Uma doença que apodrece o pensamento na universidade e na escola é o carcinoma ideológico, o mais agressivo tumor maligno que mata a inteligência. Onde existe ideologia não pulsa o ato mais profundo de pensar. Ideologia não é pensamento, porque ela é sectária; e, por ser sectária, ela se fecha nela mesma, pois sua visão, além de míope, só assiste a si mesma como o único caminho na luta política, desrespeitando o que é diferente a ela.
O conceito de ideologia surge pela primeira vez em “A Ideologia Alemã”, de Karl Marx e Friedrich Engels, páginas escritas entre 1845-46 e que fundam o que viria a ser chamado de marxismo. Para seus autores, “a filosofia é lixo”, o que não deixa de ser uma sentença bem ideológica, isto é, bem excludente e agressiva. Marx e Engels em “A Ideologia Alemã” separam ainda mais a relação entre sujeito e objeto por causa de uma ideologia que se afasta do conceito de espírito porque se fundamenta por meio da ciência empírica. Só que eles não perguntam no livro o que é espírito, o que é ciência, o que é empirismo; pois, em suas páginas, os conceitos são pré-concebido por Marx e Engels.
Não se trata de uma leitura reflexiva porque sua linguagem, que é marxista, ordena a exclusão do espírito e a inclusão da ciência, visto que ela não entende que o infinito (espírito) e o finito (ciência) se complementam. No entanto, a fim de que espírito e ciência se aproximem, precisamos visitar Immanuel Kant, não que ele os aproxime, mas porque as bases filosóficas kantianas permitem entender essa divisão que Marx e Engels não explicam. Pior: esses dois deformam Kant. Uma vez compreendido isso em Kant, aí sim, os filósofos Fichte e Schilher unem o que Kant filosofa e separa e o que Marx e Engels não filosofami e dividem.
A Universidade não é lugar ideológico de PC do B, de PT, de PMDB, de PSDB, de DEM, mas tão somente do pensamento, sabendo que, por causa da origem do termo “pensar”, pensamento é “pesar”, ou seja, ao pesar, o peso da palavra afunda, aprofunda, fundamenta e, quando ultrapassa a superfície, a ação de pensar encarna-se em uma prática mais elaborada para o combate político nas ruas e nas instituições. A Universidade é espaço em que as diferenças sabem falar para encontrar o melhor para todos, e o melhor para todos é o saber que estuda a fundo para encontrar, por exemplo, o caminho-síntese entre espírito e ciência. Entre tantas e muitas livros diferentes para serem bem lidos, “A Ideologia Alemã” é um. Pensar é múltiplo.
Aldo Tavares é professor-mestre em Filosofia, pós-graduado em pedagogia e em sociologia e professor de Literatura, de Redação, de Língua Portuguesa, de Teologia Natural e de Sociologia.


?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>