Rio Branco
23°C
quinta-feira, 2 de julho de 2026
07:14

A POLÊMICA CONTINUA

Está longe de acabar a polêmica envolvendo a queda do deputado estadual Luís Tchê da liderança do governo na Assembleia Legislativa. No final de semana circulou nos bastidores os rumores de que o chefe da Casa Civil, Ribamar Trindade foi quem orquestrou a substituição do pedetista. O motivo: não ficou nada satisfeito com as declarações do então líder contra a equipe de Gladson Cameli. Mandar os secretários “tirarem a bunda das poltronas, saírem do ar-condicionado e irem trabalhar pelo Acre” foi a gota d’água para Trindade. A frase lhe trouxe a pecha de traidor e resultou em seu afastamento e, consequentemente, a exoneração dos indicados de Tchê a cargos comissionados. O retorno de Gehlen Diniz a liderança de Cameli na Aleac também é atribuída ao chefe da Casa Civil. O erro do pedetista foi mirar em Ribamar, o homem de confiança do governador. A queda de Tchê, depois disso, era previsível. Além de perder a liderança, perdeu também o prestígio no staff governamental. A pergunta que não quer calar: Tchê continuará na base de sustentação? Não será uma decisão muito fácil de ser tomada, mas o pedetista não poderá fugir disso, afinal de contas, os ataques que recentemente sofreu partiu da própria base de sustentação. Não creio que existe mais espaço para Tchê no governo de Gladson Cameli. E o retorno dos exonerados aos cargos, exceto dos indicados do pedetista, corrobora essa tese.

NA ONDA DA POPULARIDADE

Gladson não está nem aí se o criticam por suas ações atrapalhadas. Por ser popular entre os acreanos, se confia que seus erros serão sempre relevados. Não deveria esquecer que as vezes o jogo muda.

RECAI SOBRE GLADSON

Cameli não é nenhum inexperiente na política. Ele sabe que recairá sobre ele os erros de seus secretários. Ribamar Trindade também não foge da regra.

DÁ MOTIVOS

Ponto para o pequeno grupo de deputados da oposição na Aleac, que se aproveitam dos erros do governo e colocam em xeque a capacidade do governar do progressista. Não estão precisando fazer muito esforço para atacar o governo. O próprio Gladson lhes dá motivos. O relatório de Gestão Fiscal referente ao segundo quadrimestre do ano de 2019 é um bom exemplo disso.

INCOMPREENSÍVEL

Publicaram no Diário Oficial o relatório, depois recuaram sobre a justificativa de que havia alguns erros. Quais?

ATERRORIZOU

Quem se aproveitou da situação foi o deputado Roberto Duarte (MDB) que questionou a justificativa do governo quanto ao suposto erro. O emedebista acha que o governo “estaria com a intenção de manipular os dados já que, uma vez que foi comprovado que os gastos estariam acima do limite permitido pela LRF”.

APROVEITOU

De olho na eleição municipal de 2020, onde pretende concorrer ao cargo de prefeito de Rio Branco, natural o questionamento de Duarte. Sabe que muitos acreanos terão empatia com a “revolta” dele.

RELATÓRIO

O documento aponta que os gastos estão acima de 49% de sua receita líquida permitido por Lei. De acordo com o relatório, o governo de Gladson Cameli gastou 55,17% com pagamento de pessoal nos últimos meses.

NÚMEROS

Os números mostram que o Acre gasta mensalmente com pagamentos de pessoal, mais de R$ 2,8 bi. Sendo que o permitido pela Lei é R$ 2,4 bi. Ou seja, o governo está gastando mais de R$ 400 milhões de reais acima do permitido. Somente com pagamentos de pensões, por meio do Acreprevidência, o governo disponibiliza mais de R$ 45 milhões.

SOLUÇÃO

A partir de agora o governo do Estado é obrigado, nos dois próximos quadrimestres, a eliminar esse excesso de gastos com pessoal e voltar ao limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

VENDA DA DÍVIDA

Nos próximos dias, os deputados estaduais deverão apreciar o PL do Executivo sobre a venda das dívidas herdadas pelo governo do Estado a um banco internacional. Para o presidente da Casa Legislativa, deputado Nicolau Junior (PP) a medida é acertada, pois permitirá ao governo uma readequação financeira. Ou seja, mais recursos à disposição para serem injetados em diversas áreas, como saúde, educação e segurança. Assim esperamos!

