A partir de 2020 o Estado do Acre receberá um investimento total de R$ 2 milhões para se tornar área livre da aftosa sem a necessidade de vacina para o rebanho bovino. Isso porque um termo de cooperação firmado entre governo e o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Acre (Fundepec) prevê que a aplicação dos recursos garanta a continuidade da erradicação da doença nos 22 Municípios sem que haja a necessidade de campanhas de vacinação anuais como é feito.
Há quase 20 anos o Acre é reconhecido internacionalmente como área livre de aftosa, o que garante a qualidade da carne produzida no Estado e permite que ela seja comercializada para outras unidades federativas do Brasil e diversos países. Para manter esse selo de qualidade e o reconhecimento internacional, o próximo passo é continuar livre da doença sem a vacinação. Atualmente, duas campanhas contra a aftosa são desenvolvidas por ano em todas as 22 cidades.
Diretor-presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf-AC), Rogério Melo explica que com a assinatura do termo de cooperação com a Fundepec, 25 unidades do órgão espalhadas pelo Estado receberão reformas e ampliação para aumentar a capacidade de atuação. A preocupação maior é com os rebanhos criados nas cidades que fazem fronteira com a Bolívia e Peru, já que o risco de ter contato com animais doentes nessas áreas é maior que outras.
“O Idaf tem enfrentado três grandes gargalos com relação a essa transição e o maior deles é a reestruturação do órgão de defesa, em especial das unidades de atendimento. Quando falo em reestruturação, quero dizer que é necessária a aquisição de veículos, computadores e, hoje, o termo de cooperação nos deu um grande avanço porque a questão das reformas deixa de ser um problema”, enfatizou Melo em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Acre na quarta-feira.
De acordo com o diretor-presidente, pelo menos metade das normas que precisam ser seguidas, conforme os padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para a certificação de área livre de aftosa sem vacinação já está cumprida pelo Estado. Além disso, ele afirmou que a realização de um concurso público para o Idaf, que ainda não tem data definida para ser promovido, também está dentro das medidas que devem ser adotadas a partir de 2020.
Além do investimento da Fundepec para as obras, Melo afirma que o governo garantirá apoio logístico e fiscalização nos prédios do Idaf para verificar se as obras previstas nas unidades serão realizadas de acordo com o cronograma e modelo exigidos, para que o Acre consiga a suspensão da vacina contra febre aftosa em todo o território. Ele diz que com as reformas das unidades do Idaf, o Acre, que integra o Bloco I dos Estados livres de febre aftosa sem vacinação no Brasil, cumprirá todas as etapas exigidas até a data limite estabelecida pelo Mapa, 30 de março de 2020.
Última campanha
O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre realiza desde o dia 1º deste mês a segunda fase da campanha de vacinação contra a febre aftosa nos 22 municípios. A estimativa do órgão é de que 3,3 milhões de bovinos e bubalinos sejam imunizados contra a doença até o fim da ação. De acordo com os dados da instituição, a primeira fase da atividade, realizada no mês de maio, vacinou 98% do rebanho do Estado. O lançamento da segunda fase foi feita em Senador Guiomard.
A ação foi realizada na propriedade do produtor rural Valdomiro Bento, localizada no quilômetro nove da rodovia AC-40, no Ramal Castanheira. Com isso, a ideia é mobilizar pequenos produtores rurais para aderirem intensamente a campanha e manter o status de território livre da aftosa, conquistado há quase 20 anos. “Tivemos um grande sucesso na campanha de maio, com o rebanho até 24 meses, e queremos repetir em novembro”, fala o diretor-presidente do Idaf, Rogério Melo.
A ação desenvolvida durante este mês é a última a ser feita no Acre. Isso porque a partir de 2020 ela deixará de ser promovida. O processo segue um cronograma do governo federal e o Acre está no primeiro bloco dos Estados que devem deixar de vacinar o rebanho. “Devido à execução de um plano estratégico de erradicação da febre aftosa, que tem o objetivo de fazer com que todo o território pare de vacinar e se torne uma zona livre de febre aftosa, sem vacinação”, explica ele.
De acordo com o Idaf, o Acre possui cerca de 3,3 milhões de cabeças de gado e esse número representa um patrimônio pecuário avaliado em R$ 4 bilhões. Segundo o diretor-presidente, o setor é o terceiro que mais movimenta economicamente o Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, com cerca de R$ 1 bilhão, anualmente. Os números do Idaf apontam ainda que mais de 2 milhões de vacinas já foram adquiridas para serem comercializadas no mercado local até o fim do mês.
Melo afirma que a intenção do governo federal é valorizar o produto acreano com o fim das campanhas a partir do próximo ano. Ele afirma que a maioria dos países não quer comercializar com regiões que vacinam. “Eles querem negociar com regiões que não vacinam e consigam, ainda assim, garantir a sanidade desse produto. O Acre tem uma vantagem grande. Faz limite com o Peru e com a Bolívia. Peru já é livre de vacinação há muito tempo e a Bolívia se tornou livre”, fala.
O diretor-presidente diz que a vacina é uma medida preventiva. Ele destaca que o Estado deve mostrar que consegue garantir a fiscalização e educação sanitária para se manter livre da aftosa sem precisar da vacina. A campanha será realizada em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Acre (Fundepec), federações da Agricultura e Pecuária do Acre (Faeac) e dos Trabalhadores na Agricultura (Fetacre).







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