Às vésperas do aniversário de 200 anos da Independência de Portugal, 45% dos brasileiros que vivem na região Norte não sabem dessa comemoração. Mas, depois de tomarem conhecimento desse evento, 58% declaram que o Brasil tem o que comemorar.
Nessa perspectiva histórica, os fatos mais lembrados pela região Norte em 500 anos são a abolição da escravidão (44%), a própria Independência do Brasil (31%) e o impeachment de Dilma Rousseff (22%), seguido pela Proclamação da República (21%).
Quando perguntados sobre qual o melhor símbolo para traduzir o Brasil, a natureza é tida como a definição mais precisa do país para 65% das pessoas, seguida pelo seu povo (27%) e pelo futebol (20%).
A fé (50%), seguida da criatividade (33%), são as características que melhor definem os brasileiros, segundo os entrevistados.
Mais da metade dos entrevistados (63%) se diz satisfeita com a vida no país, particularmente ao ver a si e sua família com boa saúde após a grave e longa crise sanitária. O número de pessoas que acredita em tempos melhores para o país em longo prazo (66%) supera os que acham que o Brasil estará pior daqui a 10 anos (13%).
Para 54% dos entrevistados, a saúde ainda é o maior desafio a ser enfrentado após o controle da pandemia. A educação foi lembrada por 41% dos entrevistados. A fome e a pobreza foram citadas por 31% das pessoas ouvidas na pesquisa.
Em 2022, a opinião pública deverá ser mais mobilizada pela agenda econômica, incluindo o desemprego e a inflação, que receberam 57% de menções, superando a lembrança das eleições (40%). A fome, a pobreza e a desigualdade receberam a menção de 26% das pessoas. O controle da pandemia do coronavírus (20%) também foi destacado, ficando acima da preocupação com a Copa do Mundo (16%).
Essas são algumas das revelações da 9ª edição do OBSERVATÓRIO FEBRABAN — Pesquisa FEBRABAN-IPESPE, que buscou investigar as percepções e expectativas para 2022 e os 200 anos da Independência política brasileira. O levantamento, realizado entre os dias 19 a 27 de novembro, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país, mostra que o brasileiro está resiliente frente às dificuldades impostas pela crise atual, mas cauteloso sobre o futuro próximo.
“Ao mesmo tempo que mostra a população preocupada com seu cotidiano, a pesquisa revela que o brasileiro tem esperança no futuro e espera, para os próximos anos, um país mais justo e com menos desigualdade social e, em segundo lugar, deseja um país sem corrupção”, diz Isaac Sidney, presidente da FEBRABAN. “A pesquisa comprova também que o brasileiro gosta de ser brasileiro e que a melhoria nas condições de saúde, seja pública seja da família, é motivo de grande satisfação”.
O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE, destaca ainda que, olhando adiante, boa parte dos entrevistados acredita que muitos dos hábitos que foram adquiridos ao longo da pandemia devem ser mantidos e até ampliados. “Nessa relação está o trabalho remoto, as compras online e a maior presença junto à família, além do uso de serviços de streaming para filmes e música, e a comunicação através de redes sociais e chamadas de vídeo”, diz Lavareda.
A íntegra do nono levantamento OBSERVATÓRIO FEBRABAN, pesquisa FEBRABAN-IPESPE pode ser acessada pelo site da Febraban.
O recorte regional segue anexo.
Abaixo, seguem os principais resultados do levantamento na região Norte:
Independência do Brasil
A maioria dos entrevistados (53%) tinha conhecimento de que em 2022 o Brasil completará dois séculos de independência em relação a Portugal, mas outros 45% disseram não saber do fato.
Os 200 anos da independência são motivo de comemoração para 58% das pessoas ouvidas, ao contrário de 37% que acham que o Brasil não tem razões para comemorar.
Fatos Históricos mais importantes
A abolição da escravatura no país é apontada como o acontecimento mais importante da história do Brasil por 44% dos entrevistados quando apresentado a vários fatos históricos. Em seguida, 31% mencionaram a independência do país, em 1822. O impeachment de Dilma Rousseff foi lembrado por 22% dos ouvidos, enquanto a Proclamação da República, em 1889, teve 21% de menções.
