A princípio, o governador Gladson Cameli (PP) cogitou aguardar a apreciação da PEC Paralela pelo Congresso Nacional para enviar um Projeto de Lei Ordinária à Assembleia Legislativa, aderindo integralmente as mesmas regras aplicáveis ao regime próprio de Previdência Social da União. Mas, dada a gravidade da situação do Acre, segundo Cameli, foi necessário antecipar o debate. Tão logo chegou ao parlamento estadual, a matéria foi alvo de críticas. Deputados da oposição e sindicatos bateram o pé contrários. Defenderam um amplo debate acerca do PL. A decisão do Executivo causou um enorme estardalhaço, com direito a empurrões, invasão do plenário na Aleac e até o uso de spray de pimenta pelos seguranças da Casa do Povo. Posteriormente, cogitou a possibilidade de retirar de pauta a PEC e seguir com o plano original. Com isso, as novas regras de aposentadoria dos servidores federais poderiam passar a valer também para o funcionalismo estadual, municipal e distrital — como tempo de contribuição e idade mínima. Diante da grande polêmica que se gerou em torno da PEC no Acre, seria uma estratégia inteligente do governador. Usa a reforma do governo federal e se “isenta” de tirar direitos dos servidores públicos como vem sendo propagado nas redes sociais. Mas, depois recuou e passou a debater a matéria com os representantes sindicais. A matéria deve ser apreciada na próxima terça-feira, 26. Nos bastidores o que se comenta é que os servidores públicos ainda não estão satisfeitos com a PEC apesar das mudanças. A única certeza que se tem é que a semana que vem será agitada na Aleac. Protestos já estão sendo organizados.
NÃO MESMO
O líder do governo na Aleac, deputado Gehlen Diniz (PP) acredita que a PEC que reforma à Previdência no Acre não foi bem aceita pelos servidores devido uma onda de fake news que se espalhou entre a categoria. Só que não!
DISCURSO
Gehlen reforçou por diversas vezes que a aprovação da PEC é necessária para equilibrar as finanças do Estado.
PREJUÍZOS I
Entre os meses de janeiro e setembro de 2019, o Tesouro Estadual, ligado à Secretaria da Fazenda do Acre (Sefaz), desembolsou quase R$ 500 milhões para cobrir o caixa do Acreprevidência. Há ainda uma necessidade de suplementação no valor de R$ 70 milhões para que o caixa feche 2019 no azul, sem dever benefícios.
PREJUÍZOS II
O instituto tem previsão de gastar R$ 610 milhões até dezembro, incluindo o décimo terceiro salário – cerca de 10% do orçamento do Estado do Acre para 2019. Isso coloca o Acreprevidência no olho do furacão. Só em setembro, 160 novos aposentados e pensionistas entraram na folha. A tendência é aumentar ainda mais, caso o governo não tome uma medida acertada.
FALTOU
Falando em Gehlen Diniz, ele recebeu ontem uma enxurrada de críticas dos servidores públicos. O motivo: marcou reunião com representantes para debater a PEC, mas ausentou-se do Estado sem dar as horas.
MUITAS CRÍTICAS
Muito criticada a ida dos deputados estaduais a Salvador para participar de reunião da União dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). Esperava-se que eles dessem prioridade aos debates em torno da PEC que reforma à Previdência estadual, principalmente, pela matéria já entrar em pauta na próxima terça-feira.
ELEIÇÃO DE 2020
Circula nos bastidores que o ex-prefeito Luizinho Hassem disputará à prefeitura de Epitaciolândia na eleição de 2020 pelo Solidariedade.
NA CÂMARA
O diretor da Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino e Pesquisa e Extensão (Fundape) e presidente da comissão do certame, Camilo Lelis esteve ontem na Câmara de Vereadores de Rio Branco para esclarecer as supostas fraudes no concurso público da Secretaria de Educação do Município, ocorrido no último domingo, 17. O encontro é fruto de requerimento do vereador Railson Coreia.
ERRO HUMANO
Lelis negou que a Fundape tenha agido fraudulentamente. Classificou o episódio como “erro humano”. Um fato isolado se levar em consideração o histórico da instituição.
NOVA COMISSÃO
Uma nova comissão já foi formada e na próxima semana será anunciada a nova data da prova. A homologação será feita antes do dia 30 de janeiro a fim de não atrasar o próximo ano letivo.
TRANSPARÊNCIA I
Muitas pessoas tentam atribuir a prefeita Socorro Neri a culpa do ocorrido no último domingo. Fazem injustamente. Ela não teria como saber que essas sequências de erros aconteceriam, afinal de contas, a Fundape tem um histórico idôneo.
