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quinta-feira, 18 de junho de 2026
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Chay se anima com ano no Botafogo e vai do Acre à citação de Tite em dois anos: “Foi o ápice”

Quem viu o Chay jogando pelo Botafogo talvez nem saiba que há dois anos ele era visto com a camisa do Rio Branco, no Acre. Além do famoso passado no futebol de sete e as aventuras na Ásia, o titular incontestável da equipe campeã da Série B também esteve no Norte do país. O curioso é que o próprio Chayene de dois anos atrás não imaginava ter o nome citado pelo técnico da seleção brasileira em tão pouco tempo.

Ao ver que seu nome não estava na convocação para as partidas contra Colômbia e Argentina, Chay brincou com o fisioterapeuta Anderson Nunes nas dependências do Estádio Nilton Santos: “Pô, Tite, tá maluco? Tô jogando golfe?”. Mal sabia ele que a boa fase do Botafogo na Série B chamava a atenção do treinador da Seleção, que disse que o jogador natural de Niterói entregava o mesmo estilo de jogo que Phillippe Coutinho, do Barcelona.

– Meu empresário me ligou perguntando se eu vi a coletiva, que o Tite tinha falado de mim. Eu não entendi, falou de mim? Como assim? Aí o Twitter começou a ter mensagem pra caramba, todo mundo me marcando… E cara, olha pra trás, até um pouco antes. A Portuguesa ainda é conhecida aqui no Rio por causa das últimas campanhas que vem fazendo. Mas em 2019 eu estava jogando futebol no Acre. E futebol no Acre é de pouca visibilidade. Dois anos depois o Tite está falando sobre as minhas características e me comparando a jogadores fantásticos. Foi o ápice, um sentimento muito louco.

Campeão com o Botafogo, Chay foi lembrado pelo técnico da seleção brasileira — Foto: Vitor Silva/Botafogo
Campeão com o Botafogo, Chay foi lembrado pelo técnico da seleção brasileira — Foto: Vitor Silva/Botafogo

– É muito louco pela trajetória, né? Eu estava num clube de menor expressão, que era a Portuguesa, há seis meses. Uma equipe que no ano anterior a gente não conseguiu nem se classificar para a Série D, então não jogamos esse ano quase. Agora que classificamos para a Série D e Copa do Brasil, que foi inédito. Cinco, seis meses depois o treinador da seleção brasileira está falando das minhas características, comparando com jogadores que eu jogava no videogame. Foi surreal.

Em conversa com o ge, o meia-atacante falou bastante sobre a grande mudança que teve na vida, principalmente depois do Campeonato Carioca de 2021, quando saiu da Portuguesa para o Botafogo. A mudança gerou questionamentos por parte da torcida, o que ele até entendia, mas confessa que no primeiro jogo bateu um leve nervosismo.

Se antes alguns torcedores pegavam no pé porque a experiência em um grande clube era pouca, agora ele sabe que a cobrança vai ser ainda maior. Justamente por estar em um clube de Série A, ter sido uma das referências no título da Segunda Divisão e precisar, no mínimo, manter o nível que apresentou nas 31 vezes que entrou em campo com a camisa alvinegra.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

– Somos reféns do nosso resultado. Se você atinge um número você sempre vai ser cobrado para ter mais ou ser igual. Se for abaixo, nem que seja 0,5%, você vai ser cobrado e criticado. Hoje eu estou lidando muito melhor com isso. Não dá para agradar a todos. Eu sei da minha dedicação no dia a dia e vontade de vencer. Sei o quanto eu me doo para o meu jogo e isso não vai faltar. Talvez um dia o jogo pode não encaixar, mas minha dedicação, vontade, entrega e luta nunca vão faltar. Estou preparado para essa pressão, sim, sei o que esperam de mim e pretendo estar à altura do que vai ser um dia.

Em postagem recente nas redes sociais, Chay parafraseou “A Vida É Desafio”, do Racionais MC’s, para celebrar a conquista da Série B. Mas o que considera ser boas músicas para falar da vida dele e da carreira são “Tá Escrito”, do Grupo Revelação, e “Moleque Atrevido”, de Jorge Aragão.

Foi cultivando a semente do amor que o meia chegou ao Botafogo e encontrou um dos melhores parceiros dentro de campo e que facilita demais o trabalho: Rafael Navarro. Amigos fora das quatro linhas, a dupla brincalhona e dançarina se destacou muito mais com as bolas na rede. A parceria ajudou o próprio camisa 14 a vencer o desdém e preconceito que enfrentou no início da caminhada no clube. Perguntado sobre a vontade na permanência do artilheiro do time a resposta é sim, sem nem titubear.

– Eu tenho esse lado brincalhão dentro de mim e ele também. A gente faz gol e dança, brinca, está sempre ali, passamos a nos concentrar no mesmo quarto e acabamos virando amigo de verdade. Ele sabe muita coisa da minha vida e eu sei muita coisa da vida dele. Quando tem essa aproximação, essa identificação e o jogo se encaixa, acontece o que vem acontecendo: ele fazendo gols e eu dando assistências ou o contrário. É muito bom. Encaixou de uma forma que ninguém iria acreditar. No início do ano eu cheguei desacreditado. No ano anterior ele passou desacreditado dentro do clube.