
A advogada Isabela Fernandes, de 36 anos, foi uma das três primeiras pessoas confirmadas a testar positivo para o novo coronavírus no estado.
Fernandes relata que recebeu o resultado de seu diagnostico no dia 16 de março, e automaticamente ficou isolada em sua própria casa. Por não ter pertencer a um dos grupos de risco, a advogada imaginou que o vírus não iria se agravar. Porém, os sintomas foram se intensificando, até após cinco dias mês foi internada, por se encontrar muito febril e com falta de ar somada a um cansaço.
Logo quando ficou internada, uma das cenas que mais marcaram sua trajetória no enfretamento contra a doença foi observar ela e sua própria irmã-gêmea, Simone, profissional da saúde que esteve acompanhando seu quadro contra a doença, se comunicando separadamente por telefone no dia do aniversário de ambas. No dia 22, Isabela recebeu o protocolo que seria entubada pelo agravamento de seu estado de saúde.
“Eu não tive reação. Fiquei com medo, mas tive a reação de chorar, de fazer nada ou esboçar algum tipo de sentimento. Só me lembro que fiz duas perguntas para ela [irmã]: Se iria doer, porque já tinha sido furada e machucada; e se eu ia morrer. E ela explicou para mim que eu não iria sentir dor, porque eu seria anestesiada antes da intubação. E que não sabia se eu ia morrer porque era um vírus desconhecido. E aí pensei… se a minha irmã está falando isso é porque vou morrer… Essa foi minha primeira reação de medo. Então peguei meu celular, mandei uma mensagem de despedida para os meus pais. Desliguei o celular. Passei todas as coordenadas para ela [irmã]”, apontou.
No dia 23, após ser intubada, a advogada sofreu sua primeira parada cardíaca no qual ficou 20 minutos sem os batimentos cardiorrespiratórios e com falência múltipla de órgãos. A unidade médica contatou seus pais, pois a reanimação de sua filha não estava obtendo sucesso. Isabela conta que sua mãe chegou a ir até a clinica onde estava, e após receber o diagnostico da médica, se ajoelhou, realizou uma oração cristã e solicitou que a profissional da saúde retornasse para tentar reanima-la. “Algumas horas depois, eu voltei. Foi muita oração”.
Após ter sido reanimada, ficou durante sete dias aguardando vaga na UTI, pois seu quadro ainda era delicado. Então foi transferida para a unidade médica do Pronto Socorro de Rio Branco. Isabela conta que acorda cerca de 12 dias após já se encontrar internada na unidade de saúde. “Demorei uns 3 dias para recuperar a consciência. Eu chorava muito porque eu era a única paciente da UTI. Fui atendida pelo SUS, pois meu plano de saúde não pôde me atender… mas assim o SUS me atendeu de forma extraordinária”, ressaltou.
A advogada apenas recebeu alta médica no dia 3 de abril de 2020. E logo após isso notou que não conseguia realizar com a mesma facilidade algumas de suas atividade cotidianas. Para recuperar de volta seu organismo, Isabela conta que começou aos poucos a voltar as práticas de atividades físicas, e que os três primeiros meses de recuperação foram os mais difíceis.
Para Isabela sua única preocupação no momento em relação à doença é acabar se reinfectando e transmitindo para seus pais.
Cancelamento na internet
A profissional da justiça também conta que logo quando a imprensa descobriu sobre ser uma das entre as três primeiras pessoas a testar positivo para a doença, recebeu uma grande onda de linchamento virtual, perseguição e até ameaças de morte. Com isso, recebeu incentivo dos pais para que se desligasse da internet durante aquele momento de recuperação. “Eu fui muito, muito… cobrada, recriminada. Acho que até um pouco do meu agravamento com meu isolamento se deu por isso… porque o psicológico ficou muito abalado”.
Aprendizado
Tudo que conquistou até antes de vivenciar uma das situações mais delicadas de sua vida, Isabela conta que passou a aprendeu a dar ainda mais valor a própria vida e nas pessoas que ama. E que sua fé e espiritualidade contribuíram para mantê-la forte de que tudo iria passar.
A advogada conta que se sente privilegiada por ser uma entre outras pessoas que ficaram em quadro agravado e conseguiram resistir para poder compartilhar sua vivência contra a doença. “Eu mudei minhas prioridades. Hoje, eu foco em cuidar de mim. Me alimentar melhor. Em tratar ainda melhor as pessoas. Desde a forma de tratamento do porteiro do meu prédio ao presidente da OAB. Porque é isso que você irá deixar de história.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>