Como nesta semana comemoramos o dia dos professores, quero homenageá-los na pessoa do professor Itamar Zanin (também conhecido como bigodão, Leôncio do Pica-Pau etc), ex-diretor da escola que estudei, que contou uma história em sala de aula que nunca esqueci.
Contou-me o professor que certa vez um grande empresário estava com seu notebook apresentando problemas, e que vários técnicos tentaram resolver, mas sem sucesso. Até que um outro técnico, que foi chamado como tantos outros, olhou o notebook, por todos os ângulos, durante mais ou menos 15 (quinze) minutos, tirou de sua bolsa uma chave de fenda e apertou um parafuso. Depois disso, o computador funcionou perfeitamente.
O grande empresário, feliz com o conserto, perguntou quanto ficou o serviço, e o profissional lhe respondeu: “mil reais”. O empresário achou o serviço caro, e retrucou: “você olhou meu notebook por alguns minutos e apertou um único parafuso. E está me cobrando mil reais por isso? Por apertar um parafuso?”. O técnico, então, lhe respondeu: “por apertar um parafuso, cobrei um real. E por apertar o parafuso certo, cobrei novecentos e noventa e nove reais”.
Eu concordo com o ator Pedro Cardoso quando ele disse que no Brasil as pessoas valorizam os bens, mas não valorizam os serviços. O brasileiro é capaz de comprar um apartamento, de frente para o mar, por um milhão de reais. Porém, se um pintor cobra vinte mil reais para pintar esse mesmo apartamento, ele acha caro.
Nem preciso dizer que na minha profissão não são raros os momentos em que as pessoas querem dar preço no meu serviço. “Poxa, mas são só algumas páginas”, “o processo é causa ganha”, “tem modelo na internet”, são algumas coisas que tenho de ouvir.
Uma vez eu perdi um cliente porque cobrei um determinado valor para uma demanda e outro colega, que ele foi consultar logo em seguida, cobrou simplesmente dez vezes menos para atuar no mesmo processo. Isso mesmo: dez vezes menos!
Eu sei bem quanto custou o curso de Direito, que embora eu tenha feito em Universidade Federal, teve os seus gastos. Só eu sei quanto custam os cursos avulsos, os livros, as horas de estudo, de preparação, os dias que fico no escritório até tarde. E eu sei, muito bem, quanto custa o aluguel, o contador, a internet, o material de escritório, os tributos, as demais contas…
Por isso, eu lhe digo: saiba valorizar o seu trabalho. Não tenha vergonha de dar o seu preço, pois você sabe qual a razão de estar cobrando o valor que está. Não significa que você tem que ser inflexível. Você pode dar margem para negociar, conceder descontos, parcelar. A questão não é essa.
O fato é que a pessoa que busca os seus serviços está lhe procurando porque ela própria não possui condições de fazê-los. Então, por qual motivo é ela que deve determinar o valor?
Apertar um parafuso, qualquer um consegue. Agora, apertar o parafuso certo, é para poucos. Valorize isso!



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