A taxa de desemprego caiu entre agosto e outubro de 2021, conforme divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na terça-feira (28). A desocupação recuou para o menor nível desde o início da pandemia de covid-19.
12,1%
era a taxa de desemprego entre agosto e outubro de 2021, segundo o IBGE
RECUANDO
Embora esteja em queda, o desemprego ainda atinge 12,9 milhões de brasileiros. A retomada do mercado de trabalho em 2021 tem sido impulsionada pelas vagas informais, mais vulneráveis e geralmente com remuneração mais baixa.
Neste texto, mostra o quadro da informalidade em 2021 e o papel que esse tipo de emprego tem tido no cenário de recuperação do mercado de trabalho.
Informalidade em alta
O IBGE considera como informais o grupo formado por trabalhadores das seguintes categorias:
- Emprego por conta própria sem CNPJ registrado. É o caso dos motoristas e entregadores de aplicativos
- Emprego sem carteira de trabalho no setor privado
- Emprego doméstico sem carteira de trabalho
- Emprego como familiar auxiliar, que ocorre quando a pessoa trabalha ajudando parentes na profissão, sem vínculo formal
- Trabalho como empregador sem CNPJ registrado, como é o caso de microempreendedores não registrados que contratam auxiliares (pedreiros ou ambulantes, por exemplo)
O Brasil criou cerca de 3,3 milhões de vagas nos meses de agosto a outubro de 2021. Destas, quase 1,8 milhões eram informais. Ou seja, a maioria das vagas criadas no período não tem registro.
A taxa de informalidade cresceu no Brasil em 2021. Entre agosto e outubro, ela ficou em 40,7%, a maior desde o final de 2019.
INFORMALIDADE CRESCENDO
O trabalho por conta própria
Metade dos informais do Brasil trabalha por conta própria sem registro. Essa categoria inclui vendedores ambulantes, motoristas e entregadores de aplicativos.
19,37 milhões
de pessoas trabalhavam informalmente por conta própria entre agosto e outubro de 2021
É o maior número desde o final de 2019, no trimestre encerrado em novembro daquele ano, quando bateu recorde – apenas 6.000 vagas a mais que no trimestre encerrado em outubro de 2021.
Informalidade e renda
Outro movimento que tem marcado o mercado de trabalho brasileiro é a queda da renda. O gráfico abaixo mostra a trajetória, desde o início de 2019, do rendimento médio habitualmente recebido por quem está trabalhando no Brasil. Os dados já corrigem os efeitos da inflação.
EM BAIXA
O gráfico mostra como a renda média subiu a partir do início da pandemia, mas passou a cair na segunda metade de 2020. Isso reflete a trajetória da informalidade na crise sanitária e econômica.
A informalidade costuma ser marcada por remuneração menor. Também se tratam de vagas mais vulneráveis, sem FGTS, férias, 13° salário ou benefícios ligados a saúde e alimentação.
Por causa dessa menor proteção, os informais foram os mais atingidos no início da crise. As vagas informais tiveram forte retração nos primeiros meses da pandemia, seja por causa de demissões ou por trabalhadores por conta própria que ficaram sem trabalhar para não se expor ao coronavírus. Enquanto isso, as vagas formais foram menos prejudicadas num primeiro momento.
Um reflexo desse movimento foi o aumento do rendimento médio entre a população ocupada. Como informais geralmente ganham menos, uma proporção menor de vagas desse tipo significa maior remuneração média no mercado de trabalho.
Mas, conforme o mercado de trabalho se recupera, ocorre o movimento oposto. Isso porque a retomada é baseada sobretudo em vagas informais. Como a informalidade está crescendo, a renda média está caindo.
Além dos salários mais baixos, outro fator que contribui para o momento ruim da renda no Brasil é a inflação, que está em dois dígitos pela primeira vez desde 2016. O avanço de preços corrói o poder de compra da população e dificulta uma retomada forte do consumo no país. A redução do poder de consumo, por sua vez, pode atrapalhar a retomada da economia, que está em recessão – e acabar dificultando uma melhoria do mercado de trabalho.


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