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segunda-feira, 22 de junho de 2026
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Afastamentos por saúde mental crescem 15,6% e chegam a 546 mil no Brasil

Os afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais cresceram 15,6% em 2025, alcançando mais de 546 mil benefícios concedidos pela Previdência Social. O aumento ocorre em um momento em que as empresas brasileiras precisam se adaptar às novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que amplia a responsabilidade dos empregadores na prevenção e no monitoramento dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

A atualização da norma determina que as organizações adotem uma gestão contínua dos fatores que podem comprometer a saúde mental dos colaboradores, incluindo estresse, assédio moral, sobrecarga de trabalho e esgotamento profissional.

Diante das novas exigências, muitas empresas passaram a investir em treinamentos, consultorias e adequações para atender à legislação. No entanto, especialistas alertam que apenas realizar essas ações não é suficiente para garantir conformidade durante fiscalizações.

Segundo o consultor empresarial Bruno Castro, especialista em Processos, Tecnologia e Mentalidade, é fundamental que as organizações mantenham registros, indicadores e evidências das medidas adotadas.

“A maioria das empresas está preocupada em atender à NR-1, o que é correto. Mas existe uma diferença importante entre executar uma ação e conseguir comprovar que ela está sendo executada de forma contínua. Em uma fiscalização, não basta dizer que treinou ou orientou os colaboradores. É preciso apresentar evidências, indicadores e monitoramento”, afirma.

A nova regulamentação exige que as empresas documentem suas ações preventivas, acompanhem resultados e mantenham informações atualizadas sobre treinamentos, avaliações e gestão dos riscos ocupacionais.

Para o especialista, um dos erros mais comuns é acreditar que a responsabilidade termina após a contratação de um profissional de segurança do trabalho ou da realização de treinamentos obrigatórios.

“O profissional de segurança do trabalho é fundamental para identificar riscos e orientar tecnicamente a empresa. Porém, para que tudo funcione na prática, é necessário criar mecanismos de gestão que permitam acompanhar prazos, treinamentos realizados, reciclagens, indicadores e evidências. Sem isso, a empresa fica vulnerável”, destaca.

Além do cumprimento da legislação, a adoção de políticas voltadas à saúde mental pode trazer benefícios diretos para a produtividade e a governança corporativa. Dados da Previdência Social mostram que os principais motivos dos afastamentos registrados em 2025 foram transtornos de ansiedade, episódios depressivos e reações ao estresse grave.

Na avaliação do consultor, a atualização da NR-1 deve ser encarada como uma oportunidade de aprimoramento da gestão empresarial e da qualidade do ambiente de trabalho.

“A NR-1 não deve ser vista apenas como uma obrigação legal. Ela é uma oportunidade para as empresas estruturarem melhor seus processos, aumentarem a previsibilidade e criarem ambientes mais seguros e produtivos. Quem enxergar a norma apenas como uma exigência burocrática estará perdendo uma grande oportunidade de evolução”, conclui.