No artigo da semana passada falamos sobre a alta do PIB no 2º trimestre do corrente ano. Afirmamos que a alta de 0,2% em relação ao trimestre anterior não é um sinal forte do fim da recessão. Nos dados apresentados pelo IBGE, o PIB foi puxado pelo consumo das famílias que trouxe a reboque o setor de serviços, mas também apresentou queda 0,7% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF).
O consumo das famílias foi ajudado pela liberação de alguns bilhões de reais do FGTS, da queda dos juros (Selic) e da valorização do real em relação ao dólar. A indústria continua com sua capacidade ociosa em quase 70% e as fábricas concedendo férias coletivas ou apenas operando suas máquinas em escala menor. Os poucos setores que passaram a crescer no último trimestre foram o do aço e o dos carros, o primeiro em face do crescimento da procura de aço pela China e o segundo pelas exportações.
Um amigo que leu o artigo da semana passada não aceitou que depois de dois trimestres positivos tenhamos opinado que a recessão ainda continua. O início e o fim da recessão são declarados quando ocorrem dois trimestres negativos e/ou positivos, no caso em questão como tivemos os dois primeiros trimestres do ano positivos, a academia declara o fim da recessão e é isso que meu amigo deseja impor.
O que estou tentando falar é que no primeiro trimestre o PIB subiu por causa do agronegócio, no segundo por causa do consumo das famílias. Observando, podemos encontrar crescimentos individualizados por causa da desvalorização do real e da enorme safra do primeiro trimestre e da liberação dos bilhões pelo governo no segundo. Diante disso, pergunto: Sem os bilhões do FGTS teríamos o consumo das famílias? Se o real no primeiro trimestre não estivesse desvalorizado o agronegócio teria exportado tanto? São, portanto, crescimentos pontuais que não demonstram a mesma constância de um trimestre para o outro.
Quanto ao fim da recessão busco auxílio no economista e professor Roberto Macedo, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP) que em recente artigo afirmou: “Essa nada esclarecedora narrativa do fim da recessão vem de uma convenção entre os economistas, a de que dois trimestres consecutivos de variação negativa do PIB marcam uma recessão. Se a variação trimestral passa a positiva em dois trimestres subsequentes, como ocorreu na primeira metade deste ano, convenciona-se que a recessão terminou.
Pondero que isso diz respeito apenas à direção das variações do PIB, não à sua magnitude. E a queda do PIB foi tão forte que é preciso deixar bem claro que nossa economia está muito longe de sair do enorme buraco a que foi levada pela ex-presidente Dilma e por Lula, seu criador. Supondo, seguindo vários analistas, que o PIB cresça 0,7% este ano e à taxa de 2,5% nos seguintes, só ao fim de 2020 (!) é que sairia do buraco.”
Marco Antonio Mourão de Oliveira, 41, é advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.


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