A Irmandade Alcoólicos Anônimos (A.A) no Acre promove durante todo este mês uma programação especial para celebrar os 84 anos de fundação mundial da entidade. As comemorações serão celebradas nas várias reuniões diárias promovidas pela instituição em Rio Branco e mais sete cidades do interior, além do Distrito Nova Califórnia, em Rondônia, que fica sob responsabilidade da Coordenadoria da Região Norte I da A.A (Acre, Amazonas e Roraima).
Coordenador da Região Norte I da A.A, Paiva (devido ao anonimato que os membros da instituição têm o primeiro nome não é descrito) explica que todos os dias os 10 grupos em Rio Branco (Aeroporto Velho, Bosque, Cadeia Nova, Calafate, Praça da Catedral, Eldorado, Floresta, Placas e Vila Ivonete), seis em Cruzeiro do Sul e os existentes em Brasileia, Bujari, Feijó, Mâncio Lima e Rodrigues Alves desenvolverão atividades alusivas a data celebrada na segunda-feira, 10.
Segundo ele, no Acre a instituição tem cerca de 400 pessoas que participam das atividades da A.A e 20 reuniões por semana são feitas somente em Rio Branco. A ideia é que com a celebração dos 84 anos, as atividades internas possam atrair mais pessoas que desejam superar a doença. As conversas giram em torno da troca de experiência e ajuda entre os participantes que estão em processo de recuperação, principalmente dos que estão há mais de 30 anos sem beber, aos novos.
“A gente aproveita essas datas alusivas para dizer as pessoas que sofrem com alcoolismo que existe uma solução. Um exemplo disso é que temos pessoas que estão sem beber há mais de 30 anos, desde que a A.A chegou no Acre e iniciou suas atividades. Existem membros que desde a primeira reunião no estado estão sem beber e permanecem assim até hoje. A ideia é mostrar que essa possibilidade é real e queremos levá-la ao maior número de pessoas possível”, explica Paiva.
Os interessados em fazer parte das reuniões podem entrar anonimamente em contato com a A.A pelo telefone (68) 3224-9449 para se informarem dos horários das atividades. Devido ao princípio de manutenção do anonimato que a entidade possui, as pessoas não precisam fazer cadastro ou identificação para participar das atividades. Além disso, quem deseja agendar uma visita de membros da organização na própria casa pode entrar em contato solicitando a visita ou reunião.
“Quando alguém entra em contato nós indicamos um grupo próximo a pessoa. Quem não se sentir confortável em fazer a ligação pode entrar no site da A.A Nacional [aa.org.br] para identificar um local próximo a sua residência. Mas é preciso que o próprio alcoólico tenha vontade de fazer isso, não pode ser forçado pela família ou por terceiros. Se a pessoa solicita visita vamos até a casa dela, contamos nossa história, como conseguimos parar de beber e insere ela na rotina”, conta o coordenador.
Além da troca de experiência nas reuniões, os participantes também recebem materiais que abordam os diversos aspectos da doença. Paiva ressalta que a A.A não tem vínculo religioso e político com qualquer tipo de instituição e que as atividades sempre são voltadas a temática e ajuda mútua para lidar com a enfermidade. Além disso, não existem taxas ou mensalidades para participar das atividades desenvolvidas pela instituição, que não são obrigatórias ou forçadas aos membros.
História
A Irmandade Alcoólicos Anônimos (A.A) foi fundada no dia 10 de junho de 1935 na cidade de Akron, em Ohio, nos Estados Unidos. Naquele dia um corretor da Bolsa de Valores de Nova York e um médico, ambos alcoólatras, sentaram para conversar sobre os prejuízos que o consumo constante de bebida trazia a eles. Essa é considerada a primeira reunião da A.A no mundo, mesmo sem a atual denominação à época. Sem beber há seis meses, o corretor percebeu que a troca de experiências sobre o vício com outros adictos aliviava as dores do vício e o ajudava a seguir sóbrio.
Desde então o corretor e o médico se mantiveram sóbrios. Mas temendo recaída, eles constataram que precisavam ter contato com outros alcoólicos e se beneficiar dessa troca. A partir daí nasceu a A.A, que até hoje ajuda a salvar a vida de inúmeras pessoas ao redor do mundo. Presente em mais de 170 países, a organização parte da filosofia de que dependente pode exercer sobre outro um apoio único e que a ajuda é essencial para a recuperação de ambos. No Brasil a A.A chegou no dia 5 setembro de 1947, no Rio de Janeiro, quando um publicitário formou o primeiro grupo.
Já no Acre, o primeiro grupo da A.A foi criado no dia 27 de fevereiro de 1980, em Rio Branco, pelo cearense E. G., então com 11 anos de sobriedade. Ele se tornou dependente quando era jogador de futebol e para largar a bebida voltou a terra natal para ingressar em um grupo de Fortaleza. Após 10 anos sóbrio, E.G. se afastou das atividades de delegado da Polícia Civil do Ceará e retornou ao Acre com o intuito de fundar o primeiro grupo, ideia que se concretizou um ano depois.
Com o nome de Grupo Central Dom Giocondo Maria Grotti, as primeiras reuniões da A.A no Acre eram feitas em uma sala anexa à Igreja Santa Inês, no bairro Bosque, em Rio Branco. Atualmente a capital possui o Escritório de Serviços Locais, na rua Coronel José Galdino, N° 478, Bosque, e grupos no Aeroporto Velho, Bosque, Cadeia Nova, Calafate, Praça da Catedral, Eldorado, Floresta, Placas e Vila Ivonete. Já Cruzeiro do Sul possui seis grupos e diversos pontos. Brasileia, Bujari, Feijó, Mâncio Lima e Rodrigues Alves possuem um grupo cada, com várias reuniões.










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