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domingo, 5 de julho de 2026
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Efeito Covid-19: Boca do Acre completa 130 anos, mas sem festa

A pandemia que já cancelou todo o calendário cultural de Boca do Acre, não fez diferente com a festa que comemora os 130 anos do município. No entanto, se o problema é aglomeração, não seja por isso, pois há muito tempo que a cidade convive com grande número de pessoas em pontos como a praça Assem Mustafa, bares, lanchonetes e o mais recente, que são as manifestações políticas, que têm arrastado multidões pelas ruas.

Mesmo o boletim epidemiológico apontando para quase 100% dos casos infectados em estado de cura, a festa da cidade não saiu. Não teve o tradicional e belíssimo desfile cívico, shows musicais, eventos esportivos, desfile de fanfarra, entre outras atrações desta data.

Mas o 22 de outubro não pode passar em branco na cabeça dos bocacrenses, porque são 130 anos desde que a localidade, que pertencia ao território de Lábrea e foi visitada por João Gabriel, foi desmembrada e elevada à categoria de município.

Rico, porém, pobre

O município que vivencia cotidianamente o contraste de ser rico, com um setor primário potente, não só pela bovinocultura de corte, mas também pela extração da castanha, banana, pelo pescado e outros produtos, não vê essa riqueza na prática, a partir do momento em que não há água tratada, a estrutura urbana é frágil, um lugar onde entra e sai prefeito e continua parecendo um vilarejo que acabou de ser fundado e agora que está dando seus primeiros passos, e ainda vai ser pensando e organizado.

Lugar grande

Porém, é um lugar de grandes histórias e personalidades. Uma Boca do Acre que já serviu de entreposto, quando o Acre dependia exclusivamente do modal hidroviário para receber mercadoria. Tudo passava por aqui. Os caminhões faziam fila para pegar e trazer mercadorias com destino e vindas de Rio Branco.

Essa é a Boca do Acre do navio Sodemar e sua trágica e inesquecível explosão, do Patronato Nossa Senhora de Nazaré, das alagações, de Mário Diogo de Melo, de Alexandre de Oliveira Lima, o Barão, da seleção brasileira campeã do mundo em 70, que veio jogar aqui, no majestoso estádio Artur Leite. 

É a Boca do Acre que os ignorantes em geografia teimam em dizer que ela é do Acre, mas é o último município do Amazonas da calha do Purus, e onde o rio Acre finaliza, justificando o nome, Boca do Acre.