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domingo, 25 de outubro de 2026
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Copa América do “me engana que eu gosto”

Olhando a Copa América como torcedor, a seleção brasileira na final é muito bom e satisfaz o desejo compulsivo de ter o Brasil sempre vitorioso em qualquer competição de futebol, seja feminina, de salão, de praia etc.

Um olhar menos apaixonado, no entanto, vai se vendo que tudo pode ser um grande “me engana que eu gosto”. É como se a Copa América fosse o último alerta ao país, depois de sediar eventos esportivos importantes desde 2007, com o Pan-Americano do Rio.

Na verdade, o Brasil construiu estádio caros para os bem-abastados frequentarem. O preço dos ingressos da Copa América seguiu a trilha do que se viu na Copa do Mundo e se verifica no Campeonato Brasileiro da elite.

O ingrediente desse torneio foi que nem os mais endinheirados se empenharam em assistir jogos com menos expressão. O fato é que não há nenhum movimento para abaixar preço de ingresso, para acesso da grande camada popular ao futebol de primeira linha.

O curioso é que ao longo do torneio descobriu-se que os estádios recém-construídos ou reformados e direcionados aos ricos nem são tão bons assim. Pelo menos para Tite, Messi e outros, os seus gramados são péssimos.

Pode não ser nada por aqui o campo de jogo inadequado, mas para um torcedor apaixonado europeu, que compra carnê anual de entradas, por certo é inconcebível encontrar deficiências no gramado onde suas “estrelas irão desfilar”.

A Copa América foi marcada por um baixo nível de futebol. Tirando a partida do Brasil contra a Argentina, onde, aliás, a seleção talvez tenha feito seu melhor jogo desde a Copa da Rússia, o restante dos confrontos – inclusive dos donos da casa – foram, na média, ruins.

O saldo é que o futebol sul-americano confirmou não ser mais o mesmo em relação a Europa.

Dava como certa a presença na final do Uruguai, até cair nas quartas. Era o time mais estruturado e talentoso para chegar à final.

O caos argentino denota a necessidade urgente de se rever padrões táticos em campo de jogadores crescidos em países sul-americanos, depois treinados e adaptados ao futebol europeu e, posteriormente, reunidos numa mesma equipe para atuar pela sua seleção.

Tite caiu nessa cilada também, já que ele nunca foi um grande pensador do futebol (basta ouvir sua forma confusa de se pronunciar sobre temas mais complexos).

Ele é, na verdade, um orientador de objetivos aos seus comandados, na busca de resultados, com variação tática pouco inspirada.

O técnico brasileiro parece que também perdeu o controle do time – no Mundial da Rússia já se percebia não ter 100%. Ficou claro depois nas questões polêmicas envolvendo Neymar.

O Brasil pode voltar a levantar a taça na Copa América, mas vários recados já foram dados, para quem não gosta de se enganar.