O Partido dos Trabalhadores (PT) do Acre reuniu, no último sábado, 15, os seus diretórios municipais para decidir as ações para o ano de 2020. A reeleição de seus três prefeitos e o lançamento de candidatura majoritária no maior número de municípios são as principais prioridades.
Em sua Resolução Política, construída ao final da reunião, o Diretório Estadual define pontos que vão nortear a atuação no processo eleitoral deste ano, como: “As candidaturas majoritárias deverão estar ancoradas em plataformas construídas de maneira participativa pela população, de modo a dialogar com a realidade de cada cidade e os desafios do dia a dia do povo”.
A reunião teve ainda uma análise política das conjunturas nacional e estadual, feita pelo ex-deputado federal Sibá Machado e os deputados estaduais Jonas Lima e Daniel Zen. Diálogo este que também contribuiu para construção da Resolução: “A geração de emprego e renda devem ser os debates políticos centrais das nossas plataformas, nos centros urbanos e rurais. Devemos atacar estes graves problemas, que têm desdobramento na pauta da segurança pública, pois quanto maior for o número de empregados, menor serão os índices de violência”.
Leia a Resolução Política completa do Diretório Estadual do PT do Acre:
Referente à reunião do Diretório Estadual com presidentes e representantes dos Diretórios Municipais no dia 15 de fevereiro de 2020.
O Brasil vive uma crise social sem precedentes, os trabalhadores estão tendo seus direitos, e o poder de compra reduzido, a cada votação no Congresso ou decisão política do presidente Bolsonaro. O desemprego cresce assustadoramente, ao mesmo tempo em que a rede de proteção social é massacrada a passos largos.
A decisão do presidente Bolsonaro de manter a cotação da gasolina vinculada ao dólar e ao mercado financeiro encarece o custo de vida da população. O alto custo do combustível embutido no valor do frete rodoviário que movimenta a produção e o mercado consumidor interno brasileiro joga para cima o preço dos alimentos, eletrodomésticos, insumos, gás de cozinha e etc., associado a mais pessoas desempregadas e menos pessoas assistidas por programas sociais, como bolsa família e outros, resulta em menor poder de compra para os empregados e pobreza e fome para a maior parte do povo.
No Acre, a situação é ainda mais complexa, tendo em vista a incapacidade do governador Gladson Cameli e de seus aliados em darem respostas aos desafios da sociedade. A política do agronegócio, carro chefe do governo para o desenvolvimento econômico do estado, não apresenta um único resultado positivo. A agricultura familiar e o extrativismo foram esquecidos, os ramais para escoamento da produção estão intrafegáveis e falta assistência técnica e condições para os técnicos auxiliarem os produtores.
Na saúde, os problemas se agravam nas unidades do Estado, que não oferecem as mínimas condições para que os profissionais desempenhem suas atividades com eficiência. Sequer há medicamentos e alimentos nas instituições de saúde. Cotas para custear a alimentação dos pacientes viraram rotina nas unidades de saúde do interior e muitos acompanhantes precisam se propor a fazer rifa para custear a viagem para tratamento fora do domicílio do paciente, pois o TFD não tem dado conta de atender as demandas e os tratamentos de alta complexidade que outrora se realizavam no estado, não acontecem mais.
A segurança pública é um caos. O povo é prisioneiro em suas próprias residências, uma vez que andar nas ruas se tornou perigoso demais. Multiplicam-se os homicídios, furtos, roubos e assaltos, e as soluções mágicas propostas na campanha, para 10 dias, 30 dias, 100 dias e depois um ano, não passaram de promessas eleitorais para conseguir os votos da população. Até o momento, não apresentam soluções de curto prazo a contento. A polícia se esforça nas ruas, mas falta comando no palácio. Além de que, não existe um plano de enfrentamento da violência para médio e logo prazo que vincule o combate a criminalidades com esporte, educação, cultura e geração de emprego.
A situação na administração direta do Estado é tão grave quanto na segurança pública. Existem indícios de favorecimento de parentes e amigos do governo e governador através da dispensa de licitações, cujos valores de produtos fornecidos para o Estado quase sempre estão acima dos praticados no mercado. Normatizaram a prática de pegar carona em outras licitações, favorecendo empresas de outros estados. Sem falar em contratos desnecessários para suprir luxos pessoais, como o do jatinho do governador e o valor exorbitante de diárias para agendas não explicadas dos chefes de Estado.
