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domingo, 2 de agosto de 2026
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A esperança do controle da malária em Gana

No dia 30 de abril deste ano foi lançada a primeira vacina contra a malária em Gana – situado na África Ocidental – num projeto piloto que estabelece um marco na história do combate à doença que assola países espalhados por todo o planeta, em especial os africanos. Estima-se que uma criança morra da doença a cada 2 minutos. Só em Gana aproximadamente 20% das crianças tem os parasitas da malária circulando pela corrente sanguínea.

Ensaios clínicos revelaram que a RTS,S – como é conhecida até então a vacina – previne aproximadamente 4 em 10 casos de malária, incluindo 3 em cada 10 casos de malária grave com risco de vida. Por ora, a vacina ainda é uma ferramenta complementar de controle da malária a ser adicionada ao pacote principal de medidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde para a prevenção da malária, que já inclui o uso rotineiro de mosquiteiros tratados com inseticida, pulverização interna com inseticidas e o uso oportuno do teste e tratamento da malária.

A malária é uma doença que oferece risco de vida e é causada por parasitas que são transmitidos às pessoas através das picadas de mosquitos fêmeas infectados do gênero Anopheles – há mais de 400 tipos do mosquito dos quais aproximadamente 30 são importantes na transmissão da doença. Trata-se de uma enfermidade evitável e curável. Na doença febril aguda os sintomas geralmente aparecem 10 a 15 dias após a picada do mosquito infectado.

Os primeiros sintomas – febre, dor de cabeça e calafrios – podem ser leves e difíceis de reconhecer como malária. Se não for tratada dentro de 24 horas, a malária por P. falciparum pode evoluir para doença grave, muitas vezes levando à morte. As crianças com malária grave desenvolvem frequentemente um ou mais dos seguintes sintomas: anemia grave, desconforto respiratório em relação à acidose metabólica ou malária cerebral. Nos adultos, a falência de múltiplos órgãos também é frequente.

Em 2017, foram diagnosticados cerca de 219 milhões de casos de malária em 87 países. A malária ceifou 435 mil em 2017 e a África carrega uma proporção desproporcionalmente alta da carga global da malária: a região abrigava 92% dos casos de malária e 93% das mortes por esta enfermidade. Para que se tenha uma ideia do impacto econômico e do esforço despendido nesse ano, o total do financiamento para o controle e eliminação da malária alcançou estimados US$ 3,1 bilhões, dentre os quais US $ 900 milhões – representando 28% do financiamento total – foram provenientes dos governos de países endêmicos.

O programa é coordenado pela Organização Mundial de Saúde e contou com a colaboração dos ministérios da saúde em Gana, Quênia e Malawi e organizações sem fins lucrativos e uma empresa desenvolvedora e fabricante de vacinas. As expectativas são enormes para o controle dessa doença que tanto aflige os habitantes dos países envolvidos. E por aqui, apesar de atingidos numa escala exponencialmente menor, torcemos para que a reposta seja plena nos indivíduos vacinados. Aguardemos os resultados!

*Dr Guilherme Pulici é médico especialista em Alergia e Imunologia e Pediatria, Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre e Secretário da Federação Médica Brasileira