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sábado, 1 de agosto de 2026
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Afinal: é Alergia ou Intolerância ao leite?

Imagine você, leitor, após tomar aquele café-com-leite, sentir aquela desagradável dor e distensão no abdome seguidos de diarreia: afinal isso é alergia ou intolerância ao leite? Essa é uma dúvida que causa desconforto até em profissionais médicos. Até porque, no caso descrito anteriormente as situações são possíveis. Mas há diferenças entre as duas doenças e elas não são apenas conceituais.

A alergia a proteína do leite de vaca (APLV) constitui a manifestação alérgica alimentar mais prevalente na infância e é incomum em adultos. Envolve o sistema imunológico, daí a razão pela qual a reação pode envolver diversos sistemas do nosso corpo como o digestivo, respiratório, cardiovascular e cutâneo trazendo sintomas atrelados aos mesmos: vômitos, diarreia, distensão abdominal, sangramento nas fezes, tosse, espirros, falta de ar, taquicardia, queda da pressão arterial, urticária (placas avermelhadas na pele), com ou sem angioedema (inchaço), entre outros. A prevalência em crianças com 1 ano de idade varia de 2.2 a 2.8% na população geral, de acordo com os dois maiores estudos científicos realizados na década de 90. Em contraste, taxa menor é encontrada em crianças com 3 anos: 0,6%, sugerindo que boa parte dos casos têm resolução espontânea até os 3 anos de idade. A APLV oferece risco de vida em alguns casos mais severos e pode ocorrer concomitantemente a outras alergias cutâneas, respiratórias (asma, rinossinusite, etc), oculares (conjuntivite) e alimentares (predominantemente os alimentos introduzidos na infância como soja, trigo, ovo, castanha, etc).

Quando se fala de intolerância a lactose (IL), temos que recordar primeiramente que a lactose é um açúcar. Ao atingir o intestino grosso a lactose deve ser totalmente digerida por uma enzima que ali deve estar presente: a lactase. A ausência ou deficiência dessa enzima faz com que a lactose seja degrada por bactérias intestinais produzindo ácido (liberando hidrogênio eliminado na respiração) e água (eliminada nas fezes e causando diarreia). Por esse motivo o exame padrão-ouro para o diagnóstico da IL, para a surpresa de muitos, é o teste do hidrogênio exalado (na respiração!). Por isso os sintomas relacionados à intolerância a lactose se restringem ao sistema digestório: diarreia, distensão abdominal, dor abdominal e flatulência (gases).

Por esse motivo, portadores da APLV que consomem produtos sem lactose não obtém nenhum benefício: o tratamento consiste em evitar produtos que contenham leite ou optar por fórmula com proteínas do leite extensamente hidrolisadas (no processo de hidrólise as proteínas são fragmentadas perdendo em muitos casos o potencial de desencadear alergias) ou, até mesmo, fórmulas com aminoácidos livres. Do mesmo modo, portadores de IL não se beneficiam de fórmulas hipoalergênicas: devem procurar por produtos isentos de lactose ou então, sob recomendação médica, consumir elite e derivados de linha regular após repor a lactase em cápsulas. Há também tratamento medicamentoso para a IL mas requer, obviamente, avaliação médica prévia para recomendação da dose e do melhor medicamento a ser adotado. Igualmente, o portador da APLV deve procurar atendimento especializado dado o lato grau de associação com outras doenças alérgicas para que as devidas medidas de precaução e tratamento sejam prontamente tomadas.

* O Ministro da Saúde, na semana que passou, anunciou medidas de incentivo aos municípios que estenderem seus respectivos horários de atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, trazendo enfim uma providência para desafogar as tão abarrotadas Unidades de Pronto Atendimento e Prontos-Socorros.