Rio Branco
24°C
quinta-feira, 23 de julho de 2026
04:56

Conflito agrário cresce no Acre, diz Comissão Pastoral da Terra

Conflito agrário cresce no Acre, diz Comissão Pastoral da Terra

O levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) lançado no mês passado mostra que a Amazônia Legal foram registrados 977 conflitos envolvendo 93.830 famílias na região em 2016. Para o geógrafo e estudioso desses casos, Gustavo Cepolini Ferreira, o número é assustador e que segue a trajetória de impunidade histórica porque muitos desses conflitos sequer são julgados. “Costumamos dizer que a ´impunidade´ e o ´crime´ geralmente compensam na Amazônia porque não existe um processo de uma ampla reforma agrária. Esses dados são liderados pelo Maranhão, seguido de Rondônia, Pará, Tocantins, Mato Grosso, Amapá, Amazonas, Acre e Roraima”, diz Ferreira ao analisar os dados da CPT. 

Para ele, uma questão a considerar do ponto de vista geográfico é o tamanho dos estados, então, nesse sentido, Amazonas e Pará têm uma quantidade maior de municípios. Mas, numa escala, por exemplo, verifica-se que 100% do Amapá está envolvido em conflitos no campo. Essa lista é seguida do Mato Grosso, onde 69% dos municípios estão envolvidos em algum tipo de conflito. Em terceiro lugar está Rondônia, onde 67% dos municípios estão envolvidos em conflitos, o que equivale a 35 municípios, e em quarto lugar está o Acre, que tem 50% dos seus municípios envolvidos em conflitos.

Disputas entre fazendeiros e madeireiros ainda lideram o ranking dos conflitos, mas os empreendimentos desenvolvidos em parceria com o Estado também contribuem para isso. Além disso, a lógica dos grandes empreendimentos e o reconhecimento e a titulação dos grileiros também contribuem para que esses conflitos ocorram. Veja o mapa produzido pela CPT:
mapa