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“Governo federal e o estado do Acre estão avançando com um plano criminoso”, diz Sebastião Salgado

O premiado fotógrafo Sebastião Salgado usou suas redes sociais nesta segunda-feira, 24, para fazer uma dura crítica ao governo do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL) e do governador do Acre, Gladson Cameli (PP).

Sebastião classificou como “criminoso” o projeto de construção da rodovia que liga o Brasil, a partir de Cruzeiro do Sul, a cidade de Pulcallpo, no Peru.

“O governo federal brasileiro e o estado brasileiro do Acre estão avançando com um plano criminoso para construir uma rodovia da cidade de Cruzeiro do Sul, no Brasil, a Pucallpa, no Peru. Se construída, esta estrada, que corta o Parque Nacional da Serra do Divisor, seria um desastre para uma das regiões mais bem preservadas da Amazônia e teria consequências devastadoras para a população indígena que ali vive”, disse o fotógrafo.

Segundo ambientalistas, a construção da estrada impacta diretamente na biodiversidade da região, além de promover a especulação fundiária e invasão de terras indígenas. A obra, que é defendida pelo governo federal e estadual, também é apoiada por um Projeto de Lei 6.024, de autoria da Deputada Federal Mara Rocha (PSDB/AC), que pretende retirar a proteção integral do Parque Nacional da Serra do Divisor. O PL também prevê a redução da área da Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex).

O fotógrafo fez a publicação nesta segunda-feira (24)

Em sua publicação, o fotógrafo observa que: “A Bacia do Rio Juruá, que será afetada por esta obra, abriga uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta. Os planos para outra rodovia entre Puerto Breu e Nueva Itália no Peru, se executados, também prejudicariam seriamente a vida das comunidades indígenas brasileiras e peruanas. As tribos brasileiras ameaçadas por essas duas estradas são: Puyanawa, Jaminawa, Nukini, Nawa, Ashaninka, Huni Kui e Kuntanawa” – a todos povos originários do Acre.

Para o ativista ambiental, o judiciário e a sociedade brasileira, em parceria com a comunidade internacional, não devem permitir a construção das duas rodovias, pois abas representam uma tragédia à população indígena e para toda a Amazônia, com efeitos desastrosos para a humanidade.

Leia também: Sebastião Salgado se junta à luta do povo Ashaninka do Acre contra estradas na Amazônia

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