AGOSTINHO ALVES
FOTOS: AGOSTINHO ALVES

O proprietário da empresa Icaci, Rubens Onofre, que prestava serviço para a Prefeitura de Boca do Acre, afirmou que passou três anos pagando pelo serviço de coleta de lixo, uma vez que o mesmo não constava como obrigação contratual.
Onofre disse que o contrato foi celebrado em Abril de 2017. Os serviços obrigatórios da empresa eram: a roçagem, poda das árvores e capinação, excluindo a coleta de lixo. E é nesse assunto que reside a bronca de Rubens com a gestão do Prefeito Zeca Cruz, porque, de acordo com o empresário, a Icaci passou três anos retirando valores de seu contrato, para pagar pela coleta do lixo, sem receber por isso.
Rubens ressalta que o contrato que girou em torno de 160 mil reais, não incluía o trato com resíduos sólidos. “Nós emprestamos por dois meses, 18 funcionários para a prefeitura, e passaram 3 anos, nós pagando para coletar o lixo da cidade. A empresa não foi ressarcida pelo valor que pagou. A empresa empobreceu a enricou a prefeitura. Para a empresa conseguir trabalhar, teve que fazer isso, tirar do nosso bolso, dos nossos recursos, para pagar o serviço de coleta de lixo”, afirimou.
O empresário reclama que a sua empresa nunca recebeu nada em troca e que já entrou com uma ação na justiça, para que ele seja ressarcido em 800 mil reais, que serão pagos pela prefeitura, para que a Icaci cumpra com a multa rescisória com os garis.

O que levou ao rompimento?
“Por nós termos apoiado ele e exigência de um secretário para que saíssemos, porque ele dizia que eu não era de confiança”, respondeu Rubens Onofre.
O tratamento aos garis
“Antes, os garis eram tratados com respeito e todos os cuidados. Além de ter sido a empresa que assinou a carteira de cada um deles, eles tinham transporte, pois o caminhão descia para pegá-los, por volta das 6 da manhã, às 9 eles tomavam um café reforçado, às 11 eram levados para casa, para almoçar, depois o caminhão os pegava-os novamente às 13, para cumprir o segundo turno de trabalho”, disse Onofre.
Situação atual dos garis
“Hoje, os garis saem de cada por volta das 6 horas, de bicicleta, carona, ou até mesmo a pé, trazem a comida fria, sem equipamento de proteção individual, e os que têm, ainda são os que a Icaci entregou para cada colaborador”, pontuou.
“Eles estão trabalhando porque precisam do trabalho, mas as condições são subhumanas”, disse Rubenito.
Por que atrasava o salário dos garis?
“Minha convicção que foi esse o motivo do rompimento do contrato, de forma unilateral, por parte da prefeitura, quando os garis que estavam com 3 meses de salários atrasados, decidiram ir à Câmara Municipal de Boca do Acre e protestar, pedindo a regularização dos vencimentos”, sugeriu.
Apoio aos garis foi o ápice da crise
“Nós tínhamos que apoiá-los, portanto fomos com eles, e a partir daí, o prefeito, que não dava muita atenção para nós, passou a fechar de vez as portas e culminou com o distrato, encerramento do contrato”, falou.
Perseguidos pelo prefeito
“Prestávamos um serviço de qualidade para a sociedade, tanto é que éramos elogiados por todos, até pela oposição, exceto pelo prefeito, pois para ele, não sei porque, ela nos via como inimigos. Nós éramos os únicos que aparecia que serviço, mas o governo nos criticava, o governo nos perseguia”, avaliou.
Na fila
“Ele nunca falou em regularizar a situação dos atrasos que passaram a ser constantes, até ficar três meses. Depois que fomos para a Câmara, aí que não falou mesmo conosco. Ficávamos na fila de espera, passávamos o dia todo, desistíamos e não falávamos com ninguém”, revelou Onofre.
Direto do Espírito Santo
“A nossa empresa já conseguiu impugnar três editais de licitação da Prefeitura, para a contratação de uma nova prestadora de serviço para realizar todos os serviços que eram feitos pela Icaci. O consultor jurídico da conservadora, percebeu erros gravíssimos no edital, e um deles é exigir que a empreiteira que pretenda participar do certame, esteja habilitada no estado do Espírito Santo, além disso, deve ter um profissional com nível superior, contratado pela empresa há pelo menos um ano”, listou.
Resposta da Prefeitura
Enviamos mensagem para a Prefeitura de Boca do Acre acerca das informações que nos foram repassadas, e a resposta que chegou até a nossa redação, é que ocorreu um equívoco em relação ao estado de origem da empresa.
Direcionamento
Rubenito desconfia que a licitação está sendo direcionada para outra empresa. Para nós eles não explicam nada. O fato é que o tal erro do nome do estado do Espírito Santo constar no edital, foi repetido por três ocasiões e todas elas foram impugnadas.
“Eu não quero ser beneficiado de forma ilegal, só quero que a Prefeitura faça uma licitação justa, que todas as empresas do município possam participar, não só a minha, mas todas elas”, comentou.

Geração de emprego e renda
A empresa Icaci gerava 60 empregos diretos, e desses, apenas 15 foram recontratados pela Prefeitura, por outro lado, 45 pessoas estão desempregadas, em alguns casos, não conseguem sequer comprar o pão para um café da manhã decente e digno.
“Minha indignação não é simplesmente pelo rompimento do contrato, mas ao ver que o prefeito não valoriza as empresas os profissionais daqui e prefere contratar uma de fora”, desabafou Onofre.
Eu o apoiei para prefeito
“Fiz campanha para ele, rodei pelo interior e pela cidade, mas ele não reconhece. Hoje a população tem de ver essa situação, de não permitir que seja dada mais uma oportunidade para alguém que deixou para maquiar as coisas no final do mandato, para enganar o povo, mas ainda bem que a nossa população é esclarecida”, finalizou Onofre.


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