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Exatamente há um ano o governo do Estado decretava situação de emergência devido à pandemia da Covid-19

MARCELA JANSEN E DELL PINHEIRO

Exatamente há um ano o Governo do Acre decretava situação de emergência devido à pandemia do novo coronavírus. No mesmo dia (17/03/20) o governador Gladson Cameli confirmava os três primeiros casos da doença no Estado.

Seis dias antes a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que estávamos vivendo uma pandemia do novo coronavírus.
A necessidade do isolamento social para evitar o contágio do novo coronavírus suspendeu atividades em geral. Aulas foram suspensas, o comércio foi fechado e o sistema público e privado passaram a trabalhar no sistema home office. O uso de máscaras e álcool gel tornaram-se indispensáveis também.

Passado todo esse tempo o Acre contabiliza mais de 63 mil pessoas infectadas com a Covid-19 e 1.140 mortes. Mais de 170 mil notificações pela doença foram registradas, sendo que 105.718 casos foram descartados. Pouco mais de 52 mil já receberam alta.

Em todo o país o número de infectados já ultrapassam onze milhões de pessoas. Além do Brasil, só os Estados Unidos e a Índia atingiram esse número.

O primeiro contaminado pela Covid-19 no país foi um homem de 61 anos que havia viajado à Itália. Internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, ele se curou pouco mais de duas semanas depois, mas o vírus continuou chegando ao país e logo se espalhou, inicialmente entre as classes mais altas e, depois, entre os mais pobres.

Foram necessários 114 dias desde o primeiro caso, em fevereiro, até que o país registrasse um milhão de pacientes, no dia 19 de junho. Menos de um mês depois, em 16 de julho, o número de infectados já chegava a dois milhões. A marca dos três milhões foi alcançada 25 dias mais tarde, em nove de agosto. Também 25 dias depois, em três de setembro, o coronavírus já havia atingido quatro milhões de pessoas.

O patamar de cinco milhões ocorreu 34 dias após a marca anterior. Entre sete de outubro e 20 de novembro, o Brasil saltou de cinco para seis milhões de casos, ou seja, em um período de 44 dias. Para sair de seis milhões e atingir a marca de sete milhões, foram 26 dias.

O total de vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil em um ano de pandemia já ultrapassou 270 mil pessoas. A primeira morte, segundo o Ministério da Saúde, aconteceu no dia 12 de março – uma paulista de 57 anos. Cinco meses depois, em oito de agosto, o Brasil chegou a 100 mil mortes. Em janeiro de 2021, já eram 200.498 mortos.

1.140 mortes e contando…

REPÓRTER OPINIÃO

Terça-feira, 17 de março de 2021. Um ano depois dos três primeiros casos de contaminação pela Covid-19, o Acre ao menos 1.140 pessoas já perderam a vida para a pandemia no Estado, número oficial das últimas 24 horas. Para efeito de comparação, o maior morticínio já registrado era o da Revolução Acreana – uma guerra deflagrada por seringueiros sob o comando do gaúcho José Plácido de Castro, pela tomada das terras que viriam a ser o Acre, das mãos de bolivianos. Ao longo de seis meses de intensos combates, ao seu final, em janeiro de 1903, o custo foi de 500 vidas perdidas.

Passado exatamente um ano, o tempo é de medo e de apreensão no Acre. O número de mortes nunca foi tão alto na primeira onda, em 2020, como agora, desde o início de janeiro deste ano, com 12 óbitos em média a cada 24 horas. Os números diários não indicam quando os óbitos ocorreram de fato, mas, quando passaram a contar nos balanços oficiais. Mesmo assim, eles são de no máximo dois dias anteriores à divulgação pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre e considerados altíssimos.

Para muitos estudiosos e médicos epidemiologistas, essa explosão de casos tem relação direta com o negacionismo ferrenho liderado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que minimiza, debocha, prega o uso de medicamentos sem comprovação científica e induz a população ao erro com péssimos exemplos de comportamento solidário, entre elas aglomerações e o não-uso de máscaras que reduzem as chances de contágio pelo vírus.

No dia 17 de março de 2020, o Acre registrava os três primeiros casos da doença, o de um homem de 30 anos, e de duas mulheres, uma de 37 e outra de 50 anos. Eles foram contaminados em São Paulo (SP) e em Fortaleza (CE). Neste mesmo dia, em coletiva de imprensa, o governador Gladson Cameli declarava situação de emergência, suspendendo as aulas na rede pública de ensino.

