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domingo, 5 de julho de 2026
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Artistas rejeitam fala do Presidente da FEM

Nos últimos dias, artistas acreanos tem enfrentado uma luta ferrenha com a Fundação Elias Mansuor, após ter lançado um projeto no qual os artistas encontram se insatisfeitos com o formato do edital que não abrange toda categoria.

Já foram emitidas notas de repudio e notas de esclarecimento e nesses rebates o presidente Manoel Correia usou expressões como “Os insatisfeitos de plantão, que reclamam se a gente não faz nada e também quando a gente faz alguma coisa”.

Diante disso a categoria se revolta novamente com a forma que os artistas são tratados dentro dos espaços que deveria apoiá-los, pois nesse momento é perceptível como as atividades dos diversos segmentos artístico-culturais vem sendo importante, até mesmo contribuindo com a saúde mental de todos nesse período de pandemia. A partir do lançamento do edital que foi feito pela FEM no dia 30 de abril da forma que eles decidiram sem atender realmente o questionamento e o pedido dos artistas, imediatamente o movimento se organizou com uma nota de repúdio ao edital que foi elaborado sem a participação e sem ouvir os segmentos e com critérios excludentes como: impossibilitando que as pessoas que receberam auxilio emergencial participem do edital. Além de burocratizar o edital, estipularem quantidades de projetos escolhidos e terceirizarem os serviços que deveriam ser de responsabilidade da gestão.

Em contato com a redação do Jornal Opinião Romualdo Freitas – Vice-presidente da Federação de Teatro, articulador da Rede Brasileira de Teatro de rua e Participante da Tropa Mamulungu de teatro de rua e boneco, demonstra um pouco sua revolta diante dos acontecimentos vividos pelos artistas acreanos .

“A gente percebe que não somos ouvidos, e como nosso movimento é organizado, nos emitimos uma nota de esclarecimento. Depois recebemos a nota feita pelo Presidente que me indignou de forma extrema pois ele mostra um total desrespeito com a categoria, com os trabalhadores e talhadoras da cultura, depois vi fala da Secretária Nacional da Cultura, Regina Duarte, e é notável que isso é uma coisa do campo político e a pretensão é a exterminação total das atividades artísticas. Porque tentar transferir a responsabilidade meio que terceirizando uma entidade para fazer todo serviço que seria função da própria FEM, em um tempo de isolamento social é realmente um absurdo. Nós temos um curto espaço de tempo para elaborar um projeto  que vai trazer 30% da sua produção para participar desta grade os espetáculos e apresentações dos artistas das cidades do interior, além de organizar uma seleção de diversos segmentos artísticos. Eu sou responsável pela FETAC nós estamos lidando com atividades teatrais como vou julgar outras categorias como dança por exemplo, a FEM que tem que fazer tudo isso”.

O coletivo  vem tentando de alguma forma estabelecer um diálogo claro, franco e direto com a Fundação Elias Mansour, desde de antes do lançamento do edital CONECT CULTURA ao qual está sendo feito um enfrentamento direto, todos tem conhecimento do documento que foi enviado ao presidente com quase 400 assinaturas das mais diversas linguagens artísticas e culturais da cidade de Rio Branco, foram signatárias desta quase 400 insatisfações onde era dito claramente quais eram os pensamentos em relação a construção do edital e que fosse na maior clareza para alcançar a comunidade que está em situação complicada devido a pandemia.

Christian Morais atual presidente da ASDAC – Associação de Dança do Estado do Acre ressalta:

“ A burocratização que foi colocada nesse edital, realmente cancela a acessibilidade desse recurso para os artistas, sem contar que é um formato que demanda muito tempo e burocracia de articulação já que nós estamos falando a nível de estado e o incentivo direto é o que precisamos nesse momento e é o que a gente está brigando, então várias entidades de classes estão nessa luta, estamos de plantão porque a gente não consegue entender e nem aceitar como que uma fundação de cultura não dialoga diretamente com os artistas, nós temos pessoas dentro da fundação que são totalmente contra a cultura e isso é muito prejudicial para a classe, nós não aceitamos nenhum tipo de boicote então a gente quer ressaltar que queremos esse recurso em forma de prêmio para que os artistas possam acessar de forma mais rápida, para poder sustentar suas famílias e que haja um respeito com a opinião e com a classe artística, que haja consulta com os representantes de classe e com os artistas envolvidos. A FEM está agindo de forma autoritária impondo esse edital e não está abrindo um espaço para um diálogo, então nós da ASDAC assim como outras entidades estamos nessa luta em favor do coletivo para a classe artística”.

O  diretor Manoel Correia responsável pela gestão cultural em todo o território acreano disse ainda que não vai politizar o debate e pediu que todos leiam o edital do ConectCultura com atenção. “Está simples”, argumentou Correinha, como é conhecido.

