Então é praticamente Natal e quantos livros você leu? Nesta semana, eu achei por bem falar sobre um assunto quase sempre muito caro a nós adultos modernos, rápidos, conectados, com dias frenéticos. Em conversa com vários amigos, tenho percebido que a falta de disposição ou tempo para a leitura ocupa um dos topos das reclamações dessa fase linda que fomos obrigados a viver.
A vontade normalmente existe, mas alguma coisa não nos tem deixado encontrar o prazer nas páginas de um bom livro. Eu não tenho um histórico bonito de ler bastante na infância, meu presente favorito naquela época não era livro. Por isso, comecei a encontrar prazer nesse hábito bem mais velho mesmo, já adulto.
A pesquisa mais recente divulgada pelo Instituto Pró-Livro, a Retratos da Leitura no Brasil, de 2016, mostrou que o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano. Dentre os leitores, as motivações apontadas foram o gosto pela leitura (25%), atualização cultural ou conhecimento geral (19%), distração (15%), crescimento pessoal (10%), motivos religiosos (11%) e exigência escolar ou da faculdade (7%).
E é justamente essa exigência, sobretudo no período escolar, que me preocupa. Não sei como as escolas lidam com a questão hoje em dia. No lugar onde eu estudei, a abordagem era bastante punitiva, com pouco ou nenhum convite à experiência lúdica que um livro oferece a uma criança. O afastamento gradativo do hábito da leitura no ambiente em que ler serve apenas para responder a uma prova e ganhar nota é quase inevitável, principalmente se não existe um incentivo sadio por parte da família, como foi o meu caso.
Bom, não são novidades os benefícios comprovados desse hábito na nossa rotina. Pesquisas já revelaram que a leitura possui grandes poderes na redução do estresse, impulsiona o funcionamento do cérebro, ajuda até mesmo – combinada com outros fatores ligados a uma vida saudável – a retardar demências como o Mal de Alzheimer, além de, obviamente, ser um rico mecanismo de conhecimento, pensamento crítico e estímulo à empatia, uma vez que permite a imersão em histórias diversas de personagens fictícios ou não.
Pintado o cenário e elencado os benefícios, vamos às dicas práticas. O tempo talvez seja um desafio para você, assim como é na minha vida. Essa é normalmente a primeira desculpa dada, a mais rápida de todas, mas quanto tempo nós gastamos com o aparelho celular, por exemplo? Eu costumo ler um pouco todos os dias e, pasmem, segundo o meu próprio telefone, nos últimos sete dias, gastei uma média de 6 horas diárias com ele. Foram 41 horas e 57 minutos durante toda a semana – em 18 horas delas, acompanhei a vida dos outros por meio do Instagram. Eu sei, é vergonhoso! Estou me expondo!
Por isso, o questionamento que faço é: será que realmente não temos tempo para incluir uma boa leitura no nosso dia-a-dia? O tempo diário investido não precisa ser imenso, não existe a necessidade de ter pressa para concluir um livro, mas indiscutivelmente precisamos ter persistência, afinal hábito não se cria com mágica. Sendo assim, agora vão quatro dicas simples:
- Pense nos assuntos que te interessam e leia por querer, jamais por obrigação. Começar com as áreas que te agradam é uma ótima maneira de descobrir o prazer na leitura – romance, ficção científica, fatos reais, biografias, filosofia, psicologia, até a criticada autoajuda realmente pode ajudar.
- Descubra o melhor formato para você. Não precisa abarrotar a sua casa de livros físicos. Às vezes, o tempo realmente vago que você tem é o do ônibus, do metrô. Ter a leitura disponível no celular, no LEV, no Kindle pode ser uma ótima opção. Eu, apesar de ter disponíveis outros mecanismos, ainda prefiro manusear as folhas de papel.
- Não tenha medo de abandonar uma leitura. Se começar um livro e, no início ou no meio, perceber que sua atenção não foi devidamente capturada, escolha outro, e outro. O segredo é não forçar demais e correr o risco de dificultar ainda mais o processo.
- Por último, nada de estipular metas irreais. Não adianta dizer para si mesmo que vai ler 50 livros em 2020. Comece aos poucos, construa a vida de leitura que quer ter. Eu, por exemplo, entendi que consigo ler pelo menos um capítulo por dia e, com um pouco de esforço, terminar uma obra a cada mês. Desenvolva seu próprio ritmo. Pronto! Dezembro está para começar, que tal escolher um livro para terminar o ano?
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