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domingo, 14 de junho de 2026
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Quais os riscos da liberação de testes rápidos em farmácias

Pessoas que queiram realizar testes rápidos para a detecção do novo coronavírus poderão recorrer às farmácias de todo o país, segundo uma decisão da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) divulgada na terça-feira (28). A medida tem sido criticada por especialistas da área da saúde devido à baixa precisão desse tipo de exame, o que poderia confundir e colocar a população em risco.

Na quarta-feira (29), o Brasil registrou mais 449 mortes num período de 24 horas devido à doença. Ao todo, o país já tem 5.466 mortes e 78.162 casos confirmados.

O diretor-presidente do órgão, Antonio Barra Torres, afirmou que a ideia é aumentar os pontos que ofereçam os testes para desafogar a rede pública de saúde e diminuir a procura por serviço médico, além de reduzir as aglomerações nos hospitais. A oferta dos exames é temporária e vale apenas durante a vigência do estado de emergência sanitária.

Os testes devem ser disponibilizados na segunda semana de maio, de acordo com uma estimativa da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias). Eles serão cobrados, como já é feito em laboratórios privados, onde variam de R$ 200 a R$ 500. Será necessária a presença de profissionais capacitados para a aplicação. A Anvisa ainda deve publicar notas técnicas para orientar as farmácias.

Os testes rápidos, também conhecidos como sorológicos, usam amostras de sangue para detectar anticorpos contra o Sars-CoV-2, o agente causador da covid-19. Eles demoram de 10 a 30 minutos.

As críticas à liberação


A decisão da Anvisa preocupa especialistas porque os testes rápidos podem apresentar até 80% de falso negativo, ou seja, de cada cinco pessoas que possuem anticorpos contra o novo coronavírus, apenas uma poderá descobrir isso fazendo o exame.

A recomendação é que eles sejam aplicados apenas após o oitavo dia de sintomas, como uma ferramenta complementar, e não como diagnóstico definitivo. Por isso, esse tipo de exame não é recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Alguns países chegaram a desistir de seu uso.

Alemanha e a Coreia do Sul, por exemplo, recorreram ao teste PCR, também chamado de molecular, para monitorar a epidemia. Ao analisar a secreção recolhida da garganta de um paciente, mesmo que não apresente sintomas, o exame identifica a presença do RNA do vírus em tempo real. Eles são, porém, mais caros, por serem processados em laboratórios e dependerem de profissionais treinados e insumos importados.

Especialistas dizem que os testes rápidos podem levar a um comportamento de risco. Pessoas infectadas mas que ainda não desenvolveram os anticorpos, por exemplo, podem receber o diagnóstico negativo na farmácia e continuar a circular, transmitindo o vírus a outras pessoas.

nexojornal