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quinta-feira, 2 de julho de 2026
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Acre tem quatro áreas de proteção entre as mais ameaçadas por projetos de infraestrutura na Amazônia

O Acre tem quatro áreas de reservas ecológicas entre as mais ameaçadas por eventos de infraestrutura na Amazônia. O estudo do WWF divulgado dia 5 de julho mostra que as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Lago do Amapá e Lago do São Francisco, em Rio Branco, além da Reserva Extrativista Chico Mendes (em Xapuri e outros municípios) estão ameaçadas, respectivamente, por rodovia, desmate e pastagem. As Resex Chico Mendes e Cazumbá-Iracema, em Sena Madureira, também sofrem a elevada sobreposição de imóveis no Cadastro Ambiental Rural (CAR), instrumento que define as bases para a regularização fundiária no País.

A situação que parece mais crítica é a da APA Lago do Amapá, que tem 86% de sua área influenciados pela Estrada do Amapá. Essa reserva tem área total de 51,8 quilômetros quadrados e 44,3 km2 estão sob influência da rodovia.

Os dados constam do mapeamento e análise das tendências de redução, recategorização e extinção de unidades de conservação no bioma, concluindo que entre 2007 e 2018, o Brasil viveu uma ofensiva sem precedentes às áreas protegidas. Pressões para recategorizar, reduzir ou extinguir as unidades de conservação tornaram-se cada vez mais frequentes.

Estudo publicado em 2016 na revista Biological Conservation compilou eventos de redução de tamanho, recategorização ou descriação (PADDD da sigla em inglês) de unidades de conservação no Brasil entre 1900 e 2014. Os 67 eventos de PADDD envolviam uma área de 110 mil quilômetros quadrados e haviam se acelerado no final dos 2000.

Tinham como principais justificativas a geração de energia elétrica ou assentamentos humanos. Outros mais de 70 mil quilômetros quadrados de áreas protegidas foram identificados pelos pesquisadores como ameaçados de redução ou perda de status.

Para resistir a essa ofensiva, além de uma ação articulada de monitoramento e atuação junto ao Congresso Nacional e assembleias estaduais, é essencial compreender melhor a dinâmica dos fatores que levam a processos de PADDD e mapear as tendências futuras desse fenômeno, que na APA Igarapé São Francisco tem trazido consequências trágicas: dos 300,2 km2 de terras da APA nada menos que 213 km2 – ou 71% -estão desmatados. No Lago do Amapá são 66,9%.