A primeira morte, no entanto, viria a acontecer no dia 6 de abril, quando uma idosa de 79 anos, acamada, foi contaminada por uma neta, no bairro Estação Experimental. O Pronto-Socorro de Rio Branco instalava, neste dia, a ‘sala vermelha’, um dos primeiros espaços para atender pessoas em situação de emergência contaminadas pela Covid-19.

Desde então, a pandemia do novo coronavírus avança sem controle no Acre, agora de forma muito mais letal, impiedosamente alheia aos esforços das autoridades públicas de ampliar leitos de UTIs, de suprir habilmente a oferta de oxigênios e de transferir pacientes para outras cidades, com colapso na Saúde.

Com frequência, afirma o médico infectologista Osvaldo Leal, diretor-clínico da Mediall que “a forma como as pessoas se comporta uma semana antes [do vírus eclodir] vai ditar o número de contaminados depois”.

“E infelizmente, vai ser assim sempre, e ainda com sérios riscos de mutações, como as variantes que já circulam em alguns estados”, ressalta o profissional, sempre que concede entrevista, enquanto diretor-clínico da Mediall, empresa responsável pela administração do Hospital de Campanha, no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC).

Leal, que também já foi membro do Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19, ressalta que para frear as contaminações é preciso que as pessoas se conscientizem de que o vírus só para de circular com o isolamento social e o uso de máscaras.

Alguns dos dias mais críticos da pandemia em 2020 no Acre

23 de abril
O Acre tem 227 casos de contaminação pelo novo coronavírus; até esse ponto, dez pessoas já morreram por causa da doença no estado. Mas um levantamento do Google Community mostrou que na primeira quinzena de abril, os acreanos só responderam aos apelos de permanecer em casa quando leram uma informação trágica ou quando acreditaram que algo iria impactar diretamente na sua segurança. Dois ou três dias depois, voltaram a relaxar, mesmo com as advertências de ficar em casa.

9 de maio
Pacientes com covid-19 em estado crítico, internados nos leitos semi-intensivos do Pronto-Socorro de Rio Branco, são transferidos do terceiro andar para o prédio do Into-AC.

21 de maio
Todos os leitos de UTIs do Into-AC e do Pronto-Socorro de Rio Branco estão ocupados. Neste dia, a lotação dos hospitais da rede pública destinados a atender vítimas da pandemia só não é de 100% porque das nove UTIs do município de Cruzeiro do Sul, no Vale do Juruá, quatro ainda estão disponíveis. No corredor da UPA Via Verde, o técnico de enfermagem Raimundo Nonato da Silva desabafa: “As pessoas não estão entendendo que estamos numa guerra. Estão brincando por não quererem ficar em casa”.

17 de junho
Desde então, bastaram 90 dias, desde os primeiros três casos, para que 10.339 pessoas no Acre se contaminassem pelo novo coronavírus. Nesta data já são 281 o número de mortos. A comoção nas redes sociais é geral.

5 de agosto
O Acre entra na faixa amarela. Deixa a fase de alerta, representada pela cor laranja. Isso acontece porque o número de casos e de mortes por covid-19 só cresceram no estado. No boletim parcial deste dia 5, o Departamento de Vigilância em Saúde, da Sesacre, registra 323 novos casos de contaminação por coronavírus no estado. Em apenas 24 horas, o número de infectados no Acre sobe de 20.710 para 21.033. Outras duas mortes elevam o número de vítimas para 547 em todo o estado.

13 de agosto
Em apenas oito dias, o Acre chega a 22.242 pessoas contaminadas e 574 mortes. Num intervalo de apenas uma semana e um dia, ao menos 27 pessoas perdem a vida para a covid-19 no estado.

21 de agosto
Mesmo diante de centenas de mortes, neste dia, a irresponsabilidade das pessoas ao fazerem aglomeração em um bar de Rio Branco no Calçadão da Gameleira viraliza nas redes sociais. Essa falta de consciência, no entanto, sempre perdurou até os dias atuais.

3 de outubro
Ao menos 26.885 pessoas já haviam recebido alta médica. Mas 76 seguiam hospitalizadas. O número oficial de óbitos é de 667.

9 de outubro
O Acre é retratado pelo Consórcio de Veículos de Imprensa, que levanta os números da Covid-19 em todo o país, como o único estado do país neste dia onde a média móvel no número de casos de contaminação por Covid-19 aumentou. A média móvel é a soma de todos os números de uma semana divididos por sete. O crescimento foi de 25%.

