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sábado, 8 de agosto de 2026
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Frango, peixe e ovos: acreanos substituem carne vermelha para economizar nas compras


Luan Cesar


Com o aumento de 1,05% em dezembro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), uma prévia da inflação oficial do país, os preços das carnes bovinas disparou 17,71% neste mês segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, os acreanos recorrem a alternativas como frango, peixe e ovos para substituir a carne vermelha na mesa com a ideia de economizar durante as compras e ter mais rentabilidade no complemento das refeições.


A bibliotecária Lizane Alves afirma que teve que reduzir a quantidade de carne bovina nas compras semanais. Ao invés de adquirir o produto três vezes por semana, como costumava fazer ao comprar diversos tipos de carnes, agora ela compra somente uma vez. E para não faltar a “mistura” para ela e os filhos, a alternativa é substituir o tradicional alimento por ovos, peixe, salsicha, frango e calabresa, que agora já fazem parte das listas de compra com mais frequência.


“Desde o pagamento no mês passado senti esse aumento grande no preço. Isso comprometeu minha renda porque além de comprar carne, que rendia uma quantia bem maior do que antes, ainda têm outras coisas e agora o complemento para não faltar a mistura. A saída é comer ovo, salsicha, calabresa, peixe e, uma vez na semana, carne porque é muito ruim sem. Para economizar no Natal a família decidiu que cada um vau levar um prato e escolhi o arroz”, se diverte Lizane.


O comerciante Egiudo Carneiro afirma que percebeu a elevação no preço cobrado pelo quilo da carne vermelha no início deste mês. De acordo com ele, no açougue do bairro em que mora o quilo da alcatra custava R$ 20 e agora está sendo vendido a R$ 26. Ele reclama da taxação e se questiona do aumento por considerar o Acre como um dos maiores produtores do produto no Brasil. A opinião dele é de que o governo federal precisa revisar os impostos para baixar o preço.


“A gente está sentindo muito no bolso. Nosso sistema financeiro trabalha com real e não dólar, foi um aumento abusivo e ninguém se liga que há muitos pais e mães de família que ganham pouco e precisam prover alimento na mesa. Nós, por exemplo, agora só compramos frango, peixe e enlatados, que estão bem mais barato que a carne. Na ceia de Natal vamos inserir mais frutas, peru e frango para não ter que comprar carne e ter dinheiro pata fazer a de ano novo”, diz Carneiro.


Ezequias Barbosa, proprietário de um açougue no Mercado Municipal Elias Mansour, no Centro de Rio Branco, conta que compra a carne por animal, ou seja, ela encomenda um bovino inteiro para revender. Segundo o profissional, o quilo do bovino, que é pesado ainda vivo antes do abate, custava R$ 8,50 até metade de novembro e passou para R$ 11,20 já no fim do mês passado. Ele afirma ainda que isso trouxe prejuízos para o empreendimento porque os custos foram repassados.


“Não teve jeito e tive que repassar esse aumento para os clientes também, que agora estão vindo bem menos aqui. E para não perder totalmente a clientela eu repassei uma porcentagem menor do que tive que arcar com a subida do preço para não afastar de vez o pessoal. Mesmo assim pesa no bolso das pessoas. Antes o quilo da bisteca aqui era R$ 14 e agora está em R$ 16. Fraldinha agora custa R$ 18 e antes era R$ 16, isso porque não houve repasse total, foi opção nossa”, conta o açougueiro.