ECONOMIA

Para Nicolau, a economia deverá ser de aproximadamente R$ 200 milhões.

JUDICIALIZANDO A QUESTÃO

O governador Gladson Cameli (PP) disse que deve recorrer na Justiça contra a derrubada dos oito vetos pelos deputados estaduais. No andar da carruagem, é a única alternativa a ser seguida pelo Executivo, afinal, o presidente da Aleac já publicou os vetos.

NOMES PARA A PMRB

A disputa para a prefeitura da capital continua entre os principais assuntos nas rodas de política. Alguns nomes já foram jogados na roda, são eles: Roberto Duarte (MDB), Minoru Kinpara (sem partido), Alan Rick (DEM), Jamil Asfury (PSC), Pedro Longo (PV), Jarbas Soster (AVANTE), Socorro Neri (DEM) e José Bestene (PP).

FOGO AMIGO

Politicamente, o senador Sérgio Petecão (PSD) tem se fortalecido a cada dia. Isso tem causado preocupação de alguns “aliados”, principalmente, daqueles que também tem pretensão em concorrer ao governo do Estado. Tem sido alvo de fogo amigo.

DE VOLTA

O vereador Gilson da Funerária (PP), que ficou oito meses como prefeito de Senador Guiomard, com o afastamento de André Maia (PSD), está de volta à Câmara Municipal. Já chegou causando. Disse que vai concorrer à prefeitura do município em 2020.

MUDANDO DE PARTIDO

Gilson não deverá permanecer no Progressista, partido pelo qual se elegeu, mas também não sabe por qual sigla disputará a eleição. “Só sei que abaixo de Deus já decidi que vou para a disputa”, disse ele.

DE BEM

Rumores dão conta de que o deputado José Bestene (PP) e Gladson Cameli (PP) andaram aparando as arestas. Não voltaram 100% as boas, mas pelo menos nenhum dos dois deixará a legenda.

FORTALECENDO O PP

Na conversa que tiveram decidiram fortalecer o Progressista para a eleição municipal de 2020.

E A SAÚDE?

A pergunta que não quer calar: será que Bestene e Cameli trataram sobre a área de saúde? Pessoas próximas ao deputado estadual garantem que ele ficará off quanto a essa pasta. Cansou de levar porrada. Ok, então!

FRASE

“É inadmissível, é vergonhoso para o governo publicar um documento dessa importância, supostamente de forma equivocada. Primeiro eles divulgam o relatório de gestão fiscal do segundo quadrimestre, onde os gastos com pessoal ultrapassam 55%, no mesmo dia à noite, fazem um diário oficial extra tornando sem efeito a exoneração de mais de 300 cargos comissionados”.

(Deputado Roberto Duarte, do MDB, ao comentar sobre o relatório de Gestão Fiscal do Estado)

TÃO ACRE

 O CANHÃO DO SOLDADO

 Um soldado enamorado e gabola quase matou de susto o governador Nabor Junior, em agosto de 1994. O recruta, postado junto a um canhão que era exibido na semana do Exército em exposição de material bélico, na Praça do Seringueiro, nos fundos do Palácio Rio Branco, sede do governo estadual, resolveu mostrar suas habilidades à namorada. Colocou um projétil no canhão e depois de descrever o estrago que um tiro do artefato é capaz de provocar, tratou de murmurar juras de amor eterno ao ouvido de sua bela, deixando o canhão municiado. Um colega que não se apercebera do corrido, ao demonstrar como a peça disparava, bombardeou o gabinete de despachos do governador acreano, no segundo andar do palácio, ocasionando danos, chamuscando seis pessoas e gerando uma enorme boataria sobre o “começo da revolução”.

E por sorte era domingo.

QUANTA COISADA

“Não há coisa mais genérica que a palavra coisa. Coisa substitui qualquer coisa. Faltou sinônimo, lá vai a coisa. Já virou até verbo: coisar, coisando”. Tem toda razão o mestre e filólogo brasileiro Sérgio Nogueira ao condenar o abuso do termo. Ilustra o uso e abuso da coisa a antológica frase proferida pela secretária municipal de Educação, Emília Judite Loureiro, na manhã de 27 de maio de 1997, durante encontro com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação e professores em aviso de greve que as finanças da Prefeitura estavam combalidas, e assim o senhor prefeito Mauri Sérgio achava-se incapaz de conceder aumento salarial, a autoridade declarou, em inspirada metalinguagem eivada de filosofia cartesiana, haurindo imerecida assuada:

– Porque uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.