Era 5 de julho de 2001 quando os atores acreanos Dinho Gonçalves e Marília Bonfim subiram ao palco do Espaço Oficina Grande Otelo, em Sorocaba, São Paulo, para encenar pela primeira vez a peça “A Menina e o Palhaço”, escrita pelos artistas para o encerramento de um curso de especialização em Teatro na Universidade de São Paulo (USP). Em 18 de julho do mesmo ano foi a vez de Rio Branco receber a primeira apresentação em solo acreano. E para comemorar os 18 anos ininterruptos de exibição da obra, eles a encenarão em duas apresentações neste domingo.
As duas sessões de comemoração serão realizadas no Teatro de Arena do Sesc, localizado no Serviço Social do Comércio do Acre (Sesc-AC) do Centro de Rio Branco, às 17h e 19h com entrada gratuita. As apresentações fazem parte do projeto “Encena no Arena”, do Sesc Acre, que prevê 10 demonstrações da obra no espaço e em 10 escolas públicas de Rio Branco. Desse total, uma já foi feita, duas são realizadas neste fim de semana e as outras sete se estenderão na semana.
“Marília e eu estávamos fazendo a especialização de Ensino, Arte e Cultura na Escola de Comunicação e Artes (ECA) da USP. Um dos requisitos para obter certificação era apresentação de um trabalho no encerramento e como somente nós dois éramos do Teatro, o restante era de Artes Plásticas, escrevemos o texto, montamos a peça e a apresentamos. Lá foi nossa estreia e resolvemos trazer esse trabalho para o Acre. Pouco tempos depois apresentamos ele em São Paulo, Paraná, Roraima, Pará, Mato Grosso, Rondônia e outros estados”, relembra Gonçalves.
O ator afirma que no Acre apenas os municípios de Santa Rosa do Purus, Jordão e Porto Walter ainda não receberam apresentações da peça. Em Rio Branco, todo ano há uma temporada de “A Menina e o Palhaço” nos teatros e diversos outros espaços da cidade com uma procura grande do público nas sessões ofertadas. Ele afirma que a grande presença de público nas encenações é motivo de orgulho para ele e a parceira de palco por perceberam que a história ainda envolve as pessoas. Segundo o artista, muitas pessoas já viram mais de 20 vezes as encenações feitas por eles.
“Muita gente já viu muitas vezes e ainda quer ver novamente. Para nós, isso é um presente com o significado de um prêmio muito importante porque demonstra que essa obra de arte tem um significado muito profundo para o público. Nós nunca paramos de fazer ‘A Menina e o Palhaço’, que já faz parte das obras do Grupo do Palhaço Tenorino, e nesses últimos 18 anos só fizemos uma pausa quando a Marília engravidou e passou o tempo de descanso após os partos. O espetáculo trabalha alguns contrastes da vida como morte e vida, tristeza e alegria e outros”, diz.
Gonçalves contra que apesar de a peça ter sido idealizada para o público infantil, as dualidades da sociedade trabalhadas fazem com que os adultos também se encantem pela história. Para ele, ter cativo os dois públicos é uma honra para ambos. “Com uma diferença um pouco acentuada, esse espetáculo agrada mais aos adultos que as crianças. Eu até o apelidei de uma peça infantil para adultos. Existem aspectos que cativam as crianças e outros os adultos com os contrastes. Fazemos isso de propósito para despertar as emoções das pessoas da plateia”, finaliza o artista.
História
A peça “A Menina e o Palhaço” traz de uma forma lúdica, delicada e divertida a relação entre uma menina tristonha e um palhaço cheio de conflitos internos e como eles descobrem, na recém-descoberta amizade, a força para seguir em frente superando as dificuldades da vida. O espetáculo, que provoca reflexões sobre aspectos reais que todas as pessoas enfrentam ao longo da vida, é um diálogo apenas feito entre Gonçalves e Marília. Os 18 anos de apresentações ininterruptas da obra já inspirou uma exposição em 2018. As apresentações deste fim de semana abrem mais uma temporada.


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