Rio Branco
31°C
quinta-feira, 23 de julho de 2026
14:53

Incomodada com Queiroz, ala militar do governo fala em ‘ministério de notáveis’

Incomodada com os desdobramentos imprevisíveis da prisão de Fabrício Queiroz, a ala militar do governo Bolsonaro começou a discutir a oportunidade de montar um “ministério de notáveis”.

A expressão remonta a 1992, quando Fernando Collor encarava denúncias de corrupção que levaram à abertura do processo de seu impeachment e à sua renúncia naquele ano.

O então presidente, acossado politicamente, adotou uma ideia do aliado Paulo Octávio do tempo de sua campanha: colocar figuras de proa em áreas estratégicas, com suporte de partidos do que hoje seria chamado centrão.

O líder do processo foi o mandachuva do PFL, Jorge Bornhausen, que assumiu a Secretaria de Governo. Não deu certo, como se sabe, e mesmo Collor viria a dizer em 2005 que era um “ministério de traidores”.

Agora, a situação seria diferente, disseram a interlocutores integrantes fardados do governo. A gestão Bolsonaro tem seus dois principais ministérios sociais, Saúde e Educação, ocupados por interinos, por exemplo. Logo, haveria uma janela de oportunidade para dar um “reset” no governo, na opinião dos generais palacianos.

No caso da Saúde, sensível devido ao combate à Covid-19, a eventual saída do general da ativa Eduardo Pazuello da chefia interina ainda aliviaria as críticas do serviço ativo do Exército ao desgaste de sua presença.

Nas conversas, que já atingiram ao menos dois candidatos potenciais para amplificar o plano, obviamente os “notáveis” viriam acompanhados de apoio político no Congresso.

O óbice inicial à maquinação chama-se Jair Bolsonaro, que não foi consultado ainda sobre a ideia. A longamente protelada demissão de Abraham Weintraub da Educação, para os generais, mostraria que ele poderia topar.

O problema é o outro lado. Tirar Weintraub foi um pedido de desculpas tardio ao Supremo Tribunal Federal, insultado gravemente pelo ministro e pontualmente pelo próprio Bolsonaro. Não parece ter funcionado como elemento de apaziguamento.

O Jornal ouviu dois líderes importantes de partidos que negociam cargos com o governo Bolsonaro, que buscou apoio naqueles que antes demonizava para cabalar votos contra um eventual processo de impeachment.

O resultado variou entre descrença e risadas, além da lembrança de que o “ministério de notáveis” de 1992 foi uma espécie de transição negociada com o mundo político enquanto Collor agonizava em praça pública.

Os fardados do governo não aceitam essa hipótese, mas concedem que o governo enfrenta dificuldades políticas enormes.

folha