A Comissão de Saúde Pública e Assistência Social da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) realizou, nesta sexta-feira (18), uma reunião para discutir a transferência do setor de nefrologia da Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre) para a iniciativa privada. A medida, proposta pelo governo estadual, gerou preocupações sobre o impacto no atendimento e na qualidade do tratamento oferecido a pacientes renais crônicos.
O secretário de Saúde do Acre, Pedro Pascoal, presente na sessão, negou os boatos sobre o fechamento da nefrologia na Fundhacre, afirmando que a terceirização do serviço visa otimizar recursos e ampliar o atendimento. Pascoal destacou que o custo de uma sessão de hemodiálise na Fundhacre é quase quatro vezes maior do que em clínicas privadas, o que justifica a mudança. “O custo na Fundação é de R$ 1.789,27, enquanto nas clínicas privadas é de R$ 445,04. Isso nos permitirá atender mais pessoas com o orçamento disponível”, explicou.
Pacientes e especialistas participaram da reunião, expressando receios sobre o novo modelo. Rosenir, uma paciente renal, relatou sua frustração com a demora nos exames necessários para o transplante, enquanto Vanderli Ferreira, ativista da área, manifestou sua oposição à transferência para o setor privado. Ele apontou o risco de falta de pagamento às clínicas, o que pode prejudicar o atendimento, como já ocorreu em outros estados.
Ana Beatriz de Assis, presidente da Fundhacre, anunciou que a instituição abrirá um setor de emergência exclusivo para pacientes em diálise, evitando que eles precisem recorrer ao pronto-socorro. “Estamos pensando em vidas, não em números”, ressaltou.
O deputado Adailton Cruz (PSB), presidente da Comissão de Saúde, garantiu que o serviço de nefrologia não será encerrado e se comprometeu a fiscalizar as clínicas para garantir a qualidade do atendimento.
A questão será discutida novamente em reunião marcada para a próxima terça-feira (22).


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