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Conheça a história de Sebastião Alves, o menino surdo que tornou-se professor

Conheça a história de Sebastião Alves, o menino surdo que tornou-se professor

Sebastião Alves sempre levou uma vida simples na zona rural de Acrelândia. E tinha tudo para sentir-se um derrotado. Vítima de paralisia aos três anos, que lhe custou os movimentos das pernas, a perda total da audição e parcial da visão, ele encontrou forças na família para superar tanto sofrimento.

A fé na cura e o foco no tratamento das limitações permitiram-lhe sentir novamente os membros e a reabilitar a visão.

E a surdez, porém, com a qual ele aprendeu a conviver foi o combustível para que desse a volta por cima e evoluísse para o que é hoje: professor da Rede Pública Estadual.

Em 2006, Alves concluiu o ensino médio, e no ano seguinte, ao vir para Rio Branco, aprimorou o seu conhecimento sobre a Língua Brasileira de Sinais, a Libras.

“Eu sofri muito lá atrás porque as pessoas não acreditam. Elas pensam que a gente não é capaz. Todos nós somos capazes”, explica.

Antes, ainda no seio da família e sem conhecimento de Libras, a comunicação com os familiares era improvisada com movimentos.

Agora, instrutor, Sebastião Alves teria a tarefa de ensinar às crianças surdas a Libras. Ele ingressara na profissão de sua vida. Por cinco anos, trabalharia na sala de recursos da escola Pedro Castro Meireles, em Acrelândia, onde também concluiu o ensino fundamental, adaptando os conteúdos das disciplinas para os alunos surdos daquele município.

Em 2011, se mudou para Rio Branco, e em 2012, foi convidado a ministrar oficina de Libras para iniciantes. Mais tarde, em 2014, Alves tornou-se professor do curso intermediário de Libras. Em 2016, voltou a trabalhar na sala de recursos, adaptando as disciplinas aos surdos, desta vez na escola Maria Angélica.

Hoje é professor do curso de metodologia para deficientes auditivos no Centro de Apoio ao Surdo, e também aluno do curso de Letras/Libras, da Universidade Federal do Acre.

A origem humilde

Com os pais, Sebastião Alves aprendeu o corte da seringa, a pesca e a coleta de castanha do Brasil, o trabalho que a família desenvolvia na época.

Na localidade onde moravam, não havia escola e somente aos 12 anos, Sebastião teve a oportunidade de se alfabetizar em uma escola distante.

“Era escola de palha onde eu estudava, uma escola infantil, não tinha libras. Eu era o único surdo da classe e o professor sempre explicava oralizando e eu surdo não gostava naquela situação, porque eu não entendia e eu preferia voltar”, relembra.

Pela dificuldade de se comunicar, ele preferia a segurança do lar e do trabalho na roça. Por isso, chegou algumas vezas a desistir das aulas.

Em 2000, aos 17 anos, houve outra reviravolta que abriria os horizontes. Conheceu uma garota surda, a Joseane, que mostrou que era possível se comunicar e aprender. Joseane ensinou a Sebastião as primeiras lições de Libras.

A Educação mudando rumos

Hoje em dia ele é professor do curso de metodologia para surdos no Centro de Apoio ao Surdo e também aluno do curso de Letras Libras da Universidade Federal do Acre. “Eu sofri muito, lá atrás, porque as pessoas não acreditam. Elas pensam que a gente não é capaz. Todos nós somos capazes”. (Dayana Soares/Secom )

 

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