O Brasil enfrenta uma crise de desabastecimento das vacinas DTP, também conhecida como tríplice bacteriana, e pentavalente, destinadas para crianças nos primeiros meses de vida. O cenário também afetou o Acre e o Estado não possui os dois remédios nos estoques das unidades nos 22 municípios. De acordo com os números repassados pela Secretaria de Saúde (Sesacre) ao Jornal Opinião, 1.300 crianças deixaram de ser imunizadas do dia 1º até terça-feira, 8, em todo Estado.
A falta das vacinas nas unidades de saúde de todo país começou após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reprovar a vacina pentavalente, que é adquirida pelo Ministério da Saúde (MS) por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), nos testes de qualidade realizados pela instituição. A reprovação fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) interrompesse a compra do antigo laboratório fornecedor, a empresa indiana Biologicals E. Limited.
Em relação à vacina DTP, que protege de doenças como difteria, tétano e coqueluche, o MS alega que problemas de armazenamento e conservação das doses durante a distribuição para os Estados ocasionaram as faltas. O MS aguarda parecer da Opas para a liberação do produto. Além de proteger das mesmas doenças que a DTP, a pentavalente também imuniza crianças contra hepatite B e da bactéria Haemophilusinfluenzae. Esta última causa infecções no nariz, meninge e garganta.
Segundo o órgão federal, uma reposição da vacina pentavalente foi solicitada à Opas, mas não há disponibilidade imediata do produto no mundo. Desde agosto, o país recebe de forma escalonada 6,6 milhões de doses. Com isso, a coordenadora do Núcleo do Programa Nacional de Imunizações (PNI) da Sesacre, Renata Quiles explica que a situação no Acre deve ser normalizada a partir de novembro. Um informe técnico do MS afirmou que o abastecimento será regularizado no fim deste mês.
“No Brasil, a falta dessas vacinas acontece há três meses. Por mantermos um estoque estratégico no Estado, conseguimos abastecer todos os municípios até o fim de setembro. Mas não possuímos mais esse estoque dessas vacinas pela falta de abastecimento. Quando tínhamos as imunizações a orientação as unidades de saúde era priorizar crianças que nunca tiveram contato com as vacinas. É melhor 10 crianças com uma ou duas doses do que duas com o esquema completo”, fala Renata.
A coordenadora ressalta que todas as pessoas que levaram os filhos para receber essas duas vacinas são reagendadas para atendimento em novembro conforme a procura. A ideia é garantir que elas retornem às unidades de saúde para imunizar as crianças e evitar a circulação massiva das doenças. Os dois remédios são aplicados de forma preventiva e, segundo o Ministério da Saúde, em casos de surtos no Brasil há estoque suficiente para realizar bloqueios vacinais no país.
“A necessidade de utilização da vacina é diária. Todos os dias temos crianças que completam dois, quatro e seis meses de idade que precisam receber a vacinação para completar o esquema da pentavalente, que é de três doses, e DTP, duas doses. Esse agendamento das crianças será feito até a situação ser normalizada. O agendamento foi pensado para priorizar as crianças que ficarem mais atrasadas sejam atendidas primeiro, já que não receberam na época adequada”, diz Renata.
Vacinas
As vacinas DTP e pentavalente devem ser aplicadas obrigatoriamente em crianças de dois meses a sete anos de idade. Na DTP, o primeiro reforço é aplicado aos 15 meses de vida da criança e o segundo entre quatro e seis anos de idade. Já a pentavalente, realiza a imunização completa após a aplicação de três doses aos dois, quatro e seis meses de vida. Segundo o Ministério da Saúde, o esquema vacinal completo das duas imunizações garante proteção contra as doenças até os 39 anos.
Outra preocupação do Ministério da Saúde é a difteria. Apesar de não haver registros no Brasil neste ano, o órgão está em alerta devido aos surtos da doença no Haiti e Venezuela, que enfrentam a situação desde 2014 e 2016 respectivamente. A atenção sobre a questão acendeu um sinal de alerta nos países da América Latina, já que a doença é de fácil circulação. Algumas aquisições foram feitas pelo órgão federal para garantir que, em casos de surtos inesperados, seja feito o bloqueio.


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