Símbolos Nacionais
A natureza foi apontada por 65% das pessoas como símbolo que melhor define e representa o Brasil. A população aparece em segundo lugar, com 27%, seguida pelo futebol, tido como uma paixão nacional, que ficou na terceira colocação, com 20%. A dimensão continental do país foi lembrada por 18% dos entrevistados.
Característica positiva do brasileiro
Em pergunta de múltiplas respostas, metade dos entrevistados (50%) aponta a fé como a característica mais positiva dos brasileiros. Outros 33% acham que a criatividade é o traço mais marcante da população, enquanto a capacidade de superação foi mencionada por 24% das pessoas. A solidariedade (23%) e a alegria dos brasileiros (23%) vêm a seguir. A disposição para o trabalho (18%) também foi lembrada.
Satisfação com o país
A melhoria do quadro de saúde, com o avanço da vacinação e a queda nos índices de casos da Covid-19 e de mortes, faz com que mais da metade dos da população do Norte (63%) se considere muito satisfeita (13%) ou satisfeita (50%) com a vida no país.
A saúde própria ou da família (71%) foi citada como o principal motivo de satisfação nesse momento. A família e as relações afetivas foram apontadas por 48% dos entrevistados como outro grande motivo de satisfação. O controle da pandemia do coronavírus é motivo de satisfação para 37% dos nortistas. Não obstante o grande índice de desemprego no país, pelo menos 16% se dizem satisfeitos com a vida que levam por conta do trabalho.
Problemas do País
No caso de maior controle da pandemia, a saúde foi citada por mais da metade dos ouvidos (54%)como principal problema que deve receber mais atenção em 2022. A educação vem em segundo lugar (41%), seguida da fome e pobreza (31%). O desemprego foi mencionado por 22%. Também foram lembradas as questões da segurança pública e drogas (13%); a inflação e o custo de vida (11%); a corrupção (10%); impostos (3%); meio ambiente (2%) e a crise hídrica e racionamento de energia (1%).
Brasil 2032
Numa projeção para os próximos dez anos, mais da metade da população entrevistada na região Norte (66%) acha que o Brasil estará melhor do que hoje em dia. Para 13% dos entrevistados, o país estará pior no período de uma década. Outros 9% não acreditam em mudança, acham que vai continuar igual.
O que chamará atenção em 2022
Questões econômicas, a exemplo de desemprego e inflação, foram as mais citadas pelos entrevistados como um dos temas irão mobilizar a população no ano que vem (57%). As eleições foram apontadas por 40% dos entrevistados. Problemas sociais, como fome, pobreza e desigualdade, foram mencionados por 26% das pessoas. Também houve destaque para a continuidade do controle da pandemia da Covid-19 (20%). Apenas 16% dos entrevistados acham que a Copa do Mundo será o tema que mais vai movimentar 2022. Meio ambiente e preservação das florestas (11%) e crise hídrica e racionamento de energia (6%) também foram lembrados.
Mudanças da Pandemia
Depois de quase dois anos de pandemia, muita coisa mudou na vida das pessoas e alguns aprendizados deverão reverberar em 2022:
- Para 33%, o trabalho remoto será mantido no pós-pandemia.
- 29% acreditam na tendência de ficar mais em casa com a família.
- 21% avaliam que a comunicação pelas redes sociais e chamadas de vídeo são outros hábitos que foram intensificados na pandemia e devem continuar em 2022.
- 21% apontam o estudo online ou a distância.
- Para 18%, hábitos de fazer compras online serão mantidos ou ampliados.
- 12% citam o uso de serviços digitais de bancos.
- 7% citam a prática de esportes e atividades físicas.
- 5% citam o entretenimento online com uso de serviços de streaming para filmes e música.
- a redução de uso de carro particular foi lembrada por 3% dos entrevistados.
O que se espera do Brasil
No campo do desejo, a população do Norte do Brasil espera principalmente um país mais justo, com menos desigualdade social (58%); sem corrupção (40%); com menos desmatamento e com a Amazônia protegida (28%); e um Brasil com economia forte (19%).


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