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quarta-feira, 1 de julho de 2026
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Manejo conservacionista do solo permite diversificar produção agrícola

Essa será a mensagem principal do curso “Manejo Conservacionista de Solo Arenoso do Juruá: aprendizado de 13 anos com a agricultura familiar” que a Embrapa realizou, na terça-feira, 12, em Mâncio Lima (AC), na sede da Cooperfarinha, no ramal Alto Pentecostes. A iniciativa integra as ações para fortalecer a Indicação Geográfica da Farinha de Cruzeiro do Sul e consolidar a agricultura conservacionista no Juruá.

Cerca de 20 agricultores familiares vão contar como têm feito o manejo do solo para produção de mandioca e a partir daí, o pesquisador da Embrapa Acre, Falberni Costa, que ministra o curso, irá demonstrar técnicas que podem ser alternativas para melhorar a qualidade do solo e consequentemente, a produtividade dos roçados. “A ideia é realizar um encontro de saberes, pois os agricultores detêm conhecimentos empíricos sobre o solo que estão na mesma direção das recomendações técnicas do curso, como deixar áreas de cultivo em descanso”, conta Falberni.

Solos arenosos

Segundo o pesquisador, no Juruá, diferente de outras regiões do Acre, predominam solos arenosos, com cerca de 50% a 70% de areia na camada em que as plantas desenvolvem suas raízes, enquanto a média ideal seria de 30%. “Quando as pessoas veem a floresta exuberante, não imaginam que os solos delas podem ser de baixa fertilidade química. Nesse caso, uma vez tendo ocorrido o corte e queima da floresta, é importante construir a qualidade do solo para uso contínuo da área para diversos cultivos e isso que vamos abordar no curso”, diz Falberni.

No sistema de derruba e queima, em solos arenosos do Juruá, a produção agrícola é reduzida em mais de 50% no terceiro ano de uso do solo. Caso não sejam adotadas medidas de manejo conservacionistas do solo, a alternativa do agricultor ainda é a abertura de novas áreas de floresta nativa, mesmo que dentro da legalidade dos 20% da Amazônia brasileira.

Redução do desmatamento

“A partir do terceiro ano a produção agrícola em solos arenosos do Juruá deixa de ser viável do ponto de vista econômico, mesmo para a mandioca que é uma cultura resistente a condições de solos de baixa fertilidade química. Quando chega nesse estágio, aí que entra o nosso trabalho de construir a fertilidade desses solos arenosos por meio de práticas conservacionistas que incluem o plantio direto, cultivo de plantas de cobertura do solo, como gramíneas e leguminosas, e o consórcio e/ou rotação de diferentes culturas agrícolas e de cobertura do solo. Essa estratégia melhora a produtividade agrícola e consequentemente, reduz a pressão por abertura de novas áreas”, afirma.

De acordo com Falberni, um dos principais aspectos a serem observados pelos agricultores familiares é a diversificação da produção agrícola. “É possível produzir com viabilidade econômica, utilizando o manejo conservacionista e estando atento às demandas do mercado. Os resultados de 13 anos de pesquisa no Juruá demonstram isso. Alternar os cultivos com plantas de cobertura (gramíneas e leguminosas), por exemplo, aumenta os teores de matéria orgânica e de nitrogênio no solo e ajuda a repor parte dos nutrientes retirados na safra anterior, melhorando as condições de fertilidade. Já o uso de plantio direto evita revolver a terra e auxilia no controle da erosão e reduz a decomposição da matéria orgânica do solo. A não utilização do fogo no preparo das áreas para os cultivos, outro critério importante para a pesquisa, é condição básica para a obtenção e manutenção desses ganhos”, destaca o pesquisador”. (Com informações Assessoria)