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domingo, 16 de agosto de 2026
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Saúde mental: casos de depressão e ansiedade aumentaram durante a pandemia do novo coronavírus


Na última década, o número de pessoas com depressão aumentou consideravelmente. O levantamento, feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS), mostrou que mais de 300 milhões de indivíduos em todo o mundo convivem com a doença.

Nesse contexto, o Brasil ocupa posição de destaque com cerca de 12 milhões de pessoas afetadas; a maior taxa em todo o continente latino-americano. No Acre, segundo dados do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela), o transtorno está entre as maiores causas de suicídio, principalmente entre os jovens de 15 a 29 anos.


De março de 2020, até a data atual, período marcado pela pandemia do novo coronavírus no país, aumentou ainda mais o número de pessoas diagnosticadas com a doença.

Sobre o que o vírus trouxe nos efeitos psíquicos da população, a psicóloga Natalia Cristina Viana de Albuquerque, enfatizou que o isolamento social, o medo e a incerteza são catalisadores para os sintomas ansiosos e depressivos.

“A Covid-19 contribuiu de forma significativa para a evolução nos casos de depressão e ansiedade, pois ter a vida completamente mudada do dia para a noite, é algo assustador para muitos. O futuro se tornou algo incerto, com isso veio a insegurança, o medo e consequentemente a ansiedade. Em decorrência disso, os sintomas depressivos se intensificam, como exemplo, a insônia, os consumos excessivos de bebidas, cigarros, não realizar atividades físicas, como a caminhada. Um dos fatores mais graves foi a falta de convívio social. O isolamento prejudicou de forma significativa a cognição e os pensamentos fora da realidade, gerando com isso, comportamentos desadaptativos, que são padrões emocionais e cognitivos”.


Ansiedade e depressão

Ansiedade é um termo geral, usado para caracterizar distúrbios que causam angústia, medo, apreensão, nervosismo e preocupação. Ela é uma reação natural a algumas situações da vida, como uma entrevista de emprego ou na véspera de exames de saúde.

A depressão é uma doença psiquiátrica em que a pessoa sente tristeza profunda, baixa autoestima e sentimento de culpa recorrente. Além disso, vivencia distúrbios do sono e do apetite, perde o prazer ou a alegria nas atividades e relações pessoais, se sente desmotivada ou sem energia e pode apresentar pensamentos suicidas.


Em ambos os distúrbios podem ocorrer falta de interesse sexual, mal-estar e cansaço frequente, sudorese, taquicardia (coração acelerado), dores e sintomas físicos, entre outros. A pessoa se sente paralisada e incapaz, seja pelo medo, angústia ou falta de motivação.


O crescimento de casos de depressão e ansiedade na pandemia


A pandemia do coronavírus impactou a sociedade e todos os indivíduos em diversas esferas. Primeiramente, houve um grande impacto no âmbito financeiro, uma vez que empreendimentos, comércios e outros tipos de negócios tiveram que ser interrompidos, o que resultou na perda de empregos e falência de empresas.


O desemprego ou a diminuição da renda são fatores ligados ao surgimento de sintomas depressivos e ansiosos, devido à incerteza e o medo de não conseguir arcar com as responsabilidades mensais e necessidade dos familiares. Além disso, foi necessário promover o isolamento social para diminuir a propagação do vírus e o número de casos.

Os impactos no comportamento


Em meio à crise, cada indivíduo reage e sente a situação de forma diferenciada. Por esse motivo, muitas pessoas se sentem confusas, amedrontadas, desorientadas, ansiosas, anestesiadas ou tentam manter distanciamento emocional, isolando-se. As reações podem ser leves e passageiras, mas também extremas, impactando de forma negativa a saúde social e mental.

Qualquer pessoa está mais vulnerável a reações psicológicas durante a pandemia, o que não deve de forma alguma ser escondido ou interpretado com vergonha. Os impactos no comportamento podem ser sintomas físicos, como tremores, agitação, dores de cabeça, cansaço e palpitação. Também é comum vivenciar momentos de tristeza, solidão, incapacidade, medo, frustração e ter episódios de choro fácil, alterações no sono e se sentir desorientado.


Todo o cenário representa uma carga emocional muito forte, principalmente para as pessoas que já são mais fragilizadas. Sem os devidos cuidados, pode ocorrer uma recaída ou a intensificação de um problema já existente. Na depressão, por exemplo, os episódios depressivos podem ser mais graves, evoluindo para uma tentativa de suicídio.

A importância em buscar ajuda


A ansiedade e a depressão podem ser tratadas, a fim de recuperar a qualidade de vida. A base do tratamento consiste em medicações que aumentam o bem-estar e deixam os sentimentos negativos longe, assim como na terapia.

Albuquerque salienta que qualquer sintoma dos transtornos, as pessoas devem procurar ajudar de um profissional. “Para vencer essas doenças, o primeiro passo é buscar ajuda. Dessa forma, o paciente terá todo acompanhamento emocional, além de outros cuidados que se fazem necessários durante o tratamento”, disse a psicóloga.