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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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A vida dos bocacrenses nos “loteamentos” da cidade

Poucos conhecem a Boca do Acre escondida por entre vielas, trapiches, no matagal, no alagado. Aqueles que estão imersos nessa realidade, na maioria das vezes por falta de opção, são os que sabem muito bem o que é viver praticamente no isolamento, sem os mínimos serviços.

Mas de quem é a culpa? Há quem diga que o culpado é quem decide comprar um terreno em local inóspito. Outros diriam que a culpa recai sobre os espertos que vendem terrenos em locais de difícil acesso, aproveitando-se de uma certa inocência dos compradores. Por fim, a conta pode ser alocada para o poder público, que não toma providências para impedir essa desordem urbana.

Em Boca do Acre, qualquer um pode avacalhar com a estrutura urbana do município. Basta ter uma porção de terras, loteá-las e sair comercializando por preços módicos, seduzindo aqueles que vivem no aluguel, ou mesmo aqueles que estão em busca do sonho da casa própria. O resultado é que o sonho vira pesadelo acordado, ao abrir os olhos e ver que a casa foi construída em área alagadiça, sem água, luz, sem contar com o mato que toma de conta.

É o que acontece na rua Bahia, no local conhecido por “Morro da Macaca”, no bairro Praia do Gado, anexo ao Conjunto Antonio Jorge, popular “Favela”, onde os moradores, para poder andar de uma casa para outra, precisam se equilibrar em cima de trapiches, durante grande parte do ano, pois a área é encharcada, sem nenhum tipo de limpeza por parte do poder público, salvo quando os moradores decidem jogar veneno para matar a vegetação, ou mesmo patrocinam a capina.

“Desde que a água baixou, nunca mais o pessoal da prefeitura apareceu por aqui para capinar. O que salva é quando nós moradores nos reunimos, compramos veneno e aplicamos no capim”, disse o morador do local, que preferiu não se identificar.

Para piorar a situação, aquilo que deveria ser um benefício para a comunidade, se tornou um transtorno. Estamos falando da rua da Creche, que foi prometida concretagem, na época da campanha eleitoral de 2020, mas o resultado foi a pavimentação somente de um lado da rua, inviabilizando o tráfego de dois carros ao mesmo tempo no sentido contrário.

“Aqui corremos riscos, principalmente nossos filhos, que podem sofrer queda do trapiche, isso sem falar da presença de cobra e outros animais que podem aparecer”, disse o morador.

Conversamos com outros residentes do lugar, que falaram à uma só língua, que em relação aos serviços prestados pelo poder público, quase não acontece. Quase tudo é no improviso: água, iluminação pública e coleta de lixo ocorrem de forma deficiente, isso quando nem existe.