Sob forte comoção de familiares, amigos e conhecidos, o corpo do pequeno Rhuan Maycon, 9 anos, foi velado e sepultado na quarta-feira, 5, no Cemitério Morada da Paz, em Rio Branco. A criança foi morta a facadas e esquartejada na madrugada do última sexta-feira, 31, em Samambaia, no Distrito Federal. O corpo do garoto saiu de Brasília na noite de terça-feira, 4, e chegou no Aeroporto Internacional Plácido de Castro na madrugada de quarta onde foi recebido pela família.
A suspeita da Polícia Civil do Distrito Federal é de que o menino tenha sido morto pela própria mãe, Rosana Auri da Silva Cândido, 27 anos, com a ajuda da companheira dela, Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, 28 anos. Após ser morto e esquartejado, o corpo do pequeno foi colocado em uma mala e jogado em um bueiro da cidade de Samambaia. Entretanto, um grupo de jovens que jogava futebol próximo ao local presenciou a cena e acionou a polícia.
Após chegar na capital acreana, o corpo da criança foi levado direto para a capela do Cemitério Morada da Paz e foi sepultado no local às 11h20. O traslado para o Acre foi feito após o estado acreano intermediar, por meio da Defensoria Pública (DPE), junto às autoridades do DF a liberação do corpo. Segundo o Executivo do Acre, o governo está dando todo suporte à família da criança e arca com todos os custos com o processo de traslado do Distrito Federal para o Acre.
Os trâmites para a liberação do corpo do garoto foram iniciados já no domingo, 2, quando a DPE iniciou o contato com a Polícia Civil e Instituto Médico Legal (IML) do DF solicitando autorização do traslado. A mãe dele fugiu do Acre em 2014 junto com a companheira e a filha dela, de 8 anos, levando o menino escondido da família, desde então os parentes acreanos não tinham mais notícias de Rhauan. Defensor público, Celso Araújo explicou que a liberação foi por morte violenta.
“Acompanhamos, intermediamos e agilizamos essa situação. Levava em média dez dias [a feitura da certidão de óbito], mas conseguimos em apenas um dia. O IML demorava também para liberar, mas conseguimos de forma ágil a liberação. Mantivemos contato com a família dele desde o início desse processo. O velório teve que ser feito com o caixão fechado porque não havia condições de ser de outra maneira devido ao estado em que a corpo da criança estava. O nosso acompanhamento junto aos familiares foi ofertado até o momento do enterro do garoto”, afirmou o defensor público.
Emoção
O pai de Rhuan, Maycon Douglas de Castro, e o avô, Francisco das Chagas, acompanharam emocionados a chegada do corpo do garoto, ao velório e o sepultamento. Durante o velório, Chagas pediu justiça no caso e disse que o crime contra o neto não pode ficar impune. Ele cobrou atenção das autoridades com relação à entrada e saída de menores do estado acreano. O avô relembrou que o neto foi raptado pela mãe em dezembro de 2014. Até então, o pequeno vivia com a família paterna.
Segundo Chagas, Rosana teve um relacionamento com Castro, mas nunca cuidou do garoto até raptá-lo. Ele explicou que a guarda do menino foi dada pela Justiça ao pai e que desde o rapto eles fizeram diversas buscas em diferentes cidades. “Em 2017, uma autoridade falou que não poderia fazer nada porque a mãe não sequestra criança. Mas, ela sequestrou e matou, e aí como que fica a situação? Gostaria de pedir para as autoridades prestarem mais atenção e quero que seja feita justiça pelo meu neto, que ninguém deixe impune esses monstros”, disse muito abalado o avô.
Ele relembrou ainda da relação com o neto e declarou que nunca vai esquecer o pequeno. “O Rhuan para mim é um filho, eu tinha uma relação muito forte com ele. Foi amor de primeira vista, amor que nunca vai acabar no meu coração. Vou levar para meu túmulo junto comigo. Jamais vou esquecer dele, era uma criança dócil, uma criança linda e eu vou ser o avô dele para sempre, nessa vida ou na outra”, declarou em lágrimas. O pai da criança não quis falar com a imprensa.
