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quinta-feira, 2 de julho de 2026
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Com Rio Acre a 36 centímetros de marca histórica, Depasa pede consumo consciente

A baixa do nível do rio Acre na capital se acentua de forma rápida a cada dia. Dados do Corpo de Bombeiros apontam que o manancial alcançou a marca de 1,66 metro na medição realizada na quarta-feira, 14. Com isso, o fluxo d’água está a apenas 36 centímetros da menor marca já registrada na história, 1,30 metro. A situação levou o Departamento de Água e Saneamento (Depasa) a iniciar uma campanha que pede o consumo consciente da população de Rio Branco.

Intitulada “Desperdício é a Gota D’água”, a ação busca conscientizar os moradores dos mais de 190 bairros da cidade que o verão amazônico, período de ausências de chuvas, altas temperaturas e tempo seco, se intensificará neste mês e durante setembro, o que deve fazer com que o volume de água fique ainda menor. A ideia é deixar claro que a população tem papel fundamental para evitar o desabastecimento, diminuindo o consumo, caso o estado enfrente uma crise hídrica este ano.

Os números do Corpo de Bombeiros apontam que o nível registrado na quarta-feira é um dos mais baixos dos últimos 14 anos. Segundo a Direção do Depasa, o trabalho que é desenvolvido nos últimos oito meses garante que o sistema de abastecimento opere dentro da normalidade, o que faz com que ainda não haja necessidade de racionamento. Entretanto, a concessionária dos serviços de água e saneamento alerta que é necessário o consumo consciente para atenuar o cenário.

“Com esforço conseguimos aumentar a captação e distribuição. Apesar de estarmos no verão, temos água. Alguns bairros que antes recebiam a cada quatro dias, hoje recebem água dia sim, dia não. Mas o desperdício parece aumentar na mesma proporção em que melhora a distribuição. Mesmo nesta época do ano, com frequência nos deparamos com caixas d’água derramando, pessoas lavando calçadas com mangueira”, comenta o diretor-presidente do Depasa, Zenil Chaves.

Ele alerta que a falta de boia nas caixas d’água, utilização de água tratada para lavar calçadas, escovar os dentes elavar louça com torneira aberta, banhos demorados e outras práticas que as pessoas fazem no dia a dia são alguns dos aspectos que contribuem para o aumento do desperdício de águia potável nas residências. Chaves lembra que se cada pessoa adotar o consumo consciente o resultado final será muito positivo durante o período crítico da estiagem, já que os reservatórios estarão abastecidos.

Desperdício é a Gota D’água’

Lançada pelo Depasa durante a 46ª edição da Feira de Entretenimento e Negócios do Acre, Expoacre 2019, a campanha ‘Desperdício é a Gota D’água’ quer sensibilizar a população quanto à importância do consumo consciente e como ele evita o desabastecimento em momentos de estiagem. A ação é desenvolvida em parceria com a Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Acre (Ageac). A atividade será ampliada e intensificada ao longo deste mês e em setembro.

A campanha será lançada na Expojuruá e deve contemplar as cidades de Mâncio Lima, Sena Madureira, Brasileia, Capixaba, Epitaciolândia e Xapuri. “É uma campanha que tem como foco o trabalho educativo nos municípios. Cada um precisa fazer a sua parte. Por isso, estamos levando a campanha para as escolas. O objetivo é difundir boas práticas para o uso da água, formar multiplicadores da ideia”, diz Alexandra Lopes Lima, chefe do Núcleo Sócio Pedagógico do Depasa.

Média Rio Acre Julho

Apesar de Rio Branco ter tido o mês de julho mais chuvoso dos últimos cinco anos, conforme os dados do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBM-AC), o nível do rio Acre na capital ficou abaixo da média histórica para o período este ano. Mesmo com os 74,6 milímetros de chuvas, enquanto a média em outros anos foi de 34 milímetros, o volume de água do manancial ficou com 2,13 metros no mês passado, bem abaixo do comportamento normal para a época que é de 3,45 m.

Major do Corpo de Bombeiros, Cláudio Falcão explica que ano após ano o volume das águas do principal rio do estado na capital e em outras cidades apresenta baixa significativa no período de poucas chuvas, tempo seco e altas temperaturas na região, durante o verão amazônico. Com a intensificação dessas condições climáticas até o início de outubro, quando as chuvas na região voltam a ocorrer com frequência, a estimativa é que o volume d’água tenha baixa de 70 centímetros.

“Estamos em alerta máximo sobre o nível dos rios acreanos dede o dia 22 de junho. Esse alerta inicia quando o rio Acre alcança a marca de 2,69 metros. Vivemos a terceira pior crise hídrica do estado, perdendo apenas para os anos de 2016 e 2017. Isso significa que é necessário redobrar os cuidados que a gente tem em relação aos rios, e com todos os riscos que o rio nos oferece, seja de desabastecimento, de afogamento e de navegação. Ou seja, voltar os nossos olhares, mais ainda do que já fazemos normalmente, para esse momento delicado que nós passamos”, declara Falcão.

O militar enfatiza que o rio Acre pode atingir a média de 1,35 metro nos próximos meses. Caso isso aconteça, ele ressalta que será a segunda menor marca registrada em 48 anos. Em 2016, o Acre passou pela maior estiagem já registrada na história e em setembro daquele ano o nível do rio na capital foi o menor de todos os tempos chegando a 1,30 metro. Falcão lembra que a situação de seca extrema se repete este ano e que a tendência é de que o baixo volume de chuvas permaneça.

“Se esse cenário se configurar novamente, podemos chegar a uma cota bastante crítica agora em 2019 e corremos o risco de termos uma crise hídrica severa como em 2016. Temos a possibilidade real de o rio baixar até um metro e alcançar o patamar registrado em 2016. Mas temos um plano de contingência elaborado e ele prevê que se for necessário decretar situação de emergência em relação a abastecimento d’água a Defesa Civil Estadual fará esse reconhecimento”, afirma o militar.

O major explica que é necessário a Defesa Civil Estadual reconheça a situação de emergência pra que o governo do estado decrete oficialmente o cenário, o que facilita o reconhecimento por parte do governo federal para auxiliar financeiramente a administração sobre uma possível situação de desabastecimento. De acordo com ele, as queimadas praticadas no período influenciam indiretamente o nível do manancial, já que aumentam ainda mais as temperaturas.