TRANSPARÊNCIA II
E desde que tomou conhecimento de que irregularidades haviam acontecido, pediu o apoio da Procuradoria do Município, bem como do Ministério Público a fim de que acompanhassem todo o processo de investigação.
INVESTIMENTOS NO ACRE
O governador Gladson Cameli reuniu-se ontem com o investidor catariano Ahmed Al-Rumaih, chefe da Qatar Investments, uma nova divisão interna de US$ 100 bilhões do fundo soberano Qatar Investment Authority. Cameli deixou a reunião empolgado com a possibilidade de trazer mais investimentos para o Acre.
PONTENCIAL
“Conversamos sobre o potencial do Acre como local para investimentos como ecoturismo, infraestrutura e transportes. Nosso objetivo é gerar cada vez mais emprego e renda para a nossa população e, investimentos estrangeiros são bem-vindos”, disse Gladson.
JÁ TEM NOME
O PSDB tem feito muitas conversas em Cruzeiro do Sul. Está na lista de prioridades do partido lançar candidatura a prefeito do Município. Um nome já foi cogitado, mas tem sido guardado a sete chaves.
DEBATE AVANÇADO
Os tucanos já estão também avançando nos debates de Rodrigues Alves. Ralph Luís Fernandes é a possível opção do PSDB para disputar a Prefeitura do Município.
CONFIRMADO
O governador Gladson Cameli, em nota, confirmou a escolha da procuradora de Justiça Kátia Rejane como chefe do Ministério Público Estadual por mais dois anos (2020 – 2022). Kátia Rejane encabeça a lista tríplice do órgão, escolhida na segunda-feira durante eleição que contou com votos diretos de 83 procuradores e promotores de Justiça.
SENSO DEMOCRÁTICO
Um dos trechos da nota afirma que o governador cumpre com o senso democrático de escolher a primeira colocada. Agiu com coerência.
FRASE
“Conversamos sobre o potencial do Acre como local para investimentos como ecoturismo, infraestrutura e transportes. Nosso objetivo é gerar cada vez mais emprego e renda para a nossa população e, investimentos estrangeiros são bem-vindos”, disse Gladson.
(Governador Gladson Cameli, do PP, ao comentar a possibilidade de trazer novos investimentos para o Acre)

TÃO ACRE
O GATO AMBICIOSO
Padre José gostava de contar aquele causo do gato ambicioso. O seringueiro Jerônimo estava em uma espera de paca quando ouviu os piados de um macuco, mais parecido com uma cantoria assim meio gutural, e ficou desconfiado. Pensou que estivesse a ave por acaso gripada e como não conhecia o Melhoral curtia o seu resfriado numa boa. O macuco foi visto pelo caçador vindo e vindo até moitar-se atrás de um tronco velho de imburana, sempre piando fanhoso. Jerônimo ia atirar quando vê vir chegando do lado oposto o gato maracajá dos grandes, porém magro como um cipó, de tão doente, atraído pelo canto de inambu. A fome era tanta que o maracajá, em vez de imitar o pio solfejou miau, miau. O macuco voou para mais longe assustado e o bichano ficou no chão apenas na saudade olhando tristonho o sumiço do seu almoço e os zombeteiros piados da ave trepada protetoramente num galho de árvore.
“Coitado do maracajá”, comentou com seus botões o Jerônimo, enquanto o gato do mato lambia as patas para diminuir a tristeza e frustação. O caçador, porém, botou dó e pena de lado, mandou chumbo no bichano, com a venda ganhou um bom dinheiro pelo couro e mais uma caixa de cartuchos novos. Moral: a ganância fez o maracajá perder o couro, tudo por ter miado em vez de ter piado.
CAMISA SETE
No tempo em que o Juventus era o todo poderoso, vencedor de todos os jogos e um celeiro de craques, na ponta direita o dono da camisa sete era o Walter Prado, um tarauacaense parrudo, brigão, incapaz de levar desaforo para casa. Um dia, entra na casa de Dona Iolanda Sousa e silva, madrinha do clube, então na Avenida Epaminondas Jácome, um senhor de idade, troncudo, branco, baixo chapéu na cabeça, sério, a perguntar “se o Walter Prado estava”. Dona Iolanda disse que não. Perguntou, curiosa, se ele conhecia o jogador e o que queria com o artilheiro do time.
– Não senhora, não conheço ele não, só sei que é alto, branquela, forte e usa a camisa sete do Juventus. Ele mexeu com minha filha e agora vai ter que casar, se não quiser casar vou ao estádio dar um tiro nele, fácil, ele usa a camisa sete.
Walter era ainda solteiro e, avisado, ficou sem jogar várias partidas. Em compensação, a camisa sete ficou o resto da temporada sem dono, nenhum jogar atreveu-se vesti-la temendo pagar pecado alheio.


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