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domingo, 5 de julho de 2026
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Nascimento e morte

Por Gilmar Peron

Quem somos nós? E para que estamos aqui? São perguntas antigas que permeiam a humanidade e que carecem de respostas urgentes. Então, o convido para juntos buscar estas respostas.

Vamos analisar, para o homem ocidental-capitalista, com tradição cristã, a ordem do dia é “crescei e multiplicai”. Crescer no sentido de acumular bens materiais e multiplicai no sentido de reprodução. Essa teoria tem sido alimentada há séculos e coloca hoje a humanidade a beira de um colapso, com o crescente número de pessoas e a exploração descontrolada dos recursos naturais.

Temos hoje uma sociedade sedenta por sexo e dinheiro. E como a grande maioria não quer enxergar a verdade por trás do véu da ilusão, continuam apegados a padrões antigos e que de modo algum trás benefícios na atual conjectura da humanidade. Bem, talvez nos tempos antigos faziam-se realmente necessário que as tribos se multiplicassem rapidamente, tendo em vista que viviam em guerra e possuíam a necessidade de muitos homens guerreiros.

Não que seja contrário ao sexo, mas penso que essa questão deve ser bastante estudada e respeitada, ocupar seu lugar sagrado no ciclo natural da vida, pois é pelo encontro de duas pessoas que uma nova vida se manifesta, já pensou no poder que isso tem? E não como da forma que é hoje. Trocasse de parceiro como se troca de roupas. Não vamos nos aprofundar aqui já que este tema é bastante complexo.

O fato é que o homem persegue o que lhe proporciona prazer, assim como um animal instintivamente persegue sua caça. Isso porque acha que lá está sua felicidade. Mas a verdadeira felicidade do homem não está no ter, naquilo que pode conquistar ou comprar, mas no Ser, naquilo que ele é, ou seja, a verdadeira riqueza é interior.

Para perguntas sem respostas precisamos fazer uso da criatividade e racionalidade. Como todas as tradições religiosas apontam para um único Deus, e penso que não podemos encontrar o todo analisando apenas a parte, vamos para a antiga Índia. Lá encontramos a ideia “um ser que constrói, destrói e constrói novamente”. Esse construtor da vida chama-se Prajapati, “o Senhor das Criaturas”. Conta que no inicio não havia nada, nem mesmo o universo. Então, Prajapati desejou “possa Eu ser mais do que um, possa Eu ser reproduzido”.

Essa ideia de que Prajapati se reproduziu a partir de si mesmo é muito semelhante com os ensinamentos da Bíblia Cristã quando diz que somos a imagem e semelhança de Deus. Por esta herança divina o homem deveria respeitar sua genealogia e buscar sua paz interior e não tecer falsas ilusões a cerca de dominar e obter poder sobre o próximo. Acho muita pretensão pensar que Deus é uma mercadoria a ser comercializada.

Essa ideia de que somos um Ser divino também é falsa, porque envaidece o ego, não nos serve, assim como todas as ideias e rituais criadas pelo homem. Porque onde a mente humana toca contamina, perde o aspecto do sagrado. A mente do homem é muito boa para inventar rituais, estórias e conflitos.

O homem precisa compreender sua missão na terra que é evoluir e alcançar a unidade com Deus. Por isso Cristo nos ensinava que fossemos perfeitos como Ele e ao Pai. Este ensinamento até os dias de hoje foi deturpado também pela mente corrupta do homem, pois o que temos hoje é uma legião de imitadores que nem de longe são parecidos com Cristo, em alguns casos não passam de um bando de fanáticos com uma mentalidade estúpida e mesquinha.

Aos que desejam chegar a uma compreensão maior da vida, precisam compreender o funcionamento da mente, todo o seu movimento – pensamentos, desejos, medos. Sócrates dizia “Conheça-te a ti mesmo e conhecerás o mundo e o universo”.

Outro ponto de nosso texto analisado, “constrói, destrói e constrói novamente” nos leva a teoria da reencarnação. Abolida nos dias de hoje pelas Igrejas Católica e Evangélica. Mas você sabia que até o século V, a própria Igreja Católica aceitava em sua doutrina a reencarnação? Pois é, segundo levantado foi o Imperador Justiniano no ano de 553 D.C., no V Concílio de Constantinopla é que decidiu retirar dos livros sagrados este importante ensinamento, no que parece por puro capricho de sua amada e terrível esposa que tinha medo de sua próxima encarnação e por isso não aceitava a doutrina reencarnatória. Como se Deus fosse obrigado a seguir seus caprichos.

Vamos dar continuidade a nossa pesquisa. O que implicaria saber que vai morrer e nascer novamente, já que morte e nascimento são apenas portais da vida? Você já pensou nisso? Primeiro seria a perda do medo da morte, você não precisa comprar um lugar no céu, sem o medo ninguém poderia manipulá-lo; segundo, a redenção do homem não está naquilo que fala, naquilo que prega, ou naquilo que segue, mas segundo aquilo que está em seu coração. E por isso o caminho espiritual é um trajeto difícil e árduo a ser caminhado, é bastante estreito, pois largo e espaçoso é o caminho da perdição, o caminho dos prazeres, que nos é proporcionado pelo poder e dinheiro.

Para sair do atual ciclo a qual nos encontramos precisamos purificar nosso mundo interior. Temos aqui nestas palavras a necessidade constante de crescer, mas crescer no sentido de evoluir e chegar a níveis cada vez mais elevados de consciência (alma), para uma caminhada plena e harmônica de respeito e admiração pela vida a qual Deus nos concedeu.