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sexta-feira, 26 de junho de 2026
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A Jorge o que é de Jorge

A Jorge o que é de Jorge

São vinte anos de governo do PT no Acre. O tempo traz consigo um inevitável desgaste. Some esse fator natural à maior crise política/partidária da história do país, o impeachment ou golpe (fica a critério do leitor), os escândalos de corrupção, a massiva campanha anti-PT na grande imprensa, crise institucional, governos e prefeituras quebrados economicamente e, obviamente, a prisão de Lula.

Este é o quadro político e o peso que qualquer candidato, com a sigla PT carrega nas eleições de 2018. Ainda assim, todas as pesquisas para o Senado Federal, nas eleições desse ano, apontam Jorge Viana como líder, com quase 40% das intenções de voto. Isso é algo mais relevante ainda se pensarmos que são sete candidatos.

Ao analisar esse fato surge a pergunta: como, diante de todo esse desgaste e peso que carrega cada petista do Brasil, Jorge consegue se manter com esse nível de popularidade? Como um estado que em sua maioria quer Bolsonaro presidente ainda está com Jorge?

Não é uma pergunta fácil de se responder. Para começo de conversa, eu acredito que o Acre, por incrível que pareça, nunca foi petista. Mesmo no auge da popularidade da sigla, quando era moda andar com estrela no peito, nunca foi fácil eleger Lula, Dilma e outros candidatos identificados com o partido. Nem Jorge e muito menos Tião conseguiram transferir seus votos para o PT.

Há 20 anos o Acre acreditou em Jorge, independentemente do partido. E suas administrações criaram um mito. Tenho certeza que essa frase fará alguns oposicionistas estrebucharem, mas nem o mais veemente crítico do atual senador pode negar o fato de que existe um Acre antes de Jorge e outro depois dele. Longe de querer vender, nesse artigo, a ideia de que ele fez um governo sem defeitos. Mas Jorge Viana colocou o Acre num patamar diferente! E isso é um fato difícil para qualquer um se contrapor. É muito difícil estar em qualquer município acreano sem utilizar de alguma estrutura ou obra feita no governo de Jorge Viana.

É a partir dessa constatação irrefutável que um amigo, não petista, me disse algo que me fez refletir. Ele disse: “É preciso dar a Jorge o que é de Jorge”. E seguiu: “As pessoas nem precisam saber se ele foi um senador muito acima dos outros, que esteve entre os cabeças do Congresso e que teve um papel fundamental em temas importantes para o país. Muita gente nem sabe o que um senador faz. Mas o povo lembra que Jorge é o governador que colocou os salários em dia e que fez o acreano gostar de ser acreano. E isso ninguém tira dele”.

O quanto de verdade existe nessa teoria vai de acordo com a opinião de cada um. Mas o fato é que as pesquisas vêm mostrando que algumas armadilhas parecem não colar em Jorge Viana. Ele segue fazendo parte da história política do estado e sendo lembrado como um político que pertence mais ao povo do que ao sistema político tradicional.