19 de outubro
As autoridades em saúde do governo do estado e o MPAC, por meio do Comitê de Acompanhamento Especial da Covid-19, decidem manter as medidas restritivas contra o coronavírus até o dia 30. Por isso, os comércios abrem com capacidade reduzida.

Vacina contra o novo coronavírus traz esperança a população

Diante dos números assustadores a população segue esperançosa com a vacina contra a doença. A primeira vacina usada no país foi a CoronaVac desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, responsável por coordenar os testes de fase 3 da vacina no Brasil, que envolveu 16 centros de pesquisa clínica em sete estados e no Distrito Federal.

A vacina usa vírus inativados. Esta técnica recorre a vírus que foram expostos em laboratório a calor e produtos químicos para não serem capazes de se reproduzir. Isso quer dizer que não há a presença do vírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de imunização.

Um estudo publicado na revista científica “The Lancet” aponta que a vacina produzida pela Sinovac é segura. Os resultados tratam de estudos de fase 1 e 2 com 743 pacientes.

De acordo com os pesquisadores chineses, a CoronaVac não apresentou “nenhuma preocupação com relação à segurança”. A maioria das reações foram leves, sendo que a mais comum foi a dor no local da injeção. Nenhuma reação adversa mais grave foi relatada durante a fase 2, que teve participação apenas de voluntários chineses.

No Brasil, de cada cem voluntários vacinados com a CoronaVac que contraíram o vírus, 22 tiveram apenas sintomas leves, sem a necessidade de internação hospitalar, índice apresentado como de 78% de eficácia para casos leves, segundo o governo de SP.

Para redução de casos graves e moderados, o governo anunciou índice de eficácia de 100%, ou seja, não houve casos graves (incluindo mortes) e moderados entre os vacinados.

A proporção de pessoas vacinadas que, ainda assim, contraíram a Covid-19 não foi divulgada, ou seja, a eficácia geral da CoronaVac ainda é desconhecida. A falta da divulgação desse dado básico foi alvo de críticas, apesar dos números para casos leves e moderados ter sido considerado animador por especialistas.

Acre foi um dos primeiros estados a receber a vacina

O Acre foi um dos primeiros estados do Brasil a começar a vacinação contra a Covid-19. Até o dia três de março o Estado havia recebido um total de 79.360 doses de vacinas, até o momento. Esse resultado é fruto do esforço do governador Gladson Cameli em ver toda a população imunizada contra a Covid-19.

A vacinação foi iniciada em 19 de janeiro de 2021, e, das 79.360 mil doses de vacinas recebidas, 49.180 foram distribuídas na primeira fase, enquanto que na segunda foram 30.180. A diferença se dá por haver um intervalo de 90 dias entre as duas doses do imunizante da Fiocruz, permitindo ao Ministério da Saúde o envio da segunda rodada em momento posterior.

Até essa data, de acordo com dados da Sesacre, cerca de 82% dos trabalhadores da Saúde já haviam sido vacinados, 100% dos idosos acima de 75 anos de idade, e 33% dos idosos de 70 a 74 anos de idade. Os idosos acima de 60 institucionalizados foram 100% atendidos. Os indígenas foram comtemplados com 100% das primeira e segunda doses, porém a cobertura vacinal está em torno de 30%. Os deficientes institucionalizados também foram 100% atendidos.

No Brasil, a vacinação começou no fim de janeiro. Até agora, segundo a plataforma de dados Our World In Data, mais de dez milhões de doses já foram administradas.

Mas uma grande parcela da população ainda falta ser vacinada. Foram 5,05 doses por 100 habitantes. Já em Israel, o país com a maior taxa de vacinação do mundo, 106,5. No Chile, o país da América Latina que mais rapidamente tem vacinado sua população, essa taxa é de 32,09.

Em números absolutos, os Estados Unidos são o país que mais administrou doses de vacinas contra a covid-19, cerca de 98,2 milhões até agora.

Especialistas alertam que, em meio ao pior momento da pandemia, a única solução para o Brasil é a adoção de um confinamento mais rígido e a aceleração da vacinação.

Nos últimos dias, o Brasil vem batendo seguidos recordes de mortes diárias e, em muitos Estados, já não há mais leitos UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Eles dizem que o número alto de mortes pode ser explicado, principalmente, pela livre circulação de pessoas e por uma variante (P.1) do coronavírus mais transmissível e que, de acordo com estudos preliminares, causaria reinfecção naqueles que já tiveram a doença.