Não-Me-Toque (RS), Paracatu, Araxá e Congonhas (MG). São José dos Campos, Taubaté, Pindamonhangaba, Suzano, Mogi das Cruzes (SP), Pinheiral (RJ). Essas cidades têm em comum terem seus patrimônios materiais, imateriais e ambientais transformados em livros infanto-juvenis pelo projeto “A cidade da gente”. Agora chegou a vez de Cruzeiro do Sul contar suas histórias em um novo título da coleção lançado neste mês de junho de 2021, produzido a partir de uma colaboração entre os escritores José Santos e Selma Maria e professores e alunos das Escolas Municipais Antônio Ferreira Gomes e Marcilio Nunes, ambas da vila Santa Rosa. A coleção foi idealizada pela Editora Olhares e o livro tem patrocínio de Machado Meyer Advogados com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, em parceria com a Associação Vagalume, que atua com projetos de leitura em comunidades rurais da Amazônia.

O projeto A cidade da gente foi o vencedor do prêmio Retratos da Leitura 2019, promovido pelo Instituto Pró-Livro para reconhecer ações destacadas de incentivo a leitura e escrita em todo o Brasil, e com Cruzeiro do Sul passa a estar presente nas cinco regiões brasileiras. No processo de produção do livro, os alunos foram incentivados a investigar e dissertar sobre os patrimônios de seus municípios e tornam-se guias literários dos escritores na cidade.

O livro Cruzeiro do Sul – A cidade da gente conta sobre o rio Juruá, sua flora e fauna, sobre as comunidades indígenas, lendas e causos, sobre o patrimônio edificado da cidade, o Morro da Glória, escolas, bibliotecas, pratos típicos da culinária local e, em espacial, a vila Santa Rosa, bairro rural onde estão localizadas as escolas participantes.

Ao estimular que os alunos da rede pública pesquisem e escrevam sobre a história e o cotidiano de suas cidades, o projeto gera uma oportunidade para aprenderem a partir de situações próximas de sua realidade, com o grande atrativo de se tornarem coautores do livro. Diversas atividades são desenvolvidas pelos escritores com os alunos e professores para gerar os resultados previstos.

“Foi um momento muito importante porque a gente aprendeu várias coisas. Aprendeu a fazer poesia, a fazer novas receitas e muitas lendas do município que a gente não sabia. Ver o livro agora pronto é muito gratificante, e saber que não só nós vamos ter acesso ao livro, mas todas as outras pessoas”, Isis, aluna da escola Antônio Ferreira Gomes.

“Muito bom ver o livro construído depois de muitas entrevistas, muitos lugares que nós visitamos na nossa comunidade e na nossa cidade. Fomos visitar outras escolas, fizemos entrevistas em lugares que nós não sabíamos que existiam. Conhecemos mais a nossa cidade, então é muito bom ver o livro construído”, Andriely, aluna da escola Antônio Ferreira Gomes.

“Esse livro é muito importante para a nossa cidade, conta várias lendas, algumas curiosidades sobre o nosso município, algumas receitas das comidas típicas, contra a construção da nossa cidade. É algo muito gratificante saber que esse livro está pronto e vai servir de estudo para as pessoas, pesquisa para alunos, vai ficar na biblioteca e outras pessoas terão acesso a ele. É muito gratificante a gente fazer parte desse trabalho”, Leticia, aluna da escola Antônio Ferreira Gomes.

Os livros da coleção se tornam importantes referências locais de conhecimento, com linguagem acessível e estimulante, promovendo a perpetuação e a disseminação da história das cidades abordadas e ajudando a ampliar as noções das crianças locais sobre sua identidade e sobre o pertencimento à cidade e à região onde vivem, além de valorizar lugares importantes da memória coletiva local.

Para ampliar os resultados, foram doados 2.000 exemplares do livro para a Secretaria Municipal de Educação distribuir na rede pública de ensino, apoiando as atividades didáticas em temas diversos.

“O projeto investe em uma via de mão dupla, com a pesquisa, a leitura e a escrita ajudando as crianças a valorizem seus locais de origem e, ao mesmo tempo, aproveitando esse vínculo geográfico para estimular tais atividades”, considera o escritor José Santos.

Produzidos com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, da Secretaria de Cultura do Governo Federal, os livros da coleção têm gestão cultural da Doble Cultura.

Sobre a Olhares
Em um catálogo heterogêneo, os títulos da Olhares têm em comum a proposta de estruturar o conteúdo junto com os autores, o pensamento editorial e de design entrelaçados, a articulação entre textos e imagens para a construção de uma narrativa comum. Trata de temas da cultura brasileira, em especial nos campos da arte, da história, da fotografia, da arquitetura e do design. Além de títulos relevantes nesses segmentos, a editora conquistou prêmios como o Jabuti, o Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira e o Retratos da Leitura.

Sobre os autores

José Santos
José Santos é mineiro de Santana do Deserto. Vencedor do Prêmio Jabuti de livro infantil em 2016, tem 27 livros para crianças e jovens publicados, atingindo uma tiragem de 350 mil exemplares. Já teve quatro de seus títulos selecionados para o catálogo da Bologna Children’s Books Fair. E cinco de seus livros foram escolhidos pelo Ministério da Educação para fazer parte do PNBE – Programa Nacional Biblioteca na Escola. Seus projetos foram feitos em parceria com importantes ilustradores como Alcy, Laurabeatriz, Girotto, Guazzelli, Jô Oliveira, Maurício de Sousa e Eliardo França. 

Selma Maria
Formada em Artes Plásticas pela FAAP, a paulistana Selma Maria Kuasne cedo se envolveu com o universo da arte-educação. Além de atuar como professora de artes em várias instituições culturais, Selma dedica-se a pesquisar a Cultura da Infância, abordando as formas de brincar das crianças que vivem distantes de centros urbanos. Essa pesquisa a levou a viajar pelo interior do Brasil, especialmente à região onde Guimarães Rosa cresceu, em busca das raízes da infância do escritor. Lá realizou oficinas com apoio das prefeituras de Morro da Garça, Cordisburgo e Três Marias para crianças de diversas idades. O resultado desse trabalho gerou a exposição “Meninos quietos – um olhar sobre os brinquedos do sertão”, visitada por 50 mil pessoas durante dois meses do ano de 2006, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo. (Patrícia Buarque/Compor Comunicação)