Com colaboração de Ângela Rodrigues
Com objetivo de fortalecer os conhecimentos e a troca de experiência entre os países membros do Governors’ Climate and Forests Task Force (GCF Task Force) e pelo Programa Amazônia+, técnicos do Centro de Investigación Agrícola Tropical (CIAT), de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, participaram do intercâmbio técnico no Acre, Brasil, voltado à produção de café robusta amazônico em Sistemas Agroflorestais (SAFs) e ao modelo de políticas voltadas para o clima e floresta do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa).

O intercâmbio promovido em parceria com o governo do Acre, por meio do Instituto de Mudanças Climáticas e Regulação de Serviços Ambientais (IMC), teve início na terça-feira, 16, e encerrou nesta quinta-feira, 18.
A programação é parte dos compromissos firmados no 1º Encontro do Mecanismo Subnacional de Intercâmbio de Políticas Públicas para a Gestão Ambiental Sustentável (Mipa), que reúne governos regionais, produtores e organizações amazônicas comprometidos com práticas que aliam produção sustentável, proteção da floresta e melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas.
Na capital acreana, a comitiva boliviana conheceu as experiências exitosas da cadeia produtiva do café, incluindo manejo nutricional, irrigação, colheita, pós-colheita e pesquisas voltadas ao melhoramento da cultura.

Na quarta-feira, 17, os participantes estiveram na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária do Acre (Embrapa), onde conheceram pesquisas e tecnologias desenvolvidas para a cafeicultura amazônica, incluindo estudos sobre cafeeiros clonais.
Para o pesquisador da Embrapa Acre, Celso Luiz Bergo, o encontro proporcionou uma troca de conhecimentos valiosa para ambas as instituições.

“É uma satisfação receber a comitiva do Ciat. Eles também nos apresentaram experiências e pesquisas desenvolvidas na Bolívia. Tivemos a oportunidade de mostrar nossos experimentos com café canéfora, diferentes espaçamentos, avaliação de clones, doenças e qualidade da bebida. Foi uma troca de experiência muito boa”, afirmou.
Em seguida, os técnicos do Ciat estiveram na sede do IMC para conhecer o funcionamento dos mecanismos do Sistema de Incentivo a Serviços Ambientais (Sisa) e o programa pioneiro de REDD+ Jurisdicional do Acre.
A chefe de regulação do IMC, Fabiana Cruz, detalhou todo o processo de criação do Sisa, considerado modelo global de políticas públicas ambientais em implementação, desde 2012, pelo governo do Acre.

Ao longo da reunião, os participantes puderam tirar dúvidas e ficaram a par do arcabouço jurídico do Sisa, que garante a implementação de uma série de estratégias e projetos voltados para o enfrentamento ao desmatamento ilegal e iniciativas que unem desenvolvimento sustentável, inovação e governança climática. Também participaram da reunião, a técnica do departamento de monitoramento do IMC, Vanessa Rosas, e a consultora do Earth Innovation Institute (EII), Elsa Mendonza.
Treinamento sobre colheita e pós-colheita do café robusta amazônico
Na quinta-feira, 18, a programação liderada pelo IMC incluiu um agenda de campo sobre os processo de colheita e pós-colheita do café robusta amazônico, na zona rural de Rio Branco, em parceria com a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), representados pelos coordenadores, Marcos Rocha e Michelma Lima.

A atividade contou também com orientações de pesquisadores da Embrapa Rondônia sobre práticas que influenciam diretamente a qualidade e a produtividade da cultura.
A produtora de café e presidente da Associação dos Cafeicultores de Capixaba, Marília Moura, destacou a importância da capacitação para os agricultores.

“Essa experiência é muito relevante porque estamos na nossa primeira colheita. É fundamental que os produtores façam o processo corretamente para evitar perdas. Não adianta produzir bem e, na hora da colheita, comprometer a qualidade por falta de orientação”.
A pesquisadora do Ciat, Mary Selva Viera, destacou que o intercâmbio fortalece a cooperação técnica e científica entre os dois países e permite conhecer experiências que podem ser adaptadas à realidade boliviana.

“Agradecemos ao IMC pela iniciativa e pela oportunidade de participar deste intercâmbio. Também reconhecemos a contribuição das instituições parceiras e dos pesquisadores que compartilharam conhecimentos, tecnologias e experiências que vêm fortalecendo a cafeicultura sustentável”.
A presidente do IMC, Jaksilande Araújo, destacou a importância do intercâmbio como uma oportunidade de fortalecer a cooperação entre governos, instituições de pesquisa e produtores rurais comprometidos com o enfrentamento e a adaptação às mudanças climáticas.

“Este intercâmbio entre Acre, Brasil e Bolívia é parte dos compromissos assumidos, no âmbito da GCF Task Force e do Mipa, para fortalecer a cooperação entre territórios amazônicos. O Governo do Acre, por meio do IMC, reafirma seu compromisso promovendo a troca de experiências e o acesso a práticas que conciliam produção sustentável, conservação da floresta e melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas”.
Para o chefe da Embrapa Acre, Bruno Pena, a visita abre perspectivas para futuras parcerias entre as instituições dos dois países.

“Observamos que muitos dos projetos desenvolvidos por eles possuem grande similaridade com os nossos. Existe um potencial muito grande para intercâmbios, capacitações e projetos conjuntos. Podemos aprender muito com os nossos vizinhos bolivianos, assim como compartilhar experiências que contribuam para o desenvolvimento da agricultura nos dois países”.
Saiba mais
O intercâmbio Acre, Brasil e Bolívia é fruto do compromisso de colaboração pactuado no 1º Encontro do Mecanismo Subnacional de Intercâmbio de Políticas Públicas para a Gestão Ambiental Sustentável (MIPA) promovido pela GCF Task Force e pelo Programa Amazônia+. O encontro teve como objetivo estimular a troca de conhecimento entre instituições de pesquisa, a exemplo do CIAT/Bolívia e do governo do Acre, por meio do IMC, Seagri e Embrapa como parte de um esforço regional para fortalecer a cooperação entre governos subnacionais do Equador, Colômbia, México, Bolívia, Peru e Brasil, estimulando a troca de experiências e a criação de agendas conjuntas de políticas públicas para enfrentar os desafios ambientais e climáticos comuns à região.
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