No dia em que o líder seringueiro completaria 77 anos, nesta quarta-feira, 15, o Comitê Chico Mendes deu início a mais uma edição da Semana Chico Mendes. A programação começou com a potência das vozes da juventude amazônica, que trouxe para a pauta do debate a crise climática, enfatizando a importância da defesa dos territórios.

Em 2021, toda a programação da Semana Chico Mendes será promovida em Xapuri, interior do Acre, berço da luta sindical extrativista. O Encontro Juventudes Amazônicas e Emergência Climática contou com a participação de novas lideranças, bem como de companheiros e companheiras de longa data de Chico Mendes.
“Estamos buscando assegurar que realmente a gente tenha um modelo de vida para o futuro de modo sustentável, a exemplo da economia da floresta que respeita o nosso modo de vida, dos animais e das nossas espiritualidades. E poder participar da Semana Chico Mendes, estar com jovens de outros estados da Amazônia é muito importante”, destacou a liderança do município de Jacareacanga, no Alto Rio Tapajós, Pará, Val Munduruku.
Outra fala potente foi proferida pela jovem indígena Uhnepa Nukimi, que afirmou: “Hoje, eu não defendo só o território Nukini, defendo toda a floresta e também a vida dos nawas”.
O PL 6024 – projeto de lei da deputada federal Mara Rocha (PSDB/AC), que propõe a redução dos limites da Reserva Extrativista Chico Mendes e extingue o Parque Nacional da Serra do Divisor – esteve no centro do debate.
“A Resex é uma unidade só, e querem dividi-la. As pessoas nasceram e cresceram lá. Hoje temos uma ameaça, outras pessoas estão comprando terras lá, uma terra que não deveria estar sendo vendida, para pessoas que não têm o perfil extrativista. Estamos sob ameaça”, enfatizou a moradora da Resex Chico Mendes, Val Souza.

(Foto: Jefferson Xavier) 
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