Diante desse cenário complexo e de retrocessos, a Direção Estadual do Partido dos Trabalhadores no Acre, compreende que o papel central do PT, em 2020, é de dialogar de forma mais direta com os trabalhadores e compreender os anseios do povo e expressá-los. Se manter firme na luta contra os retrocessos e apresentar, a partir do diálogo, novas alternativas que possam guinar o povo do Brasil e do Acre para uma melhor condição de vida.
Compreendemos ainda, que as eleições municipais são a grande ferramenta de 2020, pois possibilitam um diálogo franco com a sociedade a partir do olhar das cidades, quando poderemos falar do nosso legado resultante das boas práticas exercidas em nossos governos e prefeituras.
Portanto, definimos que:
Nas eleições de 2020, o PT deverá fazer uma defesa qualificada de seu legado, sua história e sua contribuição para a Democracia e o desenvolvimento da Nação, compreendendo que a pauta nacional tomará inevitavelmente parte dos debates nesse pleito.
Defender Lula é defender a democracia. O caso não está encerrado e o Lawfare praticado contra Lula é um método nazista, que deve ser combatido e extirpado.
Priorizar as reeleições de nossos prefeitos, prefeita e lançar candidaturas majoritárias no maior número de municípios possível são uma necessidade. A tarefa colocada para nosso Partido nessas eleições vai muito além de uma simples disputa eleitoral, trata-se de apresentar uma alternativa oposta ao governo federal e estadual, que conduzem o Brasil e o Acre para a crise social.
As candidaturas majoritárias deverão estar ancoradas em plataformas construídas de maneira participativa pela população, de modo a dialogar com a realidade de cada cidade e os desafios do dia a dia do povo.
Qualquer formação de blocos políticos, deverá antes de tudo, está alicerçada na plataforma construída com a participação do povo. Uma alternativa mudando apenas de nome, poderá em curto espaço de tempo, abraçar a plataforma da extrema direita, como já faz o bolsonarismo e alguns antigos aliados. É ruim para o Brasil e para o Acre qualquer bloco político que não defenda em primeiro lugar os interesses do povo. Por isso, é vital tentar manter alianças com o campo progressista.
A geração de emprego e renda devem ser os debates políticos centrais das nossas plataformas, nos centros urbanos e rurais. Devemos atacar estes graves problemas, que têm desdobramento na pauta da segurança pública, pois quanto maior for o número de empregados, menor serão os índices de violência.
O PT deve lançar chapas de vereadores completas nos 22 municípios, buscando eleger boas bancadas de vereadores, com no mínimo, um vereador por município, estimulando o crescimento do número de mulheres eleitas vereadoras. E sempre que possível, devemos pensar em mandatos mais participativos, como mandatos coletivos ou revezamento de mandatos, assegurando maior representação dos diversos segmentos da sociedade que se encontra no PT.
Prioritariamente, nossos pré-candidatos a vereadores e prefeitos, devem participar da agenda de formação política do PT, que apresentará nossa compreensão da realidade, causas que defendemos e nossos princípios. As formações serão abertas à militância e contarão também com conteúdo que auxiliará na compreensão das regras eleitorais nos quesitos jurídico e contábil.
Compreender as novas ferramentas de comunicação e as relações sociais oriundas dessa nova realidade, é desafio para a renovação do partido e uma tarefa central para construir um diálogo mais efetivo com a população. Por isso, iremos capacitar nossa militância para atuar nessa área e solicitarmos que ela se engaje na nossa estratégia de comunicação em rede.
O financiamento eleitoral deve seguir duas estratégias: campanhas de arrecadações locais, por meio de vaquinhas on-line e/ou outras ferramentas. O fundo eleitoral, que deve ter sua distribuição e aplicação definida pelo conjunto dos presidentes municipais, coordenado pela direção estadual, sempre vinculado à estratégia política do PT/Acre. Acreditamos que deve ser definido um montante para cada estado e as tratativas devem ser feitas de forma transparente e clara entre o Diretório Regional e os Diretórios Municipais.
Viva aos 40 anos do PT! O Partido que mudou o Acre e o Brasil, e sempre está ao lado do povo.


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