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terça-feira, 7 de julho de 2026
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Oito dias após decreto de prisão, policial federal suspeito de matar bebê continua solto

Mesmo oito dias após o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) decretar a prisão preventiva do policial federal Dheymersonn Cavalcante, suspeito de ter matado a própria filha de apenas dois meses de idade, o agente ainda continua solto. O delegado Martin Hessel, da Delegacia de Homicídios e Proteção de Pessoas (DHPP) responsável pela investigação do caso, confirmou a informação na última terça-feira, 16. A determinação do Judiciário foi dada no último dia 9.

Em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Acre, Hessel explicou que o mandado de prisão segue em aberto e a Polícia Civil não fez diligências para prender o acusado. “Até o momento não foi cumprido e ele também não se apresentou. Não fizemos diligência aqui no estado porque sabemos que ele está em Maceió e também não sei dizer se houve diligência lá. Tacitamente, considerando que ele tinha conhecimento sobre o mandado, considero como foragido”, afirmou.

A conclusão da investigação da Polícia Civil apontou Cavalcante como culpado pela morte da criança. O inquérito foi encaminhado para o TJ-AC e Ministério Público (MP-AC) para que as duas instituições tomassem as medidas cabíveis. O envio resultou na solicitação de prisão feita pelo MP-AC, que foi negada pelo Juízo da 2ª Vara do Tribunal do Júri. O órgão recorreu da decisão e Câmara Criminal aceitou a prisão por unanimidade em julgamento na semana passada.

No início deste mês o policial federal e a mãe dele, Maria Gorete, foram indiciados por homicídio doloso qualificado por supostamente terem planejado a morte da criança. Os dois são acusados pela enfermeira Micilene Souza, mãe da bebê, de terem cometido o crime em março mediante premeditação. A pequena Maria Cecília morreu no dia 8 de março por broncoaspiração depois de tomar duas mamadeiras de leite artificial. A suspeita é de que o agente não queria pagar pensão.

Também em entrevista dada ao G1 Acre, o advogado de Cavalcante, Kaio Marcellus, afirmou que ele aguarda a intimação da Justiça acreana para poder se apresentar. O defensor garantiu que o agente federal deu o endereço atualizado, mas que ainda não foi intimado. Em uma reportagem publicada no dia 9 deste mês pelo site, o policial, que está na cidade de Maceió, Alagoas, afirmou ao G1 que caso a prisão preventiva dele fosse decretada, a defesa dele iria recorrer.

“Ele forneceu o endereço atualizado e está aguardando a intimação. Como é em Maceió, é expedida uma carta precatória para que seja cumprido por um oficial de Justiça de lá. Ele está à disposição do poder judiciário para cumprir a decisão judicial. Em nenhum momento ele vai buscar se furtar, nem se evadir do local”, declarou Kaio Marcellus durante a entrevista dada ao G1 Acre.  Entretanto, não foi esclarecido quando Cavalcante saiu do Acre para o estado nordestino.

Vídeo-defesa

Em um vídeo encaminhado ao G1 Acre na semana passada, o policial federal fez uma apresentação de slide realizando a própria defesa. Na gravação, ele contesta as acusações apontadas pela Polícia Civil no inquérito e afirma que o órgão não incluiu e analisou todas as provas do processo no documento enviado ao MP-AC e TJ-AC. “Sou policial, assim como o delegado que investiga o caso, e esperava que fosse realizado um trabalho sério e todas as provas fossem colocadas”, fala.

O agente federal destaca que por não entender o trabalho de perícia não pode criticar os procedimentos adotados nessa instância. Ele afirma ainda que até o momento não foi ouvido pela Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Justiça. “Depois que minha filha morreu, eu entrei em uma depressão profunda, quase me suicidei e perdi 10 quilos. Não tive condições nenhuma de me pronunciar ou me defender”. Durante o vídeo ele expõe prints de conversas com a mãe da bebê, prontuário, receita médica e trechos de entrevistas dadas pelo delegado responsável pelo caso.

“A menina não podia tomar leite artificial, mas por que a mãe dava? Perguntei se a menina tinha alguma alergia e ela disse que não. E está aqui o prontuário médico da minha filha e o receituário médico passando Nan para a criança. Como ela diz que a criança não tomava? Minha filha tinha quase 5 quilos conforme laudo cadavérico, então deveria se alimentar de mais ou menos 700 mililitros por dia. Se minha filha mamasse só 10 mililitros, ela ia ter que se alimentar 60 vezes no dia, o delegado não viu isso não? Ninguém viu isso?”, prossegue o suspeito na gravação enviada.

Cavalcante declara ainda que a investigação da Polícia Civil ouviu apenas a mãe da criança e tomou como verdade as afirmações feitas por ela. Segundo ele, a pediatra da bebê, o prontuário e a consulta a especialistas foram descartados do processo. “Polícia não trabalha assim, polícia verifica a situação. Por isso que digo que fiquei descontente. Meu depoimento é um hoje, amanhã e sempre. Não fico mudando de palavra todo dia não”. Ele também negou não querer pagar pensão.

O policial garante que fez uma transferência de R$ 6 mil para a mãe da criança, além de ter pago hospedagem, alimentação e a realização do exame de DNA que comprovou a paternidade. “Queria que ela [a mãe] fosse para Rio Branco e eu pagaria uma moradia para poder ficar mais perto da minha filha. Nunca houve exigência para fazer DNA, o que existia era um acordo. Eu falei que tinha conversado com minha esposa e ela me pediu para registrar após o teste de paternidade e eu respeitei, porque não iria fazer mal nenhum à minha filha”, prossegue ele no vídeo.