Prisão e investigação
Rosana Auri da Silva Cândido e a companheira Kacyla Pryscila Santiago Damasceno foram presas pela Polícia Civil do DF ainda no sábado, 1, quando estavam em casa. A ação foi realizada após a denúncia feita pelas pessoas que estavam em quadra jogando futebol verem as duas jogando a mala com o corpo esquartejado em um bueiro. A Polícia Civil do Distrito Federal acredita que Rosana cometeu o crime “para diminuir gastos”. Segundo as investigações, a decisão teria sido tomada depois que a pensão da filha da companheira dela foi suspensa pela Justiça do Acre.
O inquérito aponta que a mãe do menino já planejava o crime. Entretanto, ela e a companheira teriam antecipado a ação na noite da última sexta-feira, 31. Segundo os policiais responsáveis pelo caso, antes de assassinar Rhuan Maycon,elas foram a um caixa eletrônico para sacar o dinheiro do pagamento da pensão da filha de Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa. Ao perceber que o recurso havia sido suspenso, elas teriam “antecipado o plano para reduzir gastos”.
Após o crime, a Polícia Civil do Acre também iniciou as investigações sobre a mãe do garoto e a companheira dela para auxiliar a PC do DF. Responsável pelo caso no Acre, delegado Cleylton Videira afirmou que já foram ouvidos o pai e o avô paterno da vítima. Ele explicou que familiares do pequeno, tanto paternos como maternos, ainda devem prestar depoimento. Videira afirmou ainda que a denúncia de que a família do menino não conseguiu registrar Boletim de Ocorrência (BO) sobre o sequestro também vai ser investigada pela corregedoria da Polícia Civil acreana.
“Assim que nós tomamos conhecimento desse crime, iniciamos uma investigação para determinar se, durante o período em que as autoras estiveram morando em Rio Branco, na companhia da criança, houve o cometimento de algum ilícito contra a vítima. Até então, o pai e avô paterno informaram que não têm conhecimento sobre isso. Também vamos apurar todas as circunstâncias com que essas crianças foram retiradas do estado”, explicou o delegado. Além de Rhauan, uma menina de 8 anos, filha de Kacyla, também foi raptada de Rio Branco em dezembro do ano de 2014.
De acordo com a Polícia Civil do DF, a menina teria presenciado toda ação contra o irmão de criação durante o assassinato. Na quarta, 5, o delegado responsável pela investigação no Distrito Federal, Guilherme Melo, viajou para Rio Branco para prosseguir com a investigação iniciada lá também na capital do Acre. Segundo ele, a pretensão é conversar com parentes e pessoas que conheciam as duas mulheres que fugiram do Acre. Além de ouvir os parentes paternos da vítima, ele também conversará com a família da mãe da criança para saber do histórico dela e da companheira.
O delegado Cleyton Videira, da PC acreana, acrescentou que que vai apurar as circunstâncias em que as duas crianças foram retiradas do Acre. Segundo ele, antes de Rosana e Kacyla deixarem Rio Branco com os filhos, elas registraram um Boletim de Ocorrência contra o pai do menino assassinado. O delegado disse que, na época, a polícia iniciou uma investigação. “A partir daquele momento, o pai da criança passou a ser investigado pela polícia, como possível agressor da autora do homicídio. Nesse intervalo de tempo, elas conseguiram fugir do estado do Acre”, afirmou ele.
Videira disse ainda que está repassando tudo que é apurado no Acre para a Polícia Civil do Distrito Federal. “O objetivo é determinar o grau de participação de cada uma delas no cometimento do crime contra a criança”, finalizou. O pai da menina de 8 anos, filha de Kacyla, foi para Brasília no último domingo, 2. Rodrigo Oliveira, que é funcionário público na capital acreana, já viu a filha, mas ainda não recebeu autorização da Justiça do DF para viajar com ela de volta à Rio Branco.










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