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domingo, 5 de julho de 2026
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Saúde inicia tratamento de homem com meningite e faz procedimentos contra novos casos

Após a confirmação de um caso de meningite bacteriana em Rio Branco na sexta-feira, 21, a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) iniciou o tratamento de um homem de 58 anos diagnosticado com a doença. Ele está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência e Emergência (Huerb). Além disso, a pasta já iniciou os procedimentos para evitar que novos casos surjam, principalmente em quem manteve contato recente com o paciente.

De acordo com a coordenadora da Área Técnica das meningites do Estado, Helena Catão, uma equipe da Vigilância em Saúde da cidade de Senador Guiomard, cidade do interior do estado onde mora o paciente que está internado em Rio Branco, já faz o levantamento das pessoas que tiveram contato com o homem nos últimos 10 dias em ambiente domiciliar a de trabalho. A medida faz parte de um conjunto de ações específicas para que não haja disseminação da doença para terceiros.

“Diante desse caso, a gente entrou com as diversas medidas específicas. O contato também já foi feito com o Município de Senador Guiomard e eles vão fazer o levantamento dos contatos desse paciente nos últimos dez dias, tanto do domicílio como local onde ele trabalha. Em seguida, essas pessoas vão receber a medicação que é utilizada nos contatos existentes de meningite bacteriana”, disse a coordenadora da Sesacre em entrevista concedida ao portal de notícias G1 Acre na sexta.

Segundo a Sesacre, o paciente deu entrada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco na última quinta-feira, 20, com os sintomas da doença. Na unidade de saúde feito o exame para saber se realmente os sintomas eram causados pela suspeita e ficou confirmado o caso da meningite bacteriana – meningocócica, com encaminhamento do homem para imediato início de tratamento na UTI. A Saúde não informou se há um prazo de duração do tratamento do paciente.

Capacitação

Além desses procedimentos, a pasta também realiza capacitação de profissionais da área na cidade de Plácido de Castro. Isso porque no início da semana um soldado boliviano foi encaminhado a um hospital de La Paz para receber tratamento contra a meningite bacteriana – meningocócica. O militar boliviano vive na Vila Evo Morales, que faz fronteira com a cidade acreana. Outros 70 soldados que tiveram contato com o colega foram isolados e recebem tratamento na vila boliviana.

Chefe da Vigilância em Saúde do Acre, Glória Nascimento, explica que uma equipe do departamento foi enviada para Plácido de Castro na terça-feira, 18. Já na quarta, 19, outro grupo da capital acreana foi até a cidade para conversar com os profissionais do Município. A capacitação inclui atividades orientações sobre o atendimento em casos de meningite. Ela afirma ainda que uma equipe de profissionais brasileiros foi até o hospital da Vila Evo Morales coletar informações.

Glória garante que entre os 70 soldados que estão em observação não há nenhuma confirmação de novos casos da doença. “Os procedimentos que tomaram foram os certos, tanto o Município de Plácido de Castro como a Vila [Evo Morales]. Fomos no hospital e o diretor pediu para fazermos umas orientações e capacitação como protocolo de atendimento da população. Todos os soldados da Bolívia foram isolados, recebem tratamento e fazem a profilaxia deles. O soldado com a doença que foi levado para La Paz já está muito bem”, disse a chefe da Vigilância ao G1 Acre.

Ela enfatiza que equipes de saúde do Acre e da Bolívia estão mobilizadas em uma ação conjunta na fronteira com o Brasil para orientar as pessoas. A profissional garante que situação está sob controle e todos profissionais estão atentos sobre possíveis novos casos. “Fizemos visitas aos médicos e estão em uma organização muito boa. Estão todos sensibilizados com isso, foi só um caso desse paciente, mas estão mobilizados com equipes do Brasil. Está tudo tranquilo”, declarou.

Doença

A meningite meningogócica é uma doença transmitida por um grupo de bactérias chamadas meningococos. Ela provoca inflamação na meninge, membrana que envolve o cérebro e a medula espinhal do ser humano. Segundo o Ministério da Saúde, há 12 tipos de meningococos e no Brasil o mais comum é o tipo C (que corresponde a 80% dos casos) seguido do tipo B. Os tipos A, W e Y são menos frequentes no país. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferta imunização contra os tipos comuns.

A enfermidade pode ser transmitida pelas vias respiratórias, gotículas e secreções do paciente infectado. Contato íntimo, residentes da mesma casa e pessoas que compartilham o mesmo dormitório ou alojamento são outras formas de contágio da doença. Ambientes fechados e sem ventilação facilitam ainda mais a propagação. Entre os sintomas da meningite meningogócica estão fraqueza, febre, dor de cabeça, vômitos e rigidez na nuca. A procura de tratamento precisa ser rápida.

De acordo com o MS, a enfermidade pode levar à morte entre 24 e 48 horas a partir do aparecimento dos primeiros sintomas. O risco de morte é de 10% a 20%, e em caso de sobrevivência, a doença pode deixar sequelas graves como surdez e debilidade motora. O órgão federal de Saúde salienta que a meningite pode ser causada por fungos, vírus e outras bactérias que não meningococos. Apesar do diagnóstico no estado, não há indícios de um surto da doença.