Rio Branco
24°C
sexta-feira, 26 de junho de 2026
10:45

A PRIMEIRA CHUVA

A primeira chuva cobriu o telhado. Ainda aprecio as primeiras gotas no meu idioma, como uma obra de arte. Os artistas se alimentavam da sua beleza purificada, eu encontrei a minha paz. A primeira chuva, faz parte do nosso imaginário cultural, com ela reguei uma floresta carregada de história.

A alegria de ver a chuva se espalhar na raiz da vida universal, colocando o verde no silêncio dos sábios, ainda tolda a água profunda dos rios, extasiados com a chuva equatorial.

Sábios que só deixaram para a criatura criar, o necessário. Se imaginaram num rio de pouca calha, onde até a esperança se desespera e nada floresce…fico imaginando o quanto as pessoas foram egoístas, enquanto fabricavam tecnologia, pensando no lucro de suas próprias décadas e desprezavam a consciência de que tudo e todos levavam a destruição do natural. Deixaram tudo de cabeça pra baixo, até mexeu com o que estava submerso.

Há quem diga que a guerra entre nações, acontecerá por causa da água. Cansado de me sentir herói, encontrei o diagnóstico do meu destino, no terreno da transformação, catando semente, germinando plantas, plantando esperança, quando caiu a primeira chuva, me senti na pedra dura, que desafia o tempo.

No entanto, o ser humano não teve sensibilidade para sentir a pureza da mensagem, talvez ocupados desviando água para si e seus familiares. Como ninguém está livre do egoísmo e da prepotência, rios de lágrimas, poderá correrá para alimentar as comunidades.

Foi assim, que intuímos o começo do mundo presente. Foi assim, que escorregamos nas frases bíblicas que se espalhou sobre o chão da terra fecunda. Só então, deixei a chuva umedece-la para tê-la adubada, capaz de produzir, evita escassez, doença e a fome.

Antes seca, de tantas eras rolando ao relento, até chegar a outra margem da humanidade, amiúde, foi necessário um vagar de um antepassado para adubar e espalhar herança nas tribos cabelo cuia, de todos os continentes.

Tenho dois mil e quinhentos contos para contar ao teu pranto, exaltado com a contaminação se multiplicando feito tiririca de igapó. Desde do dia que chegaste na terra seca, eu disse… a chuva deveria ser aplaudida, uma vez que os planaltos, as planícies, as serras e as montanhas, levaram milhares de anos para serem esculpidas.

Claudemir Mesquita é membro da AAL. É especialista em planejamento e uso de bacias hidrográficas e presidente da Associação amigos do Rio Acre