Rose Farias que há mais de dez anos atua na área de audiovisual, como produtora, cineclubista, produtora da Mostra Cinema e Direitos Humanos, pontua sobre a fala do presidente da FEM

“Primeiro foi uma fala extremamente infeliz, por dois pontos: um é dizer que o movimento está politizando o debate. O movimento só quer ser ouvido e dialogar desde o início, mas dialogar não presencial, porque estamos seguindo o decreto do governo do Estado em relação ao combate ao Covid-19, #fiqueemcasa, reunião só on-line. Quando a FEM pediu um encontro presencial, achamos um absurdo e propomos via on-line, como está sendo feito direto. Isso é politizar? O segundo ponto é, esse edital é extremamente preocupante, pois terceiriza todo um processo com a escolha de duas entidades para dialogar com as mais diversas linguagens e segmentos. Quem tem que fazer isso é a FEM. Várias entidades que estão com o movimento, e entidades fortes não aceitam esse edital. Isso é politizar? Sobre dizer que quem está puxando o movimento tem fonte de renda é outro argumento infeliz. Primeiro porque não existe quem está puxando, somos mais de 400, com as mais diversas opiniões, e pensamos juntos pelo todo, e num formato de edital que atenda realmente quem está na ponta precisando e passando necessidades. Desde o início queremos o diálogo não a guerra. A guerra é o combate ao Covid-19.  Nosso partido é a cultura e a arte”.

Vale ressaltar que a maioria dos artistas não possuem renda e os que possuem estão na luta para ajudar a todos de forma geral porque é necessário exercer a empatia e um pouco de humanidade por todos.

Também vale destacar que segundo os trabalhadores da cultura eles consideram que não precisaria chegar a esse ponto tão desgastante se o presidente da FEM não tivesse sido intransigente.

Lenine Alencar encerra dizendo.”A luta dos artistas não é somente pelo agora, mas pelo amanhã. Depois da quarentena precisaremos de um gestor de cultura que seja capaz de reunir esforços e união de ativistas da cultura e gestão pública”.

NOTA DE ESCLARECIMENTO

ALÔ GOVERNADOR!
Os trabalhadores e trabalhadoras da cultura acreana, e suas Entidades Representativas, vem a público esclarecer que tem se pautado na melhor das intenções para estabelecer o diálogo com a Fundação de Cultura e Comunicação Elias Mansour. Neste sentido, nos expressamos através desta nota para atualizar a todos e a todas do que vem acontecendo no campo da cultura estadual.

Os gestores da FEM convidaram, via mensagem do aplicativo WhatsApp, representantes das Entidades Culturais e Conselheiros de Cultura para uma reunião presencial na sede da FEM, neste dia 07.05.2020, desrespeitando Decreto Governamental, que restringe aglomeração de pessoas num mesmo espaço físico.

Essa foi uma iniciativa, que ao nosso ver, desrespeita as regras impostas pelo próprio Governador e especialistas em saúde pública, que aconselham o distanciamento social e recomendam que as pessoas fiquem em suas casas, e o que observamos é que seu Presidente e seu Diretor

Administrativo ainda não compreenderam o atual quadro da situação que vivemos por conta da Pandemia do COVID-19 – Coronavírus.
Nossa indignação é: Governador, quem manda é o Senhor ou a FEM?

Não fomos à reunião não porque não queremos dialogar e nem por não estarmos interessados, e mais do que isso, necessitados desse recurso. Não comparecemos à referida reunião porque sem vida humana, não há cultura. Prezamos pela vida e propusemos uma reunião on-line, via aplicativos que vem sendo amplamente utilizados neste momento de pandemia. Mais uma vez, não fomos ouvidos.

Na clara tentativa de nos cooptar para aceitar o modelo de edital imposto, no máximo cinco pessoas compareceram, demonstrando que não se tratou de real representatividade dos cerca de 400 trabalhadores e trabalhadoras da cultura e suas Entidades Representativas, que vem se unindo em prol de seus interesses comuns.

O que pedimos? Muito simples… Que os anseios expressados, pelos cerca de 400 trabalhadores e trabalhadoras da cultura e suas Entidades Representativas, nas cartas e manifestos lançados publicamente nos últimos dias sejam ouvidos!

Fica claro que esses gestores ao invés de se somarem a nossa causa, tentam deslegitimar nosso movimento, que luta por melhores condições para toda sociedade, pois se a saúde pública é para os enfermos, a arte e a cultura são para a saúde mental.

Fica aqui registrada nossa mensagem, dos trabalhadores e trabalhadoras da cultura, para pedir ordem na casa e nos solidarizar com os profissionais de saúde, amigos gestores de cultura que compreendem nossa luta, artistas em geral e todo povo acreano.

ESTAMOS APENAS FAZENDO A NOSSA PARTE!