A Secretaria Municipal de Saúde de Cruzeiro do Sul confirmou, na terça-feira, 28, que investiga dois casos suspeitos de varíola dos macacos na cidade. Com mais essas duas notificações, o estado tem três casos suspeitos em análise, já que as amostras de um paciente de Rio Branco já foram enviadas para análise.
A secretária de Saúde da cidade, Valéria Lima, explica que se trata de duas mulheres que não viajaram e nem tiveram contato próximo com pessoas que estiveram no exterior. Porém, por questão de protocolo, foi necessário coletar as amostras.
“Uma dessas pacientes deduz que tenha pegado o dinheiro da mão de um estrangeiro. Essa pessoa não viajou para nenhum lugar e só relata esse pequeno contato de apenas pegar o dinheiro da mão de uma pessoa que acha que é estrangeiro. Mas, o médico notificou como caso suspeito por uma questão laboratorial mesmo. Ela e a irmã, devido à proximidade, estão sendo monitoradas”, explica.
As duas não tiveram febre, mas apresentaram, segundo a secretária, algumas bolhas no corpo. “As bolhas estão ainda aparecendo, são bolhas pequenas e com água. Pode ser qualquer coisa, mas, devido à situação do Brasil estar em alerta com relação a varíola do macaco, precisamos colocar como notificação para coletar dados, caso venha aparecer, mas é só uma questão de precaução. A parte clínica tem essa autonomia para verificar os casos”, pontua.
Caso de Rio Branco
No dia 14 de junho, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) confirmou que investigava o primeiro caso da doença no estado. O paciente é um homem de 30 anos, que deu entrada em uma unidade de saúde e apresentou sintomas leves, segundo informação repassada por meio do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância de Saúde do Acre (Cievs).
De acordo com a Sesacre, o paciente deu entrada na Unimed, em Rio Branco, nessa segunda (13) e apresentou quadro de febre, adenomegalia (inchaço no pescoço) e erupção cutânea e relatou ainda ter tido contato com pessoa vinda do exterior. A investigação do caso é feita pela Vigilância Epidemiológica Municipal. O resultado ainda não saiu
A secretaria tinha informado que montou uma sala de situação para acompanhar as suspeitas, após ter sido confirmada a investigação tanto no estado de Rondônia, como também na Bolívia.
O chefe do Departamento de Vigilância em Saúde do estado, Gabriel Mesquita, disse que, apesar de o caso ser monitorado pelo município, a Sesacre também acompanha os casos. As amostras são enviadas para o Lacen de Minas Gerais.
Macaco não é transmissor
Apesar do nome da doença, Mesquita destaca que a doença não tem ligação com o macaco e que é considerada leve. Ele faz o alerta para que as pessoas não venham fazer algum tipo de mal ao animal.
“Na verdade, foi consenso para definição do nome para Monkeypox justamente pelos macacos não terem envolvimento nesse processo de transmissão e para evitar que as pessoas façam esse mal com o macaco. Eles não são reservatórios da doença, não fazem essa transmissão direta, então, por isso, que decidiu-se pela comunidade científica que o nome seria Monkeypox para evitar esse estigma aos animais que não tem nada a ver”, pontua.
Ele destaca ainda que a transmissão da doença é feita de forma bem direta, com contato muito próximo.
“É uma doença de transmissão baixa, lenta, e é preciso ter um contato muito próximo, toque na pele, com secreção que sai da fístulas, secreções orais, então é uma doença que pode ser facilmente evitada com uso de máscara, evitar estar muito próximo a pessoas que estiveram em região que está tendo essa circulação de casos”, orienta.
Sintomas e transmissão
Os sintomas iniciais da varíola dos macacos costumam ser febre, dor de cabeça, dores musculares, dor nas costas, gânglios (linfonodos) inchados, calafrios e exaustão.
Dentro de 1 a 3 dias (às vezes mais) após o aparecimento da febre, o paciente desenvolve uma erupção cutânea, geralmente começando no rosto e se espalhando para outras partes do corpo.
As lesões passam por cinco estágios antes de cair, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. A doença geralmente dura de 2 a 4 semanas.
O que é um diferencial indicativo: o desenvolvimento de lesões – lesões na cavidade oral e na pele. Elas começam a se manifestar primeiro na face e vão se disseminando pro tronco, tórax, palma da mão, sola dos pés”, completa Trindade, que é consultora do grupo criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para acompanhar os casos de varíola dos macacos. (Por G1